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Desinfecção e esterilização

Friday, September 9, 2022
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Desinfecção e esterilização

O que é desinfecção e esterilização?

Um primeiro grau de remoção de sujeira é a limpeza ou higienização. Ela deve remover os resíduos que conseguimos enxergar, diminuindo a carga microbiana do local. Na maioria das vezes, ela é feita com água e sabão e garante maior eficiência aos processos seguintes de desinfecção e esterilização, pois retira crostas e manchas e uns poucos microrganismos, mas permite a persistência de muito deles.

A desinfecção é o processo que fica entre a higienização e a esterilização e é um método capaz de eliminar uma grande parcela dos microrganismos causadores de doenças presentes nos objetos e superfícies, com exceção dos esporos bacterianos. Esse método garante a proteção do ambiente, evitando a proliferação descontrolada de germes e microrganismos impregnados no local. O principal objetivo dessa técnica é destruir as formas microbianas que são patogênicas ao homem.

Conforme a substância utilizada, a desinfecção pode ser classificada em:

  1. Baixo nível, em que são destruídos alguns vírus, bactérias em forma vegetativa e fungos, mas esporos bacterianos e vírus como o vírus da hepatite B e da tuberculose, por exemplo, conseguem sobreviver.
  2. Médio nível, que consegue destruir tudo o que o baixo nível consegue, mais os vírus da hepatite B e da tuberculose. No entanto, vírus lentos e esporos bacterianos conseguem sobreviver.
  3. Alto nível, em que são destruídos vírus, fungos, bactérias e alguns esporos. Vírus lentos e alguns tipos de esporos conseguem resistir à desinfecção.

A esterilização é o método capaz de destruir todas as formas de vida microbianas, tais como bactérias, fungos, vírus e esporos, utilizando (1) agentes químicos, (2) agentes físicos e (3) agentes físico-químicos, de acordo com a natureza de cada material a ser esterilizado.

Os meios químicos mais utilizados se valem dos aldeídos e ácido peracético, utilizados no reprocessamento de dialisadores e endoscópios; os meios físicos são autoclaves, estufas, pasteurizadoras, radiação ultravioleta, raios Gama e flambagem; já meios físico-químicos são esterilizadoras a óxido de etileno e plasma de peróxido de hidrogênio.

De acordo com sua utilização direta ou indireta no paciente, os materiais a serem esterilizados podem ser classificados em três categorias:

  1. Críticos: aqueles que entram em contato com tecidos cruentos da pessoa. Esses materiais devem ser rigorosamente esterilizados ou serem de uso único e descartáveis.
  2. Semicríticos: entram em contato com mucosas. Devem sofrer esterilização ou, no mínimo, desinfecção.
  3. Não críticos: só entram em contato com a pele íntegra. Devem ser desinfetados ou, no mínimo, limpos.
Leia sobre "A resistência aos antibióticos e as superbactérias" e "Usos e abusos dos antibióticos".

Quais são os métodos usados para desinfecção e esterilização?

A desinfecção é feita com produtos químicos chamados desinfetantes. Muitos desinfetantes são usados ​​sozinhos ou em combinações entre eles. Eles incluem:

  • álcoois;
  • cloro e seus compostos;
  • formaldeído;
  • peróxido de hidrogênio;
  • iodóforos;
  • ácido peracético;
  • fenólicos;
  • compostos de amônio quaternário;
  • e outros.

Em geral, os materiais devem permanecer imersos nas soluções desses produtos por um longo tempo. Na maioria dos casos, um produto determinado é projetado para uma finalidade específica e deve ser usado de uma maneira determinada. Portanto, os usuários devem ler os rótulos cuidadosamente para garantir que o produto correto seja escolhido e usado da maneira adequada para o efeito pretendido.

Como a exposição a alguns desinfetantes podem ocasionar doenças ocupacionais entre o pessoal de limpeza, precauções especiais devem ser usadas para minimizar a exposição, como, por exemplo, uso de luvas e outras vestes apropriadas e ventilação adequada.

A esterilização, muito mais eficiente e completa para eliminar microrganismos, pode ser realizada por diferentes métodos. Em geral, esses métodos são empregados para higienizar materiais de uso médico. A maioria dos dispositivos médicos e cirúrgicos usados ​​em estabelecimentos de saúde são feitos de materiais estáveis ​​ao calor e podem preferencialmente ser submetidos à esterilização pelo calor, principalmente vapor.

No entanto, desde 1950, houve um aumento de dispositivos e instrumentos médicos feitos de materiais que requerem esterilização a baixas temperaturas como os plásticos, por exemplo. Produtos químicos especiais têm sido usados desde a década de 1950 para dispositivos médicos sensíveis ao calor e à umidade. Nos últimos 15 anos, vários novos sistemas de esterilização de baixa temperatura foram desenvolvidos e estão sendo usados ​​para esterilizar dispositivos médicos.

Quando se deve recomendar a desinfecção e esterilização?

A desinfecção é recomendada em ambientes e objetos nos quais ocorre maior acúmulo de bactérias, como vasos sanitários, pias de cozinha, toalhas de banho, lençóis, dentre outros, em residências, hotéis e restaurantes. No âmbito da medicina, ela deve ser restringida a áreas da pele que receberão intervenções simples, como aplicações de injeções ou coleta de sangue para exames, por exemplo, e para limpeza dos hospitais e mesmo para a higienização simples de alguns materiais e equipamentos.

A esterilização é recomendada para ambientes que precisam ser totalmente livres de vírus, germes e bactérias, como hospitais (especialmente Centros Cirúrgicos) e cozinhas industriais. Também é indicado fazer a esterilização de itens de uso pessoal como tesouras e alicates de unhas, bem como itens para bebês como mamadeiras e chupetas, por exemplo.

Uma alternativa para esterilizar pequenos objetos é a utilização de álcool 70%. Quando aplicado múltiplas vezes sobre uma superfície, o álcool pode eliminar todos os microrganismos ali presentes. Diz-se que o processo de esterilização foi eficaz quando a probabilidade de sobrevivência dos microrganismos for menor do que 1:1.000.000.

Veja também sobre "Doenças transmitidas pelo beijo", "Infecções oportunistas" e "IgG e IgM - O que saber a respeito".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do CDC - Centers for Disease Control and Prevention e da FDA - Food and Drug Administration.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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