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Células-tronco: conceito, tipos, uso na Medicina e questões éticas

Friday, November 1, 2019
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Células-tronco: conceito, tipos, uso na Medicina e questões éticas

O que são células-tronco?

As células-tronco são a matéria-prima do corpo. Elas dão origem a todas as outras células dos diversos órgãos, com funções especializadas. Em alguns casos, elas também têm a capacidade de regenerar e/ou reparar tecidos danificados.

Elas surgem no ser humano ainda na fase embrionária, e mesmo após o nascimento alguns órgãos ainda mantêm dentro de si uma pequena porção de células-tronco, responsáveis pela renovação constante desse órgão específico. Os pesquisadores acreditam que as terapias baseadas em células-tronco poderão um dia ser usadas para tratar doenças devastadoras, como as paralisias e a doença de Alzheimer, por exemplo.

As células-tronco têm duas características especiais: (1) conseguem se reproduzir por duplicação, gerando duas células iguais e (2) conseguem diferenciar-se, ou seja, transformar-se em células de tecidos de seus respectivos órgãos.

Uma vez divididas, as células filhas tornam-se novas células-tronco (auto-renovação) ou células especializadas (diferenciação) com uma função mais específica, idêntica à dos orgãos onde eram alojadas. Assim, por exemplo, a célula-tronco hematopoiética, localizada na medula óssea vermelha, é responsável pela geração de todas as células do sangue. O mesmo acontece com as células cerebrais, musculares, cardíacas, ósseas, etc. Nenhuma outra célula do corpo tem a capacidade natural de gerar novos tipos de células.

Quais tipos de células-tronco existem?

Quanto à possibilidade de gerar novos tecidos, elas podem ser:

  1. Totipotentes: células que possuem a capacidade de gerar todos os tipos de células e tecidos do corpo. São as células originárias de um embrião recém-formado (zigoto), desaparecendo poucos dias após a fertilização.
  2. Pluripotentes: possuem a capacidade de gerar células dos três folhetos embrionários (ectoderma, mesoderma e endoderma), ou seja, são capazes de gerar qualquer tecido, menos o trofoblasto (células extraembrionárias).
  3. Multipotentes: um pouco mais diferenciadas, possuem a capacidade de gerar um número limitado de células especializadas.
  4. Unipotentes: capazes de se diferenciar ao longo de apenas uma linhagem. São encontradas em órgãos ou tecidos adultos.

Os pesquisadores também descobriram células-tronco perinatais no líquido amniótico e no sangue do cordão umbilical. Essas células-tronco também têm a capacidade de se transformar em células especializadas. São necessários mais estudos das células-tronco do líquido amniótico para entender seu potencial de transformação.

Saiba mais sobre "Doenças degenerativas", "Mal de Alzheimer" e "Fertilização in vitro".

O uso de células-tronco na Medicina

Os interesses da Medicina nas células-tronco são muitos. Dentre outros, (1) elas podem aumentar a compreensão de como as doenças ocorrem; (2) gerar células saudáveis para substituir células doentes (tratamento regenerativo), útil principalmente nas doenças degenerativas; (3) testar novos medicamentos quanto à segurança e eficácia.

Muitas das possibilidades, contudo, ainda estão no terreno da expectativa. As únicas células-tronco atualmente usadas no tratamento de doenças são as células-tronco hematopoiéticas, formadoras das células sanguíneas. Na verdade, todo tipo de célula sanguínea começa como uma célula-tronco da medula óssea. Essas células são usadas em procedimentos como transplantes de medula óssea. Isso ajuda as pessoas com câncer sanguíneo a criar novas células, depois que suas próprias células-tronco hematopoiéticas foram mortas por radioterapia e/ou quimioterapia. Elas também podem ser usadas para tratar a anemia de Fanconi, um distúrbio sanguíneo que causa falha na medula óssea.

Os pesquisadores pensam que, no futuro, as células-tronco poderão ajudar a saúde de várias maneiras, através de muitos novos tratamentos, sendo usadas para criar novos tecidos. Por exemplo, pensam que chegará o dia em que os profissionais de saúde poderão cultivar células musculares cardíacas saudáveis em laboratório e transplantá-las para corações danificados por doenças cardíacas crônicas. Entre outros tratamentos revolucionários, podem ter como alvo doenças como diabetes tipo 1, lesões na medula espinhal, doença de Alzheimer e artrite reumatoide. Novos medicamentos também podem ser testados em células produzidas a partir de células-tronco pluripotentes.

No entanto, as células-tronco precisam de muito mais estudo antes que seu uso possa ser generalizado. Os cientistas precisam aprender mais sobre como as células-tronco embrionárias se desenvolvem porque isso os ajudará a entender como controlar o tipo de células criadas a partir delas. Como essas células são difíceis de crescer em laboratório, os pesquisadores estão procurando maneiras de melhorar o processo de obtenção delas. Outro desafio a ser vencido é que as células-tronco embrionárias disponíveis hoje provavelmente serão rejeitadas pelo organismo. Mas os cientistas também enfrentam desafios ao usar células-tronco pluripotentes adultas. Há uma chance maior de que elas possam conter problemas de DNA.

De qualquer maneira, o futuro é promissor!

O problema ético do uso de células-tronco

As células-tronco embrionárias são obtidas de embriões em estágio inicial que, na verdade é um grupo de células que se forma quando o óvulo é fertilizado pelo esperma, numa fertilização in vitro. Como as células-tronco embrionárias são extraídas de embriões humanos, várias questões foram levantadas sobre a ética da pesquisa e da utilização das células-tronco. Em quase todos os lugares mais avançados, os Institutos Nacionais de Saúde criaram diretrizes para a pesquisa com células-tronco. As diretrizes definem como essas células podem ser usadas na pesquisa e geralmente incluem recomendações para a doação de células-tronco embrionárias.

As questões religiosas envolvidas são problemas do foro íntimo de cada indivíduo.

Veja sobre "Transplante de medula óssea", "Síndromes mielodisplásicas" e "Anemia de Fanconi".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e do University of Rochester Medical Center.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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