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Distúrbios do processamento auditivo central

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O que é distúrbio do processamento auditivo central?

O distúrbio do processamento auditivo é um termo abrangente para uma variedade de distúrbios que afetam a forma como o cérebro1 processa as informações auditivas. Os indivíduos com esse distúrbio geralmente têm estrutura e função normais do ouvido externo2, médio e interno, responsáveis pela audição periférica, mas não conseguem processar a nível do sistema nervoso central3 as informações que ouvem da mesma maneira que os outros, o que leva a dificuldades em reconhecer e interpretar sons, especialmente os sons que compõem as conversas.

O distúrbio do processamento auditivo afeta cerca de 5% das crianças em idade escolar. Acredita-se que as crianças com distúrbio do processamento auditivo ouçam normalmente porque podem ouvir sons que são transmitidos um de cada vez, em um ambiente silencioso. O problema é que eles não reconhecem pequenas diferenças entre sons em palavras, por exemplo, mesmo quando os sons são altos e claros o suficiente para serem ouvidos.

Esse tipo de problema acontece quando há ruído de fundo, o que é frequentemente o caso em situações sociais, inclusive em salas de aula. Assim, as crianças com distúrbio do processamento auditivo podem ter dificuldade em entender o que está sendo dito quando estão em lugares barulhentos.

Veja sobre "Hiperacusia", "Zumbido no ouvido4 ou tinnitus5", "Perfuração do tímpano6" e "Audiometria7".

Quais são as causas dos distúrbios do processamento auditivo central?

Muitas vezes, a causa do distúrbio do processamento auditivo de uma criança permanece desconhecida. Evidências sugerem que o problema se deve a traumatismo8 craniano, envenenamento por chumbo ou infecções9 crônicas do ouvido. Às vezes, pode também haver mais de uma causa associada. Entre as causas encontram-se determinantes genéticos, desordens e lesões10 neurológicas, exposição a neurotoxinas, anóxia11/hipóxia12 ou hiperbilirrubinemia no nascimento, prematuridade e exposição pré-natal a certos medicamentos.

Quais são as principais características clínicas dos distúrbios do processamento auditivo central?

Os sintomas13 do distúrbio do processamento auditivo podem variar de leves a graves e podem assumir muitas formas diferentes. A criança com o problema se distrai facilmente, sente-se incomodada por ruídos altos ou repentinos, fica perturbada por ambientes ruidosos e é acalmada por ambientes mais silenciosos, tem dificuldade em seguir instruções simples, tem dificuldades de leitura, ortografia, escrita ou outras dificuldades de linguagem, os problemas de matemática verbal (falada) são difíceis para ela e também tem dificuldades para seguir as conversas.

O distúrbio do processamento auditivo frequentemente é mal-entendido, porque muitos dos comportamentos descritos acima também podem acompanhar outras situações, como dificuldades de aprendizado, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade e até depressão. Só a observação a longo tempo permite diferenciar entre essas condições.

Como diagnosticar os distúrbios do processamento auditivo central?

O diagnóstico14 precoce do distúrbio do processamento auditivo é importante porque, se não é detectado e tratado precocemente, a criança pode ter atrasos na fala e na linguagem ou problemas na aprendizagem escolar. O problema pode ser diagnosticado pelas dificuldades em um ou mais processos auditivos conhecidos. Se a criança estiver tendo problemas para entender quando as pessoas falam ela deve ser examinada por um audiologista, que levará em conta:

  1. Problemas de figura-fundo auditivos, que é quando a criança não pode prestar atenção se houver ruído de fundo.
  2. Problemas de memória auditiva, quando a criança tem dificuldade em lembrar informações como instruções, listas ou materiais de estudo.
  3. Problemas de discriminação auditiva, quando uma criança tem dificuldade em ouvir a diferença entre palavras ou sons semelhantes.
  4. Problemas de atenção auditiva, quando uma criança não consegue ficar concentrada em ouvir o tempo suficiente para completar uma tarefa ou exigência.
  5. Problemas de coesão auditiva, em que tarefas auditivas de alto nível são difíceis.

Uma vez que a maioria dos testes feitos para verificar se há distúrbio do processamento auditivo exige que a criança tenha pelo menos 7 ou 8 anos de idade, muitas crianças não são diagnosticadas até então ou depois dessas idades.

Como ajudar as pessoas com o distúrbio do processamento auditivo central?

Embora não haja cura conhecida, a terapia fonoaudiológica e os dispositivos de escuta assistencial podem ajudar as crianças a compreender os sons e desenvolver boas habilidades de comunicação. O sistema de modulação de frequência é um dispositivo auxiliar de audição que reduz o ruído de fundo e torna a voz do falante mais alta para que uma criança possa entendê-lo. A terapia contínua com um fonoaudiólogo ajudará a criança a desenvolver habilidades de fala e audição.

Em casa, deve-se reduzir o ruído de fundo sempre que possível; os adultos devem pedir à criança que olhe para quem esteja falando; as pessoas devem usar frases simples e expressivas e falar de modo ligeiramente mais lento e mais alto; para tarefas que devem ser concluídas mais tarde, escrever notas, usar um relógio ou manter uma rotina doméstica pode ajudar. Outras dicas úteis: fornecer à criança um local de estudo tranquilo; manter um estilo de vida organizado e pacífico e atribuir tarefas regulares e realistas.

Na escola, informe aos professores e outros funcionários da escola sobre o distúrbio do processamento auditivo e como isso pode afetar o aprendizado. Procure fazer com que a criança possa se sentar na frente da sala de aula, de costas15 para a janela, faça-a portar um gravador ou tomar notas que possam ser vistas online e mantenha contatos regulares com os professores sobre o progresso da criança. Os pais e professores devem reconhecer que o distúrbio do processamento auditivo não é algo que a criança pode controlar.

Como evoluem os distúrbios do processamento auditivo central?

O sistema auditivo de uma criança não está totalmente desenvolvido até os 15 anos. Assim, muitas crianças diagnosticadas com distúrbio do processamento auditivo podem desenvolver melhores habilidades ao longo do tempo à medida que seu sistema auditivo amadurece. Com a terapia certa, essas crianças podem ter sucesso na escola e na vida.

Leia sobre "Fonoaudiologia", "Deficiência auditiva", "Implante16 coclear", "Protetores auditivos", "Impedanciometria" e "Misofonia".

 

ABCMED, 2019. Distúrbios do processamento auditivo central. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/1335213/disturbios-do-processamento-auditivo-central.htm>. Acesso em: 21 mar. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
2 Ouvido externo: Atualmente denominado orelha externa, consiste em duas porções: o pavilhão auditivo e o meato acústico externo, canal fechado em sua parte medial pela membrana timpânica, o que faz o limite da orelha média.
3 Sistema Nervoso Central: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
4 Zumbido no ouvido: Pode ser descrito como um som parecido com campainhas no ouvido ou outros barulhos dentro da cabeça que são percebidos na ausência de qualquer fonte de barulho externa.
5 Tinnitus: Pode ser descrito como um som parecido com campainhas no ouvido ou outros barulhos dentro da cabeça que são percebidos na ausência de qualquer fonte de barulho externa.
6 Tímpano: Espaço e estruturas internas à MEMBRANA TIMPÂNICA e externas à orelha interna (LABIRINTO). Entre os componentes principais estão os OSSÍCULOS DA AUDIÇÃO e a TUBA AUDITIVA, que conecta a cavidade da orelha média (cavidade timpânica) à parte superior da garganta.
7 Audiometria: Método utilizado para estudar a capacidade e acuidade auditivas perante diferentes freqüências sonoras.
8 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
9 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
11 Anóxia: Diminuição acentuada da concentração de oxigênio a nível celular. Pode ser devido a um problema nos mecanismos respiratórios (p. ex. apnéia, edema de glote, etc) ou devido a problemas nas trocas de oxigênio a nível celular.
12 Hipóxia: Estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos que pode ocorrer por diversos fatores, tais como mudança repentina para um ambiente com ar rarefeito (locais de grande altitude) ou por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde as vias respiratórias superiores até os tecidos orgânicos.
13 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
14 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
15 Costas:
16 Implante: 1. Em cirurgia e odontologia é o material retirado do próprio indivíduo, de outrem ou artificialmente elaborado que é inserido ou enxertado em uma estrutura orgânica, de modo a fazer parte integrante dela. 2. Na medicina, é qualquer material natural ou artificial inserido ou enxertado no organismo. 3. Em patologia, é uma célula ou fragmento de tecido, especialmente de tumores, que migra para outro local do organismo, com subsequente crescimento.
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