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Fatores de restrição ao crescimento intrauterino

Friday, December 10, 2021
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Fatores de restrição ao crescimento intrauterino

O crescimento intrauterino do feto

Uma gestação normal pode ser dividida em três fases:

  1. fase germinal, que dura de 10 a 14 dias e envolve a concepção e a implantação do feto no útero;
  2. fase embrionária, que vai da segunda à oitava semana, quando se dá a formação dos órgãos e o desenvolvimento dos sistemas essenciais do corpo;
  3. fase fetal, que vai da oitava semana até o parto e na qual ocorre principalmente o crescimento da criança.

Assim, o crescimento intrauterino do feto se dá entre a 8ª semana de gestação, quando a maioria das estruturas orgânicas está formada, e o nascimento. No entanto, durante as últimas 20 semanas de gestação o feto ganha 95% de seu peso.

Fatores de variadas naturezas contribuem para determinar o crescimento fetal. Dentre eles, são de fundamental importância:

  • A oferta de nutrientes maternos
  • A transferência placentária de substratos
  • O potencial de crescimento determinado pelo genoma

O que são fatores de restrição ao crescimento intrauterino?

O crescimento intrauterino retardado (má nutrição fetal) é um grande problema de saúde pública em países em desenvolvimento. Entretanto, este termo não deve ser usado para descrever um feto constitucionalmente pequeno que seja saudável.

A restrição do crescimento fetal é o termo usado para designar um feto que não atingiu seu potencial de crescimento devido a fatores genéticos ou ambientais. Isso acontece em 5 a 10% de todas as gestações. Contudo, a definição de restrição de crescimento intrauterino é problemática porque, em geral, não se sabe exatamente qual é o potencial de crescimento inerente a um feto determinado.

Assim, a restrição ao crescimento intrauterino pode ser causada por fatores fetais, placentários e/ou maternos, embora nem sempre se consiga identificar precisamente a importância de cada um desses fatores.

Saiba mais sobre "Gravidez de risco", "Pré-natal" e "Recomendação de ganho de peso durante a gestação".

Quais são as causas dos fatores de restrição ao crescimento intrauterino?

Os principais fatores de restrição ao crescimento intrauterino identificados na prática clínica são fatores maternos como:

Além desses, devem ser levados em conta:

Como o médico diagnostica os fatores de restrição ao crescimento intrauterino?

Os médicos têm muitas maneiras de estimar o tamanho dos bebês durante a gravidez e assim diagnosticar uma restrição ao crescimento intrauterino. Um dos mais simples e comuns é medir a distância do fundo do útero da mãe até a pube. Após a 20ª semana de gestação, a medida em centímetros geralmente corresponde ao número de semanas de gestação. Logo, uma medida abaixo do esperado pode indicar que o bebê não está crescendo como deveria.

O diagnóstico do crescimento fetal se baseia na comparação de dados antropométricos do feto, obtidos por meio de ultrassom, comparados com curva de crescimento intrauterino obtida de recém-nascidos vivos, de diferentes idades gestacionais, considerados "normais" por provirem de gestações sem patologias detectadas.

Outro método para verificar o crescimento fetal é a ultrassonografia. Com o intuito de estimar o peso fetal, o ultrassom pode ser usado para medir a cabeça, o abdome e o fêmur do bebê. Com essas medidas, o médico pode estimar o peso do bebê e comparar o valor encontrado com curvas de referência. O ultrassom também pode ser usado para determinar a quantidade de líquido amniótico que está no útero. Uma baixa quantidade de líquido amniótico pode sugerir uma restrição de crescimento intrauterino.

Além da ultrassonografia de rotina, o médico poderá também solicitar uma avaliação Doppler para medir a quantidade e a velocidade do fluxo sanguíneo no cordão umbilical e vasos no cérebro do bebê e verificar se eles estão normais ou abaixo do normal, sugerindo um desenvolvimento restrito.

Como o médico trata os fatores de restrição ao crescimento intrauterino?

Não existe um tratamento específico para a restrição do crescimento intrauterino. Os tratamentos disponíveis visam as causas do problema e devem ser usados como prevenção do problema.

O manejo desta condição às vezes é feito por meio da escolha do melhor momento para realizar o parto. O médico terá que avaliar o risco de continuar a gestação versus o risco de um parto prematuro. Além disso, terá que decidir se deverá ou não usar corticoide para amadurecer os pulmões do bebê nascido antes do tempo.

Embora a restrição do crescimento intrauterino possa ocorrer mesmo quando a mãe está perfeitamente sadia, há coisas que ela pode fazer para reduzir o risco do problema e aumentar as chances de uma gravidez saudável, como:

  • comparecer a todas as consultas de pré-natal;
  • observar se os movimentos do bebê são normais e relatá-los ao médico;
  • não usar medicamentos que não sejam adequados para grávidas;
  • ter uma alimentação adequada;
  • descansar bastante;
  • praticar hábitos de vida saudáveis, deixando de consumir bebidas alcoólicas, de usar drogas e de fumar.
Veja também sobre "Síndrome alcoólica fetal", "Sífilis congênita", "Fumo e gestação".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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