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Menarca - primeira menstruação! Orientações para as adolescentes

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O que é menarca1?

A menarca1 é o primeiro ciclo menstrual ou o primeiro sangramento menstrual. Ela ocorre na adolescência e é um marco na vida das meninas, que podem se sentir alegres ou angustiadas com a chegada da menstruação2.

Do ponto de vista social e médico, muitas vezes é considerado o evento central da puberdade feminina, pois sinaliza o começo da possibilidade de fertilidade. Do ponto de vista da adolescente, é o sinal3 maior de sua feminilidade, fertilidade e entrada na vida adulta.

Neste momento, as adolescentes precisam de apoio da família, principalmente da mãe, pois devem ser orientadas para que se sintam acolhidas e seguras. Ter uma pessoa para conversar sobre suas dúvidas e para orientar sobre os cuidados higiênicos necessários (sem excessos!) e também sobre como podem lidar melhor com as transformações que estão ocorrendo no seu corpo é fundamental.

Qual é o mecanismo fisiológico4 da menarca1?

Por volta dos oito anos de idade de uma menina, ocorre o aumento gradual do hormônio5 chamado gonadotrópico, cuja evolução culmina na primeira menstruação2. Quando não ocorre a gravidez6, o óvulo7 se desprende do útero8, que está maiormente revestindo pelo endométrio9, e é eliminado junto com ele, formando o chamado fluxo menstrual.

Ao contrário de suscitar apreensões, o primeiro ciclo menstrual de uma mulher deve ser visto como a maneira da natureza manifestar que seu corpo é saudável e capaz de se reproduzir. Ele é, contudo, diferente dos ciclos subsequentes. A menarca1 geralmente é mais curta e menos abundante que os períodos a seguir. Na maioria dos casos, ela não produz sintomas10, mas a adolescente pode experimentar sintomas10 da Síndrome11 Pré-Menstrual antes ou durante o período menstrual, que podem ou não continuar nos ciclos posteriores. Durante cerca de um ano, o corpo estará se ajustado à nova constelação hormonal e por isso os ciclos menstruais costumam ser bastante irregulares.

Saiba mais sobre "Ciclo menstrual", "Menstruação2", "TPM - Tensão Pré-Menstrual" e "Menstruação2 atrasada".

A idade da menarca1

As meninas experimentam a menarca1 em diferentes idades. O primeiro período menstrual, a menarca1, sinaliza o início da capacidade de se reproduzir e está associado ao desenvolvimento de características sexuais secundárias, como o crescimento das mamas12, o aparecimento de pelos pubianos e axilares, uma nova conformação corporal, etc. Este primeiro sangramento costuma acontecer cerca de dois anos após o aparecimento do broto mamário, em uma fase posterior ao estirão de crescimento.

Os primeiros ciclos tendem a ser anovulatórios, variam muito em duração, tendem a ser indolores e ocorrem sem nenhum aviso prévio.

Quando geralmente os ciclos se tornam regulares, cerca de 2 a 5 anos após a menarca1 é que aparecem as cólicas13 menstruais. Ocorrem principalmente naquelas famílias em que elas estão presentes em outras mulheres, pois sofrem influência hereditária.

Em países desenvolvidos, a menarca1 costuma ocorrer entre as idades de 10 e 16 anos, sob a influência de fatores genéticos, condições socioeconômicas, estado geral de saúde14 e bem-estar, estado nutricional, certos tipos de exercício, sazonalidade e tamanho da família. A média fica entre os 12-13 anos.

A idade média em que ocorre a menarca1 veio caindo no último século, nos países mais desenvolvidos, mas essa tendência cessou e pode até estar se revertendo. As causas dessa mudança não são completamente elucidadas, mas atribui-se importância à melhoria das condições ambientais, de saúde14 e alimentação das populações. Em 1840, a idade média da menarca1 era de 16,5 anos, agora é 12-13 anos. Não se podem descartar, tampouco, as mudanças sociais e psicológicas ocorridas com relação à fisiologia15 e ao comportamento sexual das pessoas.

Leia sobre "Cólicas13 menstruais", "Mitos e verdade sobre menstruação2", "Alívio da TPM" e "Fluxo menstrual intenso".

Como a idade da menopausa16 continuou constante nesse tempo, o período de tempo durante o qual as mulheres estão expostas ao estrogênio endógeno tem, portanto, aumentado. Também o índice de massa corporal17 de uma pessoa quando criança pode ser um fator a tornar mais precoce a menarca1. Talvez essa seja uma das razões porque a diminuição da idade da menarca1 ocorreu mais ou menos paralelamente ao crescimento dos índices de obesidade18.

A menstruação2 tende a ocorrer mais cedo também em pessoas que consomem mais proteína animal e naquelas que consomem mais bebidas cafeinadas e/ou açucaradas, como bebidas energéticas e refrigerantes. A exposição a certos riscos ambientais como, por exemplo, a certos pesticidas tóxicos, também pode levar a uma menarca1 mais precoce. Alcançar a menarca1 em uma idade mais jovem pode afetar a saúde14 mais tarde na vida — outra razão pela qual é importante comer bem e manter um peso saudável, quando possível.

A menarca1 tardia parece estar associada à diminuição do risco de desenvolver câncer19 de mama20 na idade adulta e diminuição da frequência de doença coronariana21. A menarca1 tardia pode, no entanto, estar positivamente associada ao risco de desenvolver a doença de Alzheimer22. A menarca1 mais tardia é mais comum em pessoas magras, que têm um índice de massa corporal17 mais baixo. Uma menarca1 mais tardia pode ser vista também em adolescentes que têm deficiências nutricionais, nas pessoas que fazem exercícios físicos intensivos ou praticam esportes regularmente. A menarca1 também pode ser retardada por certas experiências psicológicas negativas precoces.

Não há uma idade única para ocorrer a menarca1 “normal”, mas sim uma faixa de idade. No entanto, se a adolescente não menstruar até os 15-16 anos, o que não necessariamente configura algum problema de saúde14, um médico deve ser consultado para que seja feita uma avaliação.

Quais são as principais orientações que uma adolescente deve receber?

Como é um período cheio de dúvidas na vida de uma adolescente, é fundamental que a menina converse com alguém da sua confiança sobre:

  • O significado do sangramento.
  • As noções de higiene íntima que ela deve ter, sem exagerar em cuidados excessivos.
  • O período de troca de absorventes, que deve seguir um intervalo de quatro em quatro horas em média.
  • Orientações sobre o uso de absorventes íntimos e sua frequência de troca.
  • Uso de medicamentos para evitar uma gravidez6 precoce e inesperada.
  • Orientações sobre relações sexuais e doenças sexualmente transmissíveis.
  • Conversas sobre o prazer de ser mulher, mãe e conhecer o próprio corpo.
Veja também sobre "Pílulas anticoncepcionais", "Conhecimentos básicos sobre relação sexual", "Gravidez6 precoce" e "Doenças sexualmente transmissíveis".

 

ABCMED, 2019. Menarca - primeira menstruação! Orientações para as adolescentes. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1334223/menarca-primeira-menstruacao-orientacoes-para-as-adolescentes.htm>. Acesso em: 20 jul. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Menarca: Refere-se à ocorrência da primeira menstruação.
2 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
3 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
4 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
5 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
6 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
7 Óvulo: Célula germinativa feminina (haplóide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO.
8 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
9 Endométrio: Membrana mucosa que reveste a cavidade uterina (responsável hormonalmente) durante o CICLO MENSTRUAL e GRAVIDEZ. O endométrio sofre transformações cíclicas que caracterizam a MENSTRUAÇÃO. Após FERTILIZAÇÃO bem sucedida, serve para sustentar o desenvolvimento do embrião.
10 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
12 Mamas: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
13 Cólicas: Dor aguda, produzida pela dilatação ou contração de uma víscera oca (intestino, vesícula biliar, ureter, etc.). Pode ser de início súbito, com exacerbações e períodos de melhora parcial ou total, nos quais o paciente pode estar sentindo-se bem ou apresentar dor leve.
14 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
15 Fisiologia: Estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
16 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
17 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
18 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
19 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
20 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
21 Doença coronariana: Doença do coração causada por estreitamento das artérias que fornecem sangue ao coração. Se o fluxo é cortado, o resultado é um ataque cardíaco.
22 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
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