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Quiropraxia - como é a técnica

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O que é a quiropraxia?

Quiropraxia (do grego antigo: χείρ (chir) = mão1 + πρᾶξις (práxis) = atividade) é um método alternativo de tratamento médico com o objetivo de diagnosticar e tratar distúrbios funcionais nas partes do esqueleto2 que são usadas para mover e apoiar o corpo humano3, especialmente os ossos da coluna vertebral4.

A eficácia e a natureza científica do método são controversas. Em vários países, a quiropraxia é uma profissão reconhecida ou regulamentada pelo estado, fazendo parte da chamada medicina alternativa, mas, em outros, não é. A Federação Mundial de Quiropraxia inclusive é reconhecida e filiada à Organização Mundial da Saúde5 (OMS).

No Brasil, o tratamento quiroprático é fornecido pelo SUS, integrando a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares junto com outros métodos sem comprovação científica, e há duas faculdades que oferecem curso de bacharelado em quiropraxia, com duração média de 5 anos: a Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, e a Universidade FEEVALE, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.

Daniel David Palmer (1845-1913) fundou a quiropraxia ainda no século XIX, em 1895, nos Estados Unidos. Segundo ele, a ideia de curar condições médicas dessa forma teria surgido de uma revelação espiritual que lhe foi enviada pelo médico James Atkinson, que havia morrido 50 anos antes.

A tese defendida originalmente era de que várias doenças (95% delas), mesmo não ortopédicas, eram causadas por uma subluxação (deslocamento parcial) das articulações6 vertebrais e poderiam, portanto, ser curadas por uma correção manipulativa do desalinhamento. Contudo, ela contradiz o que se conhece sobre o organismo humano. Ela tem muito de misticismo e pouco de ciência. No máximo, a quiropraxia tornou-se parcialmente reconhecida como apenas aplicável ao tratamento de distúrbios funcionais reversíveis do sistema musculoesquelético e, mesmo assim, com reservas.

Leia sobre "Medicina alternativa", "Acupuntura", "Pilates" e "Musculação para idosos".

A técnica da quiropraxia

Com o tempo, houve um racha entre os profissionais que aplicam a técnica. Alguns deles tentaram incorporar elementos científicos e resolveram se concentrar nas doenças osteomusculares, especialmente nas dores nas costas7. Outros seguem fiéis aos princípios originais de Palmer e acreditam que as subluxações são a causa de quase todas as enfermidades, e a quiropraxia, a cura delas. Pesquisas científicas, no entanto, já deixam claro que isso não é verdadeiro.

A quiropraxia mais ao lado da ciência deve ser sempre executada por um profissional especializado na área. Antes de iniciar as sessões, deve ser feita uma avaliação completa sobre as doenças anteriores e as queixas de saúde5 atuais do paciente. Esta análise indicará se a quiropraxia é mesmo a melhor opção para o problema ou se é conveniente ou necessário recomendar uma consulta médica anteriormente.

De início, o quiropraxista deve fazer uma apreciação e correção da postura do paciente, análise das articulações6 e verificar a flexibilidade dos movimentos corporais. Após essa primeira avaliação, ele indicará um tratamento, de acordo com o problema de saúde5 que o paciente apresente. Durante as sessões, o quiropraxista fará uma série de manipulações na coluna, nos músculos8 e nos ligamentos9, estimulando as articulações6. Ele também poderá orientar a prática de exercícios para correção da postura e técnicas de relaxamento para se fazer em casa.

Quando fazer e quando não fazer quiropraxia?

A quiropraxia pode ser feita de forma isolada ou para complementar outros tipos de tratamentos médicos. As técnicas podem ser usadas para recuperar o movimento adequado da coluna e de outras partes do corpo, na correção da postura corporal e para aliviar enxaquecas10 e dores articulares, como nas costas7, no joelho ou no ombro.

Além de auxiliar na melhora da dor, a quiropraxia também promove o relaxamento e o bem-estar geral, ajudando a diminuir a tensão muscular, comum em casos de estresse ou ansiedade. As manipulações também aumentam o fluxo sanguíneo e diminuem a pressão arterial11.

A quiropraxia não deve ser indicada para pessoas que tenham instabilidade da medula espinhal12, hérnia de disco13 grave, fraturas que ainda estejam em consolidação, que usem medicamentos anticoagulantes14, que tenham câncer15 nos ossos, que tenham risco elevado de acidente vascular cerebral16 ou osteoporose17 grave.

Quando realizada por um profissional especializado, os riscos da quiropraxia para a saúde5 são muito pequenos. Após as sessões podem aparecer, de forma passageira, alguma dor, desconforto no local das manipulações, tontura18, dor de cabeça19 ou náusea20.

No entanto, em alguns casos, o ideal é procurar primeiramente um médico ortopedista ou reumatologista, principalmente quando a dor estiver acompanhada de dormência21 ou perda de força nos braços ou nas pernas.

Veja também sobre "O método Rolfing", "Antiginástica", "Massagem terapêutica22 e massagem relaxante" e "Drenagem23 linfática".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Krapf Chiropraktik e do CTQuiro - Centro de Transfomação Quiroprático.

ABCMED, 2021. Quiropraxia - como é a técnica. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1399325/quiropraxia+como+e+a+tecnica.htm>. Acesso em: 17 out. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
2 Esqueleto:
3 Corpo humano: O corpo humano é a substância física ou estrutura total e material de cada homem. Ele divide-se em cabeça, pescoço, tronco e membros. A anatomia humana estuda as grandes estruturas e sistemas do corpo humano.
4 Coluna vertebral:
5 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
6 Articulações:
7 Costas:
8 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
9 Ligamentos: 1. Ato ou efeito de ligar(-se). Tudo o que serve para ligar ou unir. 2. Junção ou relação entre coisas ou pessoas; ligação, conexão, união, vínculo. 3. Na anatomia geral, é um feixe fibroso que liga entre si os ossos articulados ou mantém os órgãos nas respectivas posições. É uma expansão fibrosa ou aponeurótica de aparência ligamentosa. Ou também uma prega de peritônio que serve de apoio a qualquer das vísceras abdominais. 4. Vestígio de artéria fetal ou outra estrutura que perdeu sua luz original.
10 Enxaquecas: Sinônimo de migrânea. É a cefaléia cuja prevalência varia de 10 a 20% da população. Ocorre principalmente em mulheres com uma proporção homem:mulher de 1:2-3. As razões para esta preponderância feminina ainda não estão bem entendidas, mas suspeita-se de alguma relação com o hormônio feminino. Resulta da pressão exercida por vasos sangüíneos dilatados no tecido nervoso cerebral subjacente. O tratamento da enxaqueca envolve normalmente drogas vaso-constritoras para aliviar esta pressão. No entanto, esta medicamentação pode causar efeitos secundários no sistema circulatório e é desaconselhada a pessoas com problemas cardiológicos.
11 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
12 Medula Espinhal:
13 Hérnia de disco:
14 Anticoagulantes: Substâncias ou medicamentos que evitam a coagulação, especialmente do sangue.
15 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
16 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
17 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
18 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
19 Cabeça:
20 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
21 Dormência: 1. Estado ou característica de quem ou do que dorme. 2. No sentido figurado, inércia com relação a se fazer alguma coisa, a se tomar uma atitude, etc., resultando numa abulia ou falta de ação; entorpecimento, estagnação, marasmo. 3. Situação de total repouso; quietação. 4. No sentido figurado, insensibilidade espiritual de um ser diante do mundo. Sensação desagradável caracterizada por perda da sensibilidade e sensação de formigamento, e que geralmente ocorre nas extremidades dos membros. 5. Em biologia, é um período longo de inatividade, com metabolismo reduzido ou suspenso, geralmente associado a condições ambientais desfavoráveis; estivação.
22 Terapêutica: Terapia, tratamento de doentes.
23 Drenagem: Saída ou retirada de material líquido (sangue, pus, soro), de forma espontânea ou através de um tubo colocado no interior da cavidade afetada (dreno).

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