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Ácaros: o que devemos saber sobre eles?

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O que são ácaros?

Os ácaros são seres muito pequenos, geralmente só visíveis ao microscópio, pertencentes à classe dos aracnídeos, subclasse acarina (do grego akares = pequeno), da qual também fazem parte os carrapatos e escorpiões. Existe uma variedade muitíssimo grande de espécies descritas (cerca de 48.000) e um número ainda maior de espécies ainda não estudadas completamente. Embora suas características morfológicas variem muito entre as diferentes espécies, os ácaros adultos apresentam um corpo indiviso, quatro pares de pernas, pilosidades táteis na superfície do corpo e boca1 adaptada para perfurar. As colorações variam entre marrom, vermelho, alaranjado, preto, verde e combinações dessas várias cores. A maioria dos ácaros é ovípara e eles vivem mais ou menos cem dias, durante os quais acasalam uma a duas vezes e põem de vinte a cinquenta ovos, preferentemente na primavera e no outono. Eles vivem numa grande variedade de habitats: no solo ou na água, como parasitas de plantas ou de animais vertebrados e invertebrados, bem como da fauna arbórea e nas camadas de húmus que cobrem florestas, gramas e solos agrícolas. Há também ácaros animais, como os dos pássaros e galinhas, entre outros.

Quais são as consequências da infestação2 por ácaros para a espécie humana?

Os ácaros domésticos são os responsáveis por diversas doenças alérgicas nos seres humanos (rinite3, asma4, dermatite5 atópica, etc.). Eles são verdadeiras pragas domésticas e vivem em colchões, tapetes, almofadas, sofás, objetos de pelúcia, roupas de camas e adoram lugares úmidos. Por causa do seu tamanho minúsculo, são facilmente levados pelo vento, sendo comuns no pó domiciliar, embora invisíveis. Alimentam-se de escamas de pele6 e se reproduzem muito rapidamente. Além disto, seus excrementos e ácaros mortos dispersam-se em poeira fina, o que pode ser facilmente inalado causando alergias. Um metro quadrado de um tapete em uma residência pode conter até cem mil ácaros!

Existem também ácaros parasitas, que podem atingir os folículos pilosos e as glândulas sebáceas7, provocando a formação de cravos, como também atingir as áreas cutâneas8, causando a escabiose9 (sarna10 humana). O contato com áreas infestadas da pele6 pode transmitir o ácaro para outro hospedeiro humano. Há algumas espécies de ácaros que afetam a agricultura ou as plantações ornamentais, causando grandes perdas.

Como se prevenir contra os ácaros?

Os colchões, cobertores e travesseiros devem ser lavados regularmente com água quente. Os doentes asmáticos e alérgicos devem evitar travesseiros de pena devido à maior presença destes seres. As “vacinas” estão indicadas para os doentes sensibilizados quando os sintomas11 clínicos não são controlados com o tratamento farmacológico. Os anti-histamínicos também são úteis e eficazes na redução de sintomas11 alérgicos.

ABCMED, 2014. Ácaros: o que devemos saber sobre eles?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/576682/acaros+o+que+devemos+saber+sobre+eles.htm>. Acesso em: 16 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
2 Infestação: Infecção produzida por parasitas. Exemplos de infestações são sarna (escabiose), pediculose (piolhos), infecção por parasitas intestinais, etc.
3 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
4 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
5 Dermatite: Inflamação das camadas superficiais da pele, que pode apresentar-se de formas variadas (dermatite seborreica, dermatite de contato...) e é produzida pela agressão direta de microorganismos, substância tóxica ou por uma resposta imunológica inadequada (alergias, doenças auto-imunes).
6 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
7 Glândulas Sebáceas: Órgãos formados por pequenas bolsas, localizados na DERME. Cada glândula apresenta um único ducto que emerge de um grupo de alvéolos ovais. Cada alvéolo é constituído por uma membrana basal transparente, encerrando células epiteliais. Os ductos da maior parte das glândulas sebáceas se abrem nos folículos pilosos, porém alguns se abrem na superfície da PELE. Glândulas sebáceas secretam SEBO.
8 Cutâneas: Que dizem respeito à pele, à cútis.
9 Escabiose: Doença contagiosa da pele causada nos homens pelo Sarcoptes scabiei e nos animais por diversos ácaros. Caracteriza-se por intenso prurido e eczema. Popularmente conhecida como sarna ou pereba.
10 Sarna: Doença produzida por um parasita chamado Sarcoptes scabiei. Infesta a superfície da pele produzindo coceira e vesículas branco peroladas juntamente com lesões por coçadura. Localiza-se mais freqüentemente nas pregas interdigitais, inguinais e submamárias. É contagiosa, passando de pessoa para pessoa por contato íntimo, e por isto muito freqüente em aglomerações humanas (asilos, creches, abrigos). Nestes casos toda a população deve ser tratada ao mesmo tempo.
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
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