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Incontinência urinária: o que é? Quais os tipos e as causas? Como são os sintomas? O que fazer para diagnosticar, tratar ou prevenir?

segunda-feira, 27 de maio de 2013
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Incontinência urinária: o que é? Quais os tipos e as causas? Como são os sintomas? O que fazer para diagnosticar, tratar ou prevenir?

O que é incontinência urinária?

Chama-se incontinência urinária à situação em que a pessoa perde urina involuntariamente, de forma contínua ou intermitente, espontânea ou por um esforço físico como rir, tossir, espirrar, etc. É mais frequente nas mulheres, em vista de que elas têm um assoalho pélvico menos resistente que os homens e que sofre maiores agressões, como as que ocorrem nos partos vaginais ou nas doenças ginecológicas, por exemplo. A incontinência urinária também é mais frequente nos idosos, que normalmente têm um enfraquecimento muscular mais acentuado e nas crianças pequenas que têm uma fisiologia pouco amadurecida.

Normalmente, à medida que a bexiga vai se enchendo de urina proveniente dos rins, receptores sensoriais no seu interior “percebem” o estiramento da sua parede e comandam ondas de contração dela, gerando a vontade de urinar, que o indivíduo normal consegue suportar por algum tempo. Assim que a bexiga tenha atingido a sua capacidade máxima (350 - 650 ml), os receptores do interior do músculo detrusor (músculo da parede da bexiga) emitem sinais ao cérebro para se iniciar a fase de esvaziamento da bexiga. Quando esse reflexo se torna suficientemente intenso, há um relaxamento do esfíncter uretral, sob comando voluntário, e então se dá a micção normal. Esse ato, apesar de aparentemente ser muito simples, envolve estruturas complexas do sistema nervoso central e periférico e do trato urinário. Há situações em que o indivíduo não consegue reter a urina coletada na bexiga e ela se excreta automática e involuntariamente. A isso se chama incontinência urinária.

Quais são os tipos de incontinência urinária?

Conforme as características clínicas, a incontinência urinária pode ser classificada como:

  • Incontinência urinária de urgência: contração vesical durante a fase de enchimento da bexiga. Chamada de instabilidade em pacientes sem diagnóstico neurológico e de hiperreflexia em pacientes com comprometimento neurológico.
  • Incontinência urinária de esforço: é a perda involuntária de urina que surge com aumentos da pressão intra-abdominal, causando problema social ou higiênico para as pessoas. Na incontinência urinária de esforço ocorre uma perda involuntária de urina quando a pressão vesical excede a pressão uretral, sem que o músculo detrusor tenha se contraído.
  • Incontinência urinária mista: quando se somam os sintomas das duas formas anteriores.

Quais são as causas da incontinência urinária?

As causas da incontinência urinária são múltiplas, mas há alguns fatores que aumentam a possibilidade disso ocorrer: em mulheres, parto vaginal que cause trauma neuromuscular ou estiramento ou compressão dos nervos pélvicos; deficiência estrogênica, que pode ser um fator que contribui para a incontinência urinária em mulheres na menopausa e, em todas as pessoas, tumores que afetem o trato urinário, quadros clínicos que aumentem a pressão intra-abdominal, procedimentos cirúrgicos ou irradiações que lesem o esfíncter uretral, tosse crônica ligada ao tabagismo, bexiga hiperativa ou obesidade.

Quais são os principais sinais e sintomas da incontinência urinária?

Os principais sinais e sintomas da incontinência urinária dependem das suas causas, mas todas têm como sinal comum a perda involuntária de urina, seguida de um grande desconforto, embaraço social, depressão e queda da autoestima. Em alguns casos essa perda se dá espontaneamente e em outras está ligada a esforços físicos simples e inevitáveis, como rir, tossir ou espirrar.

Como o médico diagnostica a incontinência urinária?

A primeira etapa do diagnóstico da incontinência urinária deve ser a tomada de uma anamnese criteriosa e um exame físico minucioso, feito pelo ginecologista ou pelo urologista. Nesse momento, o especialista poderá também avaliar alterações concomitantes, como por exemplo, a queda da bexiga, do útero, do reto e se há também perda involuntária de fezes ou gases. Será de grande utilidade se o paciente fizer um diário miccional em que anote informações sobre volume, horários e formas da perda de urina. Provavelmente, o médico começará por pedir um exame mais simples de urina (EAS e Urinocultura) e mais avançadamente lançará mão do exame urodinâmico, que o ajudará a analisar o tipo de incontinência urinária de cada paciente e a decidir sobre a terapêutica mais adequada para cada caso. Esse exame compreende a avaliação funcional da bexiga e uretra, estudando a fluxometria (medidas relativas ao fluxo urinário), cistometria (medidas relativas à pressão intravesical), fluxo/pressão, eletromiografia, perfil pressórico uretral e pressão de perda. Esse exame constitui-se, na atualidade, na abordagem diagnóstica mais segura da incontinência urinária.

Como o médico trata a incontinência urinária?

Durante muitos anos deu-se muita importância à cirurgia para o tratamento da incontinência urinária, mas com o passar do tempo voltou a se conceder valor às técnicas de tratamentos conservadores. É muito importante que haja uma abordagem multiprofissional dos pacientes e o diagnóstico seja seguro. Os resultados positivos das diversas técnicas dependem da boa avaliação do paciente e do tipo específico de incontinência que será tratada. Entre elas, destacam-se: a terapia comportamental, que visa ensinar um comportamento que foi perdido; a re-educação pélvico-perineal; contrações voluntárias destinadas a fortalecer os músculos do assoalho pélvico (exercícios de Kegel); uso do perineômetro (dispositivo pneumático usado para medir a pressão dentro da vagina); cones vaginais e eletroestimulação do assoalho pélvico.

Como prevenir ou minorar a incontinência urinária?

  • Procure evitar a prisão de ventre.
  • Deixe de fumar, se for o caso, para reduzir a tosse e a irritação da bexiga.
  • Evite o álcool e bebidas cafeinadas, que podem super estimular a bexiga.
  • Em caso de obesidade, procure perder peso.
  • Evite comidas picantes, bebidas gaseificadas, frutas e sucos cítricos que possam irritar a bexiga.
  • Se for diabético, mantenha o açúcar do sangue sob controle.
  • Faça exercícios apropriados para fortalecer o assoalho da pelve durante a gravidez e logo após o parto.

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da The British Association of Urological Surgeons (BAUS), da European Association of Urology e da Urology Care Foundation da American Urological Association.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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