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Eritema pigmentar fixo - conheça essa reação a medicamentos

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O que é eritema1 pigmentar fixo?

eritema1 pigmentar fixo é um tipo de farmacodermia (reação cutânea2 a medicamentos), que ocorre dentro de minutos ou horas após o indivíduo ter sido exposto ao agente causador. O termo “erupção fixa por drogas”, introduzido na clínica médica em 1894, descrevia a condição correspondente ao atualmente chamado eritema1 pigmentar fixo.

Quais são as causas do eritema1 pigmentar fixo?

O eritema1 pigmentar fixo por medicamento ocorre devido a medicamentos orais, sendo os antimicrobianos e os anti-inflamatórios não esteroidais os “culpados” mais comuns. Menos comumente a reação se dá ante medicamentos tópicos ou intravaginais.

Erupções alimentares fixas podem ser causadas também por antibióticos, agentes aromatizantes, corantes ou conservantes adicionados aos alimentos. Suplementos de ervas também têm sido implicados.

Qual é o substrato fisiológico3 do eritema1 pigmentar fixo?

A erupção4 fixa por medicamento é uma reação de hipersensibilidade tardia. Na fase inicial, as células5 T, quando ativadas pelos antígenos6 do medicamento, liberam interferon-gama7, causando danos à camada basal da epiderme8, danificando os melanócitos9 e os queratinócitos10 (células5 produtoras de queratina).

Numa fase posterior, os macrófagos11 dérmicos coletam a melanina12, resultando na hiperpigmentação pós-inflamatória típica. Os queratinócitos10 basais em regeneração liberam interleucina, que leva à formação de células5, as quais permanecem quiescentes, mas em um estado preparado para reagir ao antígeno13 químico, quando a medicação é tomada novamente.

Veja mais sobre "Alergia14 alimentar", "Alergia14 às proteínas15 do leite de vaca", "Alergia14 ao amendoim" e "Testes alérgicos".

Quais são as características clínicas do eritema1 pigmentar fixo?

As lesões16 eritematosas17 ocorrem dentro de minutos ou horas no mesmo local do corpo de lesões16 anteriores se a pessoa volta a tomar o medicamento causador que já tenha sido utilizado previamente. O eritema1 pigmentar fixo é uma das mais comuns e exuberantes erupções por drogas. Ele se inicia com manchas arredondadas ou ovais, únicas ou múltiplas, de bordos bem definidos, pruriginosas18 ou não pruriginosas18 (eventualmente com sensação de queimação), predominantemente na face19, no pescoço20, nas extremidades e na genitália21, de distribuição assimétrica.

Ao longo dos dias, o edema22 e o eritema1 diminuirão dentro da lesão23, deixando uma hiperpigmentação macular com contornos nitidamente demarcados. Se a medicação causadora for tomada novamente, ela causará lesões16 precisamente no mesmo local que na vez anterior e também lesões16 em novos locais.

As lesões16 podem ocorrer também sob a forma de bolhas e, além do eritema1 pigmentar fixo clássico, há também o eritema1 bolhoso generalizado, extenso, bilateral, simétrico e não pigmentado.

Como o médico diagnostica o eritema1 pigmentar fixo?

O diagnóstico24 é clínico, baseado nos achados clássicos do exame. Em casos incomuns, que levantem alguma dúvida, como eritemas25 não pigmentados ou generalizados, o exame histopatológico ajudará a firmar o diagnóstico24, já que os achados histopatológicos são bastante típicos. Se houver dúvidas quanto ao agente agressor, podem ser realizados testes de provocação tópica ou oral para identificação dele.

O diagnóstico24 diferencial deve ser feito com o eritema1 discrômico perstans, o eritema1 não pigmentar, o eritema1 bolhoso generalizado, o eczema26 numular, a pitiríase rotunda e outras doenças bolhosas.

Fique atento: "Os perigos da automedicação27" e "Posso beber tomando remédios?"

Como o médico trata o eritema1 pigmentar fixo?

O tratamento implica na imediata descontinuação da medicação suspeita de causar a condição e na evitação de usá-la novamente. Na tentativa de aliviar os sintomas28 podem ser usados esteroides tópicos ou corticosteroides sistêmicos29. A erupção4 bolhosa generalizada de drogas requer cuidados intensivos, às vezes em unidade de queimados.

Como evolui o eritema1 pigmentar fixo?

A erupção4 do eritema1 pigmentar fixo por medicamento é benigna e com resolução espontânea, desde que o agente agressor seja afastado. No entanto, ela pode recorrer se houver reexposição a esse agente. Em geral, as lesões16 deixam uma hiperpigmentação pós-inflamatória. As erupções subsequentes, caso existam, podem ser mais graves que as anteriores.

Quais são as complicações possíveis com o eritema1 pigmentar fixo?

As complicações mais comuns do eritema1 pigmentar fixo são a formação de bolhas e erosões, a hiperpigmentação pós-inflamatória, a possibilidade de recorrência30 e a reação cruzada com outros medicamentos.

O eritema1 pigmentar fixo por drogas pode ainda ser complicado pela perda de fluido, desequilíbrio eletrolítico e infecção31 secundária.

Leia também sobre "Dermografismo", "Urticária32", "Farmacodermia" e "Síndrome de Stevens-Johnson33".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Secção RS e dos Anais Brasileiros de Dermatologia.

ABCMED, 2021. Eritema pigmentar fixo - conheça essa reação a medicamentos. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1398710/eritema-pigmentar-fixo-conheca-essa-reacao-a-medicamentos.htm>. Acesso em: 17 out. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Eritema: Vermelhidão da pele, difusa ou salpicada, que desaparece à pressão.
2 Cutânea: Que diz respeito à pele, à cútis.
3 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
4 Erupção: 1. Ato, processo ou efeito de irromper. 2. Aumento rápido do brilho de uma estrela ou de pequena região da atmosfera solar. 3. Aparecimento de lesões de natureza inflamatória ou infecciosa, geralmente múltiplas, na pele e mucosas, provocadas por vírus, bactérias, intoxicações, etc. 4. Emissão de materiais magmáticos por um vulcão (lava, cinzas etc.).
5 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
6 Antígenos: 1. Partículas ou moléculas capazes de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substâncias que, introduzidas no organismo, provocam a formação de anticorpo.
7 Interferon-gama: Interferons (IFNs) são gicoproteínas naturais de sinalização celular que pertencem à classe das citocinas. Eles participam do controle e da replicação celular e são modificadores da resposta imunológica, com efeitos antiviral, antiproliferativo e imunomodulador. Os IFNs podem ser divididos em 3 grupos distintos. O tipo I inclui o IFN-α (alfa) e o β (beta), produzidos por células epiteliais e fibroblastos, contribuem para a primeira linha de defesa antiviral.
8 Epiderme: Camada superior ou externa das duas camadas principais da pele.
9 Melanócitos: Células da pele que produzem o pigmento melanina.
10 Queratinócitos: Queratinócitos ou ceratinócitos são células diferenciadas do tecido epitelial (pele) e invaginações da epiderme para a derme (como os cabelos e unhas) de animais terrestres responsáveis pela síntese da queratina.
11 Macrófagos: É uma célula grande, derivada do monócito do sangue. Ela tem a função de englobar e destruir, por fagocitose, corpos estranhos e volumosos.
12 Melanina: Cada uma das diversas proteínas de cor marrom ou preta, encontrada como pigmento em vegetais e animais.
13 Antígeno: 1. Partícula ou molécula capaz de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substância que, introduzida no organismo, provoca a formação de anticorpo.
14 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
15 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
16 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
17 Eritematosas: Relativas a ou próprias de eritema. Que apresentam eritema. Eritema é uma vermelhidão da pele, devido à vasodilatação dos capilares cutâneos.
18 Pruriginosas: Relativas a ou próprias de prurido, que coçam, que causam coceira ou comichão. Em medicina, é o que produz prurido; prurientes, prurígenas.
19 Face: Parte anterior da cabeça que inclui a pele, os músculos e as estruturas da fronte, olhos, nariz, boca, bochechas e mandíbula.
20 Pescoço:
21 Genitália: Órgãos externos e internos relacionados com a reprodução. Sinônimos: Órgãos Sexuais Acessórios; Órgãos Genitais; Órgãos Acessórios Sexuais
22 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
23 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
24 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
25 Eritemas: Vermelhidões da pele, difusas ou salpicadas, que desaparecem à pressão.
26 Eczema: Afecção alérgica da pele, ela pode ser aguda ou crônica, caracterizada por uma reação inflamatória com formação de vesículas, desenvolvimento de escamas e prurido.
27 Automedicação: Automedicação é a prática de tomar remédios sem a prescrição, orientação e supervisão médicas.
28 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
29 Sistêmicos: 1. Relativo a sistema ou a sistemática. 2. Relativo à visão conspectiva, estrutural de um sistema; que se refere ou segue um sistema em seu conjunto. 3. Disposto de modo ordenado, metódico, coerente. 4. Em medicina, é o que envolve o organismo como um todo ou em grande parte.
30 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
31 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
32 Urticária: Reação alérgica manifestada na pele como elevações pruriginosas, acompanhadas de vermelhidão da mesma. Pode afetar uma parte ou a totalidade da pele. Em geral é autolimitada e cede em pouco tempo, podendo apresentar períodos de melhora e piora ao longo de vários dias.
33 Síndrome de Stevens-Johnson: Forma grave, às vezes fatal, de eritema bolhoso, que acomete a pele e as mucosas oral, genital, anal e ocular. O início é geralmente abrupto, com febre, mal-estar, dores musculares e artralgia. Pode evoluir para um quadro toxêmico com alterações do sistema gastrointestinal, sistema nervoso central, rins e coração (arritmias e pericardite). O prognóstico torna-se grave principalmente em pessoas idosas e quando ocorre infecção secundária. Pode ser desencadeado por: sulfas, analgésicos, barbitúricos, hidantoínas, penicilinas, infecções virais e bacterianas.
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