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Cetose: você sabe o que é?

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O que é cetose?

A fonte principal de energia do organismo é a glicose1, mas quando a glicose1 falta, o corpo lança mão2 das gorduras gerando a cetose, que é um estágio do catabolismo3 que ocorre quando o fígado4 usa os depósitos de gordura5 como fonte de energia, se não há mais glicogênios. A cetose acontece quando há a presença de corpos cetônicos no sangue6. O processo de cetose está na base das dietas que restringem a ingestão de carboidratos e priorizam a ingestão de lipídios e proteínas7. Ela não deve ser confundida com a cetoacidose diabética8, uma das complicações do diabetes9, em que o pH do sangue6 fica mais ácido, causando vários problemas e afetando os rins10, em primeiro lugar. Devido à grande diminuição de insulina11, há uma produção excessiva de corpos cetônicos.

Quais são as causas da cetose?

Os carboidratos, que geram a glicose1, são a primeira fonte de energia de uma pessoa. Quando a alimentação não supre o organismo com a quantidade necessária de carboidratos (pão, massas, cereais, açúcares, etc.) ele se vê obrigado a utilizar as gorduras como fonte de energia. A cetose foi popularizada pelas dietas sem carboidratos, mas pode também ser ocasionada por certas doenças como a dengue12 ou a diabetes13 não controlada. Pode também ocorrer em jejuns muito prolongados e por exercícios muito intensos ou de grande duração.

Quais são os principais sinais14 e sintomas15 da cetose?

Os sintomas15 da cetose não são apenas negativos. Quando o corpo se habitua a eles, muitas pessoas alegam sentirem-se melhor, no geral. Em algumas pessoas o primeiro sinal16 de cetose é uma mudança no odor da urina17 e do hálito. Os demais sintomas15 podem ser: enjoo, fraqueza, tremores, desidratação18, alteração de humor, dores de cabeça19, tontura20 e sonolência. Em geral esses sintomas15 começam levemente e se tornam menos pronunciados conforme a dieta vai avançando.

Como o médico “trata” a cetose?

Como a cetose não é uma doença, mas um estado fisiológico21, não é exatamente correto falar-se em tratamento. Algumas recomendações, contudo, podem ser úteis, no sentido de que a pessoa possa melhor conviver com a cetose. É importante consumir bastante água e, se possível, bebidas com eletrólitos22 (sem açúcar23), pois em cetose elimina-se muitos líquidos.

Como evolui a cetose?

Estar em cetose possui vários benefícios: causa uma perda rápida de gordura5, diminui a taxa de glicose sanguínea24, desaparece o desejo por doces, mantém a massa magra25 do corpo e, embora isso ainda não seja comprovado cientificamente, aumenta a fertilidade feminina.

Quem deseja adotar uma dieta cetogênica deve incluir no programa alimentar um suplemento de proteínas7.

Como prevenir a cetose?

A suplementação26 alimentar adequada desempenha um papel fundamental para evitar a cetose.

Durante a prática de exercícios ou atividades esportivas extenuantes deve ser fornecido carboidrato27 suficiente para que o organismo gere a energia necessária.

Quais são as complicações da cetose?

Em diabéticos, a dieta com alto teor de proteínas7 pode acelerar a progressão da doença renal28 diabética.

A dieta com alto teor de proteínas7 também não deve ser utilizada por alcoólatras porque pode dar origem a cetoacidose alcoólica.

ABCMED, 2014. Cetose: você sabe o que é?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/537544/cetose+voce+sabe+o+que+e.htm>. Acesso em: 21 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
2 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
3 Catabolismo: Parte do metabolismo que se refere à assimilação ou processamento da matéria adquirida para fins de obtenção de energia. Diz respeito às vias de degradação, ou seja, de quebra das substâncias. Parte sempre de moléculas grandes, que contêm quantidades importantes de energia (glicose, triclicerídeos, etc). Estas substâncias são transformadas de modo a que restem, no final, moléculas pequenas, pobres em energia ( H2O, CO2, NH3 ), aproveitando o organismo a libertação de energia resultante deste processo. É o contrário de anabolismo.
4 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
5 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
6 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
7 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
8 Cetoacidose diabética: Complicação aguda comum do diabetes melito, é caracterizada pela tríade de hiperglicemia, cetose e acidose. Laboratorialmente se caracteriza por pH arterial 250 mg/dl, com moderado grau de cetonemia e cetonúria. Esta condição pode ser precipitada principalmente por infecções, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, trauma e tratamento inadequado do diabetes. Os sinais clínicos da cetoacidose são náuseas, vômitos, dor epigástrica (no estômago), hálito cetônico e respiração rápida. O não-tratamento desta condição pode levar ao coma e à morte.
9 Complicações do diabetes: São os efeitos prejudiciais do diabetes no organismo, tais como: danos aos olhos, coração, vasos sangüíneos, sistema nervoso, dentes e gengivas, pés, pele e rins. Os estudos mostram que aqueles que mantêm os níveis de glicose do sangue, a pressão arterial e o colesterol próximos aos níveis normais podem ajudar a impedir ou postergar estes problemas.
10 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
11 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
12 Dengue: Infecção viral aguda transmitida para o ser humano através da picada do mosquito Aedes aegypti, freqüente em regiões de clima quente. Caracteriza-se por apresentar febre, cefaléia, dores musculares e articulares e uma erupção cutânea característica. Existe uma variedade de dengue que é potencialmente fatal, chamada dengue hemorrágica.
13 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
14 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
15 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
17 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
18 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
19 Cabeça:
20 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
21 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
22 Eletrólitos: Em eletricidade, é um condutor elétrico de natureza líquida ou sólida, no qual cargas são transportadas por meio de íons. Em química, é uma substância que dissolvida em água se torna condutora de corrente elétrica.
23 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
24 Glicose sanguínea: Também chamada de açúcar no sangue, é o principal açúcar encontrado no sangue e a principal fonte de energia para o organismo.
26 Suplementação: Que serve de suplemento para suprir o que falta, que completa ou amplia.
27 Carboidrato: Um dos três tipos de nutrientes dos alimentos, é um macronutriente. Os alimentos que possuem carboidratos são: amido, açúcar, frutas, vegetais e derivados do leite.
28 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.

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