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Doenças das veias

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O que é o sistema venoso1?

O sistema venoso1, constituído pelas veias2, conduz o sangue3 com gás carbônico da periferia do corpo para o lado direito do coração4, de onde ele é enviado aos pulmões5 para ser oxigenado e, posteriormente, encaminhado ao lado esquerdo do coração4, a partir de onde inicia o sistema arterial6, mandando sangue3 com oxigênio para as periferias.

As veias2 são ditas (1) superficiais, (2) profundas e (3) conectantes ou perfurantes. As veias2 superficiais estão localizadas na camada gordurosa sob a pele7. Suas paredes são constituídas por três camadas. A camada interna, chamada íntima, pode conter válvulas unidirecionais que permitem ao sangue3 fluir para a frente, mas impede o refluxo dele. No entanto, sem um músculo próximo para comprimir as veias2, elas tendem a mover o sangue3 mais lentamente do que as veias2 profundas.

Estas veias2 profundas são comprimidas por músculos8 próximos que, como uma bomba, fazem o sangue3 se mover para a frente. Elas têm um maior número de válvulas unidirecionais que impedem o sangue3 de fluir para trás.

Um sistema de veias2 ditas conectantes ou perfurantes direciona o sangue3 das veias2 superficiais para as veias2 profundas. As válvulas unidirecionais dessas veias2 permitem que o sangue3 flua nesse sentido específico, mas não ao contrário.

Saiba mais sobre "Varizes9", "Prevenção de varizes9", "Cirurgia de varizes9" e "Escleroterapia10".

O que são doenças das veias2?

As doenças das veias2 são condições anômalas que afetam a estrutura ou funcionamento das veias2 e se dividem em duas grandes categorias:

  1. Doenças de bloqueio (parcial ou total) da circulação11 por um coágulo12 sanguíneo (trombose13).
  2. Doenças de drenagem14 venosa inadequada (insuficiência15 venosa).

Doenças de bloqueio da circulação11

As pernas são o local mais comum para a formação de coágulos sanguíneos (trombos16) que bloqueiam o sistema venoso1. Hoje, as causas mais comuns de coágulos sanguíneos incluem uma tendência hereditária de coagulação17 sanguínea, imobilidade prolongada, câncer18, gravidez19 e uso de contraceptivos. Coágulos sanguíneos tanto podem se desenvolver nas veias2 superficiais como nas profundas.

(a) Nas veias2 superficiais da pele7, um coágulo12 sanguíneo aparece como uma linha vermelha ao longo da veia afetada e é frequentemente acompanhado por inflamação20 (tromboflebite21 superficial). A veia pode ficar quente, sensível e inchada. Essa combinação de coágulo12 e inflamação20 comumente ocorre no cenário de veias2 varicosas.

A tromboflebite21 superficial é tipicamente mais irritante do que perigosa porque a probabilidade de o coágulo12 se romper e ser transportado para o pulmão22 é muito baixa. Os médicos comumente tratam os sintomas23 com elevação da perna, calor úmido e medicamentos anti-inflamatórios não-esteroidais. Raramente, os coágulos sanguíneos com sintomas23 persistentes serão tratados com um ciclo curto de medicação anticoagulante24.

(b) Os coágulos de sangue3 nas veias2 profundas das pernas (trombose venosa profunda25) são mais difíceis de diagnosticar porque os sintomas23 nem sempre estão presentes. Quando presentes, os pacientes podem se queixar de dor ao andar, inchaço26 nas pernas, pressão das pernas ou sensação de plenitude da perna.

As tromboses27 venosas profundas são classificadas como primárias ou secundárias. As tromboses27 venosas profundas primárias ocorrem na ausência de uma causa óbvia e geralmente são causadas por uma tendência hereditária à coagulação17. As tromboses27 venosas profundas secundárias ocorrem como resultado de um evento específico, como imobilização após cirurgia, trauma ou câncer18.

Normalmente, quando um coágulo12 se forma, o sangue3 é bloqueado em seu retorno ao coração4. Veias2 colaterais menores podem fazer o sangue3 retornar de volta ao coração4, mas não tão eficientemente quanto a veia central obstruída. Esta obstrução aumenta a pressão dentro da veia e também o vazamento de líquido para o exterior do vaso, resultando em inchaço26 nas pernas. O próprio coágulo12 pode causar inflamação20, com calor, vermelhidão e sensibilidade aumentada.

Durante o exame, o médico pode notar inchaço26, repleção dos músculos8 afetados ou detectar o cordão de sangue3 coagulado no interior do vaso. Sem tratamento, até um quarto de todas as tromboses27 venosas profundas nas pernas podem fazer o coágulo12 ou um pedaço dele se soltar e percorrer as veias2 até se alojar nos pulmões5, quando pode causar uma embolia28 pulmonar.

Leia sobre "Pílulas anticoncepcionais", "Flebite29", "Trombose venosa profunda25" e "Embolia28 pulmonar".

Doenças de drenagem14 venosa inadequada

A insuficiência15 venosa, resultante de uma repleção sanguínea ou de uma anormalidade hereditária da parede da veia, pode ser classificada de forma semelhante à trombose13, em superficial (varizes9) e profunda (insuficiência15 venosa crônica).

(a) As varizes9 são segmentos de veias2 dilatadas, localizadas logo abaixo da pele7. Elas são mais comuns em mulheres e metade dos pacientes com varizes9 tem história familiar. Na ausência de um coágulo12 sanguíneo, o mais provável é que tenha ocorrido uma anormalidade estrutural na parede ou nas válvulas da veia, permitindo o refluxo do sangue3 e o aumento da pressão dentro do vaso.

Embora a maioria dos pacientes se preocupe com a má aparência estética das varizes9, eles também podem apresentar sintomas23 de queimação, dor ou coceira. Os sintomas23 tendem a ser menos graves de manhã e pioram durante o dia com a postura em pé. Sem o devido cuidado, as varizes9 podem progredir e causar úlceras30 e infecções31 na pele7, coágulos sanguíneos e sangramento espontâneo.

(b) A insuficiência15 venosa crônica ocorre quando a drenagem14 das veias2 profundas dos membros é inadequada por um longo período de tempo. A drenagem14 venosa inadequada pode ocorrer como resultado de uma obstrução do fluxo sanguíneo entre a periferia (principalmente os membros) e o coração4 ou devido ao refluxo de sangue3, devido a válvulas venosas defeituosas.

A causa mais comum de obstrução é uma trombose venosa profunda25; outras causas são anormalidades herdadas e compressão da veia, por exemplo, por um tumor32 ou bandagem. Cerca de um terço de todos os pacientes com trombose venosa profunda25 desenvolverá insuficiência15 venosa crônica dentro de um período de cinco anos. O refluxo de sangue3 pode ocorrer quando as válvulas na veia falham, mais comumente como resultado de cicatrização relacionada ao coágulo12 ou de uma anomalia hereditária da válvula.

A insuficiência15 venosa crônica se caracteriza por inchaço26 nas pernas, dor, cor da pele7 escurecida e textura mais grossa da pele7. O inchaço26 é agravado quando a perna está abaixo do nível do coração4 e melhora após uma noite de elevação da perna no leito. A dor nas pernas, comumente descrita como peso ou dor, geralmente é pior nos dias mais quentes e durante a menstruação33.

Veja também sobre "Úlceras30 de pernas", "Dores nas pernas", "Pernas inchadas", "Dermatite34 ocre" e "Complicações da trombose venosa profunda25".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da Healthline, do National Health Service do Reino Unido e da Mayo Clinic.

ABCMED, 2019. Doenças das veias. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1335583/doencas+das+veias.htm>. Acesso em: 30 mar. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sistema venoso: O sistema venoso possui a propriedade de variação da sua complacência, para permitir o retorno de um variável volume sanguíneo ao coração e a manutenção de uma reserva deste volume.
2 Veias: Vasos sangüíneos que levam o sangue ao coração.
3 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
4 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
5 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
6 Sistema arterial: O sistema arterial possui basicamente a propriedade de condução e distribuição do volume sanguíneo aos tecidos, e de variação da resistência ao fluxo de sangue, para a manutenção da pressão intravascular e da adequada oferta de fluxo.
7 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
8 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
9 Varizes: Dilatação anormal de uma veia. Podem ser dolorosas ou causar problemas estéticos quando são superficiais como nas pernas. Podem também ser sede de trombose, devido à estase sangüínea.
10 Escleroterapia: É um procedimento que consiste na injeção de determinados medicamentos “esclerosantes“ dentro de um capilar, vênula ou veia de modo a destruí-la. É usada principalmente para o tratamento de varizes e hemorroidas.
11 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular. 2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito. 3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
12 Coágulo: 1. Em fisiologia, é uma massa semissólida de sangue ou de linfa. 2. Substância ou produto que promove a coagulação do leite.
13 Trombose: Formação de trombos no interior de um vaso sanguíneo. Pode ser venosa ou arterial e produz diferentes sintomas segundo os territórios afetados. A trombose de uma artéria coronariana pode produzir um infarto do miocárdio.
14 Drenagem: Saída ou retirada de material líquido (sangue, pus, soro), de forma espontânea ou através de um tubo colocado no interior da cavidade afetada (dreno).
15 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
16 Trombos: Coágulo aderido à parede interna de uma veia ou artéria. Pode ocasionar a diminuição parcial ou total da luz do mesmo com sintomas de isquemia.
17 Coagulação: Ato ou efeito de coagular(-se), passando do estado líquido ao sólido.
18 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
19 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
20 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
21 Tromboflebite: Processo inflamatório de um segmento de uma veia, geralmente de localização superficial (veia superficial), juntamente com formação de coágulos na zona afetada. Pode surgir posteriormente a uma lesão pequena numa veia (como após uma injeção ou um soro intravenoso) e é particularmente frequente nos toxico-dependentes que se injetam. A tromboflebite pode desenvolver-se como complicação de varizes. Existe uma tumefação e vermelhidão (sinais do processo inflamatório) ao longo do segmento de veia atingido, que é extremamante doloroso à palpação. Ocorrem muitas vezes febre e mal-estar.
22 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
23 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
24 Anticoagulante: Substância ou medicamento que evita a coagulação, especialmente do sangue.
25 Trombose Venosa Profunda: Caracteriza-se pela formação de coágulos no interior das veias profundas da perna. O que mais chama a atenção é o edema (inchaço) e a dor, normalmente restritos a uma só perna. O edema pode se localizar apenas na panturrilha e pé ou estar mais exuberante na coxa, indicando que o trombo se localiza nas veias profundas dessa região ou mais acima da virilha. Uma de suas principais conseqüências a curto prazo é a embolia pulmonar, que pode deixar seqüelas ou mesmo levar à morte. Fatores individuais de risco são: varizes de membros inferiores, idade maior que 40 anos, obesidade, trombose prévia, uso de anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal, entre outras.
26 Inchaço: Inchação, edema.
27 Tromboses: Formações de trombos no interior de um vaso sanguíneo. Podem ser venosas ou arteriais e produzem diferentes sintomas segundo os territórios afetados. A trombose de uma artéria coronariana pode produzir um infarto do miocárdio.
28 Embolia: Impactação de uma substância sólida (trombo, colesterol, vegetação, inóculo bacteriano), líquida ou gasosa (embolia gasosa) em uma região do circuito arterial com a conseqüente obstrução do fluxo e isquemia.
29 Flebite: Inflamação da parede interna de uma veia. Pode ser acompanhada ou não de trombose da mesma.
30 Úlceras: Feridas superficiais em tecido cutâneo ou mucoso que podem ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
31 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
32 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
33 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
34 Dermatite: Inflamação das camadas superficiais da pele, que pode apresentar-se de formas variadas (dermatite seborreica, dermatite de contato...) e é produzida pela agressão direta de microorganismos, substância tóxica ou por uma resposta imunológica inadequada (alergias, doenças auto-imunes).
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