AbcMed

Criptococose - definição, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

Wednesday, September 25, 2019
Avalie este artigo
Criptococose - definição, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

O que é criptococose?

A criptococose é uma infecção por fungos, classificada como micose sistêmica que, dependendo do caso, pode matar. Essa é a única levedura encapsulada que causa doenças.

Quais são as causas da criptococose?

A criptococose é adquirida por inalação de solo contaminado com a levedura do Cryptococcus neoformans ou Cryptococcus gattii. O principal reservatório desses fungos é matéria orgânica morta presente no solo, em frutas secas, cereais e nas árvores. A infecção também pode ser contraída pelo contato direto com um indivíduo infectado.

O Cryptococcus sempre esteve presente em todo o mundo, mas a infecção era relativamente rara até começar a epidemia da AIDS. A partir daí, a criptococose tornou-se a infecção fúngica mais comum em pessoas com a baixa imunidade causada pela AIDS. Ela pode ocorrer mesmo em pessoas com a imunidade reduzida por outras causas, que têm maior risco de contrair infecções em geral.

Contudo, a criptococose causada por Cryptococcus gattii pode se desenvolver mesmo em pessoas com um sistema imunológico sem alterações.

Saiba mais sobre "Fungos", "AIDS", "Como evitar micoses" e "Micoses superficiais".

Quais são as características fisiológicas da criptococose?

A infecção pelos agentes etiológicos da criptococose se dá, na maioria dos casos, através da inalação de esporos dos fungos. Após a infecção, o Cryptococcus neoformans pode se disseminar através da circulação sanguínea ou linfática. A partir daí, a patogenia causada pelo fungo vai depender de fatores divididos em dois grupos:

(1) relacionado com as características do estabelecimento da infecção e capacitação de sobrevivência no hospedeiro

(2) relacionado a fatores de virulência do Cryptococcus

 O fungo possui um tropismo pelo sistema nervoso central, normalmente causando uma meningite criptocócica, quando há, concomitantemente, uma queda da imunidade celular. Outros tecidos podem ser afetados, sendo que a resposta tecidual varia muito.

Nas pessoas imunodeprimidas, há o crescimento de massas de consistência gelatinosa nos tecidos. Quando há uma imunodepressão grave, a infecção se espalha para a pele, órgãos parenquimatosos e ossos. Já nos indivíduos imunocompetentes ou com doença crônica, acontece uma reação granulomatosa.

Quais são as principais características clínicas da criptococose?

Dependendo do local onde se encontra a infecção, da intensidade dela, do estado imunológico do paciente e do subtipo do fungo em questão, as pessoas podem não ter sintomas ou tê-los de maneira tão intensa que leve à morte.

Como a infecção geralmente ocorre quando as pessoas inalam os esporos do fungo, a criptococose normalmente afeta os pulmões em primeiro lugar e a partir deles se dissemina comumente para o cérebro e meninges, resultando em meningite.

Ela também pode se disseminar para a pele e outros tecidos, como os ossos, as articulações, o baço, os rins e a próstata, onde não causam sintomas ou apenas sintomatologia pobre.

Os sintomas variam dependendo de onde a infecção se encontra, mas pode-se descrever três tipos principais deles:

  1. A infecção pulmonar pode não gerar sintomas ou, em algumas pessoas, gerar tosse e/ou tórax dolorido. Se a infecção for grave, pode ocorrer dificuldade respiratória
  2. A meningite pode causar dor de cabeça, visão turva, depressão, agitação, confusão mental e infecção cutânea
  3. A erupção cutânea consiste de caroços ou ulcerações abertas

A infecção pulmonar raramente é perigosa, mas a meningite traz risco à vida.

Como o médico diagnostica a criptococose?

O diagnóstico da criptococose depende dos sintomas e da demonstração da presença do Cyptococcus neoformans em fluidos ou tecidos corporais colhidos para cultura (sangue, pus, urina, líquor). O diagnóstico da criptococose, portanto, é clínico e laboratorial. Como exame complementar, a tomografia computadorizada, a ressonância magnética ou a radiografia de tórax podem demonstrar danos pulmonares, presença de massa única ou nódulos múltiplos distintos. O sangue e o líquor também podem ser examinados para detectar certas substâncias liberadas pelo Cryptococcus.

Como o médico trata a criptococose?

Se a infecção afetar apenas uma pequena parte do pulmão e não causar sintomas, nenhum tratamento é necessário. Entretanto, alguns médicos preferem tratar sempre a criptococose, qualquer que seja seu grau de gravidade.

A terapêutica deve ser feita com medicamentos antifúngicos e dependerá da forma clínica de cada paciente, podendo ser feita por via oral ou por via intravenosa, se a infecção for grave. As medicações usadas para tratar a criptococose podem ter efeitos colaterais sérios, por isso é importante que seu uso seja monitorado com cuidado pelo médico.

Indivíduos com sistema imunológico comprometido ou sob terapia imunossupressora devem receber tratamento medicamentoso prolongado para evitar recaídas.

Como prevenir a criptococose?

Não existem medidas preventivas específicas para a criptococose. Entretanto, recomenda-se a utilização de equipamento de proteção individual, sobretudo de máscaras, na limpeza de galpões onde há criação de aves ou aglomerado de pombos. Medidas de controle populacional de pombos podem e devem ser implementadas, como, por exemplo, reduzir a disponibilidade de alimento, água e, principalmente, abrigos para as aves.

Os locais com acúmulo de fezes desses animais devem ser higienizados com água e cloro para que os fungos possam ser removidos com segurança. Outra questão importante é inclinar superfícies, durante as construções, para evitar o pouso dos pombos. 

Leia sobre "Micoses", "Micoses de unha" e "Meningites".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do Ministério da Saúde, da National Organization of Rare Diseases e do Manual MSD para Profissionais de Saúde.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários