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Anemia infantil - quais são as características e o que pode ser feito?

Friday, March 22, 2024
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Anemia infantil - quais são as características e o que pode ser feito?

O que é anemia infantil?

A anemia infantil refere-se a uma condição em que as crianças têm níveis de hemoglobina ou glóbulos vermelhos no sangue abaixo do esperado para a idade, o que leva a uma diminuição na capacidade do sangue de transportar oxigênio para os tecidos do corpo.

Crianças de 6 meses a 5 anos são consideradas anêmicas quando a hemoglobina está abaixo de 11g/dL (decilitro) de sangue.

Apesar de, no geral, manifestar um quadro clínico muito assemelhado ao dos adultos anêmicos, a anemia infantil tem manifestações específicas, relacionadas sobretudo ao fato de acometer indivíduos ainda em desenvolvimento.

Quais são as causas da anemia infantil?

As causas da anemia infantil podem variar, mas uma deficiência de ferro costuma ser a causa mais frequente de anemia em crianças, uma vez que o ferro é essencial para a produção de hemoglobina. A vitamina B12 (cianocobalamina) e o ácido fólico também são essenciais para a produção de glóbulos vermelhos, e a falta deles pode levar à anemia.

Além disso, algumas doenças crônicas, como doença renal crônica ou doenças inflamatórias, podem afetar a produção de glóbulos vermelhos, assim como infecções por vermes intestinais podem contribuir para a anemia em crianças.

Outras causas que também devem ser consideradas são doenças subjacentes, condições genéticas e sangramento intenso.

Leia sobre "Anemia perniciosa", "Anemia falciforme" e "Hemograma".

Qual é o substrato fisiopatológico da anemia infantil?

A hemoglobina é uma proteína dos glóbulos vermelhos do sangue que transporta oxigênio dos pulmões para o restante do corpo. A principal consequência da falta de hemoglobina é a redução da capacidade de transportar oxigênio para os tecidos, afetando o funcionamento normal dos órgãos e sistemas.

Essa redução leva o coração a trabalhar mais para compensar a deficiência, o que pode resultar em uma sobrecarga do órgão e aumentar o risco de problemas cardíacos.

Por outro lado, em casos de deficiência crônica de hemoglobina, especialmente em crianças, pode haver retardos impactantes no crescimento e desenvolvimento físico e cognitivo.

Quais são as características clínicas da anemia infantil?

A anemia pode levar à falta de apetite, a qual, por sua vez, dá causa a uma deficiência nutricional que acentua mais o quadro anêmico. A redução na quantidade de oxigênio transportado pelas hemácias leva a uma diminuição na capacidade do corpo de realizar suas funções normais, causando, entre outras coisas, fadiga e fraqueza. A falta de hemoglobina causa também palidez na pele, nas mucosas e nas unhas da criança.

As crianças anêmicas podem ter dificuldade em realizar atividades físicas devido à falta de oxigênio disponível para os músculos, podem se tornar irritáveis e ter dificuldade em se concentrar devido à redução no fornecimento de oxigênio para o cérebro. O coração pode aumentar a frequência de seus batimentos para compensar a redução no transporte de oxigênio, o que pode resultar em palpitações e aumento da demanda cardíaca.

Em alguns casos, a respiração pode tornar-se mais rápida para tentar compensar a falta de oxigênio no sangue e, em casos mais graves, a anemia pode levar a tonturas e desmaios devido à inadequada oxigenação do cérebro.

A longo prazo, ao interferir também no crescimento adequado e no desenvolvimento físico e cognitivo da criança, a anemia diminui o QI (quociente de inteligência) da criança.

Como o médico diagnostica a anemia infantil?

O primeiro passo no diagnóstico da anemia infantil, após a observação da criança e a coleta da sua história clínica pregressa, é um exame de sangue simples. O passo seguinte consiste em estabelecer, de forma precisa e segura, o tipo e as causas da anemia.

A anemia leve ou moderada geralmente é descoberta durante um exame médico por outro motivo. Um exame de sangue mais direcionado mede a concentração de hemoglobina e o número de glóbulos vermelhos no sangue. A eletroforese de hemoglobina pode ser usada para determinar a quantidade e o tipo de hemoglobina no sangue e, eventualmente, pode ser seguida por exames de sangue adicionais e aspiração e biópsia de medula óssea.

O médico poderá fazer uso de outros testes de diagnóstico, dependendo da situação individual da criança e das suas suspeitas diagnósticas.

Como o médico trata a anemia infantil?

O tratamento da anemia infantil depende da sua causa específica, da gravidade dos sintomas, da idade e do estado geral de saúde da criança. De acordo com esses fatores, o médico poderá recomendar:

Como evolui a anemia infantil?

A evolução da anemia infantil depende da sua causa. A maioria das anemias, quando tratadas de modo adequado e a tempo, se resolvem sem deixar sequelas. Em casos mais severos, em que há um componente genético, as anemias requerem um acompanhamento médico contínuo e deixam marcas principalmente sobre o desenvolvimento físico e cognitivo da pessoa, com redução de ambos.

Veja também sobre "Leucemias", "Ferritina" e "Ácido fólico".

Como prevenir a anemia infantil?

Como a anemia ferropriva é a forma mais comum de anemia infantil, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a suplementação de ferro na forma de medicamento para todas as crianças de 6 meses a 2 anos de idade, especialmente para aquelas que são alimentadas exclusivamente com leite materno, porque ele pode não ser suficiente para fornecer a quantidade necessária do mineral.

A falta de ferro em bebês pode ser sinônimo de anemia infantil no futuro, porque os pequenos precisam do mineral, já que o organismo deles está se desenvolvendo de forma muito rápida.

Quais são as complicações possíveis com a anemia infantil?

As complicações da anemia infantil dependem do que a esteja causando. Algumas delas têm poucas ou nenhuma complicação, mas outras podem ter complicações sérias, como problemas com o crescimento e desenvolvimento, falência da medula óssea, leucemias e outros tipos de câncer.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria, da University of Rochester Medicine e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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