Gostou do artigo? Compartilhe!

Suor noturno

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é suor noturno?

O suor noturno ou sudorese1 noturna é o fato de a pessoa suar excessivamente durante o sono noturno. Isso pode ser um processo natural do corpo para regular sua temperatura interna, especialmente durante as épocas mais quentes do ano. No entanto, se o suor noturno acontece mesmo em dias frescos, pode indicar a existência de alguma doença.

Os suores noturnos, por si mesmos, não são uma doença ou condição médica e sim, quase sempre, um sintoma2 de algo subjacente. Embora o suor seja uma forma que o organismo tem de regular a temperatura corporal, os suores noturnos são definidos como uma sudorese1 maior do que a necessária para essa finalidade.

Quais são as causas do suor noturno?

O suor excessivo durante a noite pode não ser sinal3 de doença e dever-se a fatores ambientais (excesso de cobertas, temperatura elevada do cômodo, pijamas muito quentes, etc.) ou a condições fisiológicas4 especiais do organismo, como a menopausa5, por exemplo.

Em alguns casos, contudo, ele está ligado a doenças, como a hiperidrose6, a tuberculose7 ou outras infecções8. Outras causas, ainda, podem ser ansiedade, abscessos9, abstinência de psicoativos, HIV10, leucemia11, hipertireoidismo12, efeitos colaterais13 de medicação, hipoglicemia14, distúrbios hormonais e outras mais.

Leia sobre "Curiosidades sobre a temperatura do corpo", "Mau cheiro nas axilas ou no corpo" e "Simpatectomia".

Quais são as características clínicas do suor noturno?

Os suores noturnos podem reduzir a qualidade do sono e provocar sérios desconfortos. Frequentemente eles obrigam a uma troca das próprias vestes ou da roupa de cama no meio da noite. No entanto, na maioria dos casos, não são um sintoma2 grave.

Mesmo intensos o bastante para encharcar as roupas de dormir ou roupas de cama, podem não ser causados por uma condição ou doença subjacente e obedecerem apenas a motivações ambientais. Nesses casos, eles não são acompanhados de outros sintomas15, embora em si mesmos já constituam uma experiência muito desconfortável para a maioria das pessoas.

Outras vezes, os suores noturnos ocorrem acompanhados de outros sintomas15, como febre16, perda de peso, dor em uma área específica, tosse ou diarreia17.

As condições mais comuns de suores noturnos ligados a alguma condição médica subjacente e suas respectivas soluções são:

  1. As ondas de calor e suores noturnos causados pela menopausa5. Além de mudanças ambientais, como dormir em quartos mais frescos e evitar álcool, o médico pode prescrever uma terapia hormonal para reduzir o número de ondas de calor e aliviar outros sintomas15.
  2. As infecções8 de várias naturezas, que podem ser tratadas com antibióticos, medicamentos antivirais ou outros medicamentos.
  3. Alguns cânceres, que podem ser tratados com uma combinação de medicamentos quimioterápicos, cirurgia e/ou outros tratamentos.
  4. A ansiedade, que pode ser tratada com medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos e/ou psicoterapia.
  5. O hipertireoidismo12, que pode ser tratado com medicamentos, terapia com radio18 iodo ou, às vezes, cirurgia.
  6. Sudorese1 noturna consequente a medicamentos, na qual o médico pode ajustar as dosagens ou recomendar um medicamento alternativo.
  7. Sudorese1 devida ao consumo de álcool, cafeína ou uso de drogas, em que o consumo dessas substâncias deve ser limitado ou, preferentemente, abolido.
  8. Hiperidrose6 idiopática19, uma condição na qual o corpo produz cronicamente muito suor sem qualquer causa médica identificável.

Como gerenciar ou tratar o suor noturno?

Para tratar os suores noturnos, o médico primeiramente tomará medidas para identificar e abordar sua causa subjacente, se houver. O plano de tratamento dependerá desse diagnóstico20 específico e variará para cada paciente. Alguns métodos de tratamento potenciais incluem modificações no ambiente e no comportamento, terapia cognitivo21-comportamental e medicação.

As mudanças no ambiente podem envolver:

  • dormir em um quarto mais frio;
  • usar roupas de cama mais leves;
  • obter um melhor colchão para respirabilidade e lençóis de resfriamento;
  • vestir roupas respiráveis, leves e folgadas, feitas com materiais arejados.

É conveniente evitar cafeína, álcool e alimentos picantes, coisas que podem causar picos de temperatura corporal e induzir a transpiração22. Beber água fria antes de ir para a cama ajuda algumas pessoas com suores noturnos a alcançar uma temperatura mais agradável.

Algumas pesquisas identificaram uma correlação entre maior peso corporal e suores noturnos, pelo que é conveniente manter um peso saudável. Técnicas de relaxamento ajudam a pessoa a ficar mais à vontade e torna mais fácil adormecer. Técnicas de respiração controlada também podem ajudar a reduzir ondas de calor.

Estudos constataram que a Terapia cognitivo21-comportamental (TCC) para ondas de calor e suores noturnos pode reduzir sua frequência e melhorar o humor e a qualidade de vida em mulheres na menopausa5. Além disso, a TCC tem uma história de sucessos em melhorar a qualidade do sono.

Se houver uma condição médica subjacente, como uma infecção23 ou desarranjo hormonal, por exemplo, ela deve ser convenientemente tratada e os suores noturnos geralmente cessam assim que a condição seja curada. Para mulheres na menopausa5, os medicamentos podem ser considerados se os tratamentos comportamentais não funcionarem.

Veja também sobre "Desodorantes, antitranspirantes e antiperspirantes", "Importância do suor para o organismo" e "Hipertermia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NHS – National Health Service e da Mayo Clinic.

ABCMED, 2022. Suor noturno. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1417090/suor+noturno.htm>. Acesso em: 15 ago. 2022.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sudorese: Suor excessivo
2 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
4 Fisiológicas: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
5 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
6 Hiperidrose: Excesso de suor, que costuma acometer axilas, palmas das mãos e plantas dos pés.
7 Tuberculose: Doença infecciosa crônica produzida pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Produz doença pulmonar, podendo disseminar-se para qualquer outro órgão. Os sintomas de tuberculose pulmonar consistem em febre, tosse, expectoração, hemoptise, acompanhada de perda de peso e queda do estado geral. Em países em desenvolvimento (como o Brasil) aconselha-se a vacinação com uma cepa atenuada desta bactéria (vacina BCG).
8 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
9 Abscessos: Acumulação de pus em uma cavidade formada acidentalmente nos tecidos orgânicos, ou mesmo em órgão cavitário, em consequência de inflamação seguida de infecção.
10 HIV: Abreviatura em inglês do vírus da imunodeficiência humana. É o agente causador da AIDS.
11 Leucemia: Doença maligna caracterizada pela proliferação anormal de elementos celulares que originam os glóbulos brancos (leucócitos). Como resultado, produz-se a substituição do tecido normal por células cancerosas, com conseqüente diminuição da capacidade imunológica, anemia, distúrbios da função plaquetária, etc.
12 Hipertireoidismo: Doença caracterizada por um aumento anormal da atividade dos hormônios tireoidianos. Pode ser produzido pela administração externa de hormônios tireoidianos (hipertireoidismo iatrogênico) ou pelo aumento de uma produção destes nas glândulas tireóideas. Seus sintomas, entre outros, são taquicardia, tremores finos, perda de peso, hiperatividade, exoftalmia.
13 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
14 Hipoglicemia: Condição que ocorre quando há uma queda excessiva nos níveis de glicose, freqüentemente abaixo de 70 mg/dL, com aparecimento rápido de sintomas. Os sinais de hipoglicemia são: fome, fadiga, tremores, tontura, taquicardia, sudorese, palidez, pele fria e úmida, visão turva e confusão mental. Se não for tratada, pode levar ao coma. É tratada com o consumo de alimentos ricos em carboidratos como pastilhas ou sucos com glicose. Pode também ser tratada com uma injeção de glucagon caso a pessoa esteja inconsciente ou incapaz de engolir. Também chamada de reação à insulina.
15 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
17 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
18 Rádio:
19 Idiopática: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
20 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
21 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
22 Transpiração: 1. Ato ou efeito de transpirar. 2. Em fisiologia, é a eliminação do suor pelas glândulas sudoríparas da pele; sudação. Ou o fluido segregado pelas glândulas sudoríparas; suor. 3. Em botânica, é a perda de água por evaporação que ocorre na superfície de uma planta, principalmente através dos estômatos, mas também pelas lenticelas e, diretamente, pelas células epidérmicas.
23 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Clínica Médica?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.