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Protetores auditivos - quando usar? Quais os tipos existentes? Como protegem?

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O problema do barulho

O mundo atual é um mundo barulhento. Automóveis, aeronaves, máquinas, explosões, tiros, fogos de artifício... Sem falar em alto-falantes, músicas altas, gritarias etc... As pessoas estão sujeitas a sons que estão acima da faixa confortável para elas e, muitas vezes, elas mesmas se submetem a esses sons de forma voluntária, quase sempre transitoriamente. Mas muitas outras, por obrigação das atividades que exercem, têm de suportá-los mesmo contra a vontade.

Por definição, o barulho é um som perturbador, mas nem todos os sons que irritam as pessoas são tão altos a ponto de causar prejuízos à audição. O que se deve levar em conta é o volume do som e o tempo durante o qual a pessoa fica exposta a ele. O nível sonoro é medido numa escala de decibeis (dB) que mostra como nosso ouvido percebe os sons de forma exponencial e não linear. Nesse sentido, os valores diários suportáveis sem danos, são: 85dB por 8 horas, 90 dB por 4 horas, 95 dB por 2 horas, 100 dB por 1 hora, 105 dB por 30 minutos, 110 dB por 15 minutos, 115 dB por 7 minutos, 120 dB por 3 minutos, acima de 120 dB há o risco de perdas auditivas irreversíveis. Para fins de comparação pode-se mencionar que uma conversa normal gira em torno de 60dB.

Veja também "Cera no ouvido", "Surdez" e "Zumbido no ouvido1".

Quais são as consequências da exposição a sons acima da média suportável sem causar danos?

A exposição a sons acima da média suportável sem causar danos, mesmo que por período curto de tempo, pode causar uma situação chamada trauma sonoro agudo2 e levar a uma perda auditiva transitória ou permanente. Se o indivíduo já é portador de perda auditiva ou tem certos problemas crônicos de saúde3, a chance de que a perda seja permanente se eleva. A exposição a ruído constante pode gerar perda auditiva crônica induzida pelo ruído e afeta trabalhadores obrigatoriamente expostos a níveis sonoros intensos e contínuos. No início, é observada uma perda auditiva ao final do dia, com recuperação após horas de repouso. Se a exposição continuar, instala-se uma perda auditiva progressiva e irreversível.

Os sinais4 mais frequentes de dano auditivo por ruído são dores de ouvido, zumbido, irritação com sons altos, redução da capacidade auditiva, dores de cabeça5 e efeitos psicológicos. Se a perda auditiva for importante, o indivíduo pode se isolar socialmente pela dificuldade de comunicação.

O que são protetores auditivos?

Protetores auditivos ou auriculares são aparelhos projetados para serem utilizados no canal auditivo externo com o objetivo de proteger o ouvido de quem os usa da entrada de água e de impurezas, vento excessivo e, principalmente, ruídos altos. Os protetores de ouvido geralmente são feitos de um material esponjoso em formato cilíndrico, de forma a serem inseridos no ouvido e permanecerem fixos sob pressão. Alguns protetores de ouvido possuem uma pequena corda que conecta entre si o par de protetores, de forma a impedir a perda. Para evitar passar infecções6 de um ouvido para o outro, colocando-se de cada vez cada uma das peças em ouvido diferente (direito ou esquerdo), dá-se um nó no lado direito dessa corda.

Há três tipos principais de protetores de ouvido:

  1. Tampões para os ouvidos inseridos no canal auditivo. Podem ser pré-moldados ou moldáveis, como os tampões de espuma para os ouvidos.
  2. Plugues para os ouvidos, semi-inseridos que consistem em dois tampões para os ouvidos mantidos nas extremidades do canal auditivo por uma faixa na cabeça5 rígida.
  3. Protetores auditivos constituídos por material atenuante de sons e almofadas de ouvido suaves que se ajustam ao redor da orelha7. Eles são ligados um ao outro por uma alça que os prende à cabeça5. Interessantes, para certos casos, são os protetores personalizados, moldados especificamente para cada orelha7 do usuário em um centro auditivo ou em uma clínica de fonoaudiologia.

Por que usar protetores auditivos?

As pessoas devem usar protetor auditivo se o nível de ruído ou som no local onde permanecem por grandes períodos de tempo exceda 85 decibeis. Ele também pode ser usado se uma pessoa deseja experimentar absoluto silêncio para dormir ou para exercer qualquer outra atividade. Pessoas submetidas duradouramente a sons altos necessitam de um programa completo de conservação auditiva, que inclui avaliação de ruído, seleção de protetor auditivo e testes audiométricos.

Os protetores de ouvido costumam ser utilizados por trabalhadores que lidam com máquinas barulhentas diariamente e por longos períodos de tempo. Músicos também costumam usar protetores de ouvido para se prevenir do alto som nos concertos.

Se os protetores auditivos não se ajustarem adequadamente, a eficácia da proteção auditiva fica muito reduzida, assim como se forem usados apenas periodicamente ou se forem removidos, mesmo que por um curto período de tempo. Para manter sua eficácia, a proteção auditiva, uma vez instalada, não deve ser modificada. Os fones de ouvido não substituem os protetores auditivos e não devem ser usados quando os protetores auditivos são necessários para proteger contra a exposição ao ruído.

Assuntos relacionados: "Implante8 coclear", "Audiometria9", "Timpanometria".
ABCMED, 2018. Protetores auditivos - quando usar? Quais os tipos existentes? Como protegem?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/vida-saudavel/1327023/protetores-auditivos-quando-usar-quais-os-tipos-existentes-como-protegem.htm>. Acesso em: 12 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Zumbido no ouvido: Pode ser descrito como um som parecido com campainhas no ouvido ou outros barulhos dentro da cabeça que são percebidos na ausência de qualquer fonte de barulho externa.
2 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
4 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
5 Cabeça:
6 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Orelha: Sistema auditivo e de equilíbrio do corpo. Consiste em três partes
8 Implante: 1. Em cirurgia e odontologia é o material retirado do próprio indivíduo, de outrem ou artificialmente elaborado que é inserido ou enxertado em uma estrutura orgânica, de modo a fazer parte integrante dela. 2. Na medicina, é qualquer material natural ou artificial inserido ou enxertado no organismo. 3. Em patologia, é uma célula ou fragmento de tecido, especialmente de tumores, que migra para outro local do organismo, com subsequente crescimento.
9 Audiometria: Método utilizado para estudar a capacidade e acuidade auditivas perante diferentes freqüências sonoras.
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