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Restrição calórica e longevidade

quarta-feira, 9 de outubro de 2019
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Restrição calórica e longevidade

O que é restrição calórica?

Restrição calórica significa reduzir a ingestão média de calorias diárias abaixo do habitual, sem desnutrição ou privação dos nutrientes essenciais. Não estaria muito errado dizer que a restrição calórica é uma “subnutrição sem má nutrição”. Ela significa reduzir entre 30 e 40% o consumo típico de calorias, mantendo todos os nutrientes e vitaminas necessários para sustentar a vida.

Falando popularmente, significa “comer menos”, não comer pior. Bem observado, as pessoas comem mais do que é necessário para fins nutricionais: comem incentivadas por hábitos, pelo sabor dos alimentos, pela aparência estética das comidas, pela presença de companhias, etc.

Esses padrões de restrição alimentar estão sendo estudados como possíveis maneiras de manter uma boa saúde e viver mais. Eles não devem ser apenas planos temporários de perda de peso (dietas), mas padrões duradouros de hábitos alimentares. O interesse em seus benefícios potenciais à saúde e ao envelhecimento decorre de décadas de pesquisa com uma grande variedade de animais (vermes, aranhas, insetos e roedores), nos quais a alimentação restrita em calorias atrasou o aparecimento de distúrbios relacionados à idade e, em alguns estudos, prolongou a vida útil desses animais.

Os primatas não humanos agora estão sendo testados, mas o resultado desses testes ainda não é conhecido. Resultados preliminares, no entanto, sugerem que a restrição de calorias em macacos os torna mais saudáveis e eles tendem a viver mais do que seus colegas alimentados livremente. Por exemplo, um novo estudo mostra que o sistema imunológico de macacos rhesus idosos em uma dieta restrita em calorias se assemelha ao sistema imunológico de animais mais jovens.

Dados esses resultados favoráveis em animais, os pesquisadores estão estudando se a restrição calórica também afeta positivamente a saúde e a vida útil das pessoas.

Leia sobre "Dieta cetogênica", "Cetose", "Dieta do jejum" e "Desnutrição".

Qual é a relação entre a restrição calórica e a longevidade nos humanos?

Alguns estudos têm sugerido que a restrição calórica pode trazer benefícios à saúde dos seres humanos, no entanto, mais pesquisas são necessárias antes de entendermos seus efeitos a longo prazo.

Algumas pessoas praticaram voluntariamente graus extremos de restrição calórica ao longo de muitos anos, acreditando que assim preservariam a saúde e prolongariam a vida. De fato, estudos sobre esses indivíduos encontraram níveis marcadamente baixos de fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes, diretamente relacionadas ao envelhecimento. Os estudos também encontraram outros efeitos cujos benefícios e riscos a longo prazo são incertos, bem como reduções no interesse sexual.

Muitos estudos e a experiência clínica mostraram que pessoas obesas ou com sobrepeso que perdem peso fazendo dieta podem melhorar sua saúde. Mas, os cientistas ainda têm muito a aprender sobre como a restrição calórica afeta pessoas que não têm excesso de peso, incluindo os idosos. Eles também não sabem se esses padrões alimentares são seguros ou mesmo factíveis a longo prazo. Em resumo, não há evidências suficientes para recomendar esse regime alimentar de maneira generalizada. Caso a pessoa resolva segui-lo, deve ser monitorada de perto por um médico ou nutricionista.

A restrição calórica pode ou não estender o número total de anos que um humano pode esperar viver, mas, sem dúvidas, aumenta o número de anos que uma pessoa possa esperar permanecer saudável. Reduzir ou atrasar doenças relacionadas à idade até o final da vida representaria uma enorme melhoria na qualidade de vida de muitos, se não da maioria dos idosos.

Como age a restrição calórica?

Os cientistas ainda não sabem porque a restrição calórica atrasa as doenças relativas à idade e prolonga a vida útil de animais de laboratório. Neles, a restrição calórica afeta muitos processos que têm a ver com a regulação da taxa de envelhecimento, como inflamações, metabolismo do açúcar, manutenção de estruturas de proteínas, capacidade de fornecer energia para processos celulares e modificações no DNA. Outro processo que é afetado pela restrição calórica é o estresse oxidativo, que é a produção de subprodutos tóxicos do metabolismo do oxigênio que podem danificar células e tecidos.

No entanto, ainda não sabemos de todos os fatores que são responsáveis pelos efeitos da restrição calórica no envelhecimento e nem mesmo sabemos se outros fatores também contribuem. Mas, afora outros fatores, a máquina orgânica de produzir energia tem de trabalhar menos e, possivelmente, com menor desgaste.

Durante a restrição calórica, como durante o jejum, o corpo consome glicose e glicogênio enquanto existem, depois se volta para as reservas de gordura, que é liberada na forma de cetonas. Esses produtos químicos ajudam as células (especialmente as células cerebrais) a continuar seu trabalho com capacidade total. Os pesquisadores pensam que como as cetonas são uma fonte de energia mais eficiente que a glicose, elas podem proteger contra o declínio relacionado com o envelhecimento no sistema nervoso central. Além disso, as cetonas também podem inibir o desenvolvimento do câncer, porque as células malignas não conseguem obter energia das cetonas.

Estudos mostram que as cetonas também podem ajudar a proteger contra doenças inflamatórias e a reduzir o nível de insulina no sangue, o que poderia proteger contra o diabetes mellitus tipo 2, que geralmente acomete pessoas idosas. Mas, por outro lado, muitas cetonas no sangue podem ter também efeitos prejudiciais à saúde. Essa é uma das razões pelas quais os pesquisadores querem entender mais sobre como as dietas de restrição calórica funcionam, antes de recomendá-las.

Embora as dietas de restrição calórica sejam difíceis de manter, o estudo dos mecanismos de restrição calórica é muito importante.

Veja também sobre "Cálculo do IMC", "O perigo das dietas para emagrecer" e "Dieta mediterrânea".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do NIH – National Institute of Aging, da American Federation for Aging Research e do Jornal da USP -Universidade de São Paulo.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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