Gravidez de risco: quando pode ocorrer?

O que é gravidez de risco?
Os médicos falam em gravidez de risco quando se referem àquela em que por quaisquer motivos as potenciais chances de complicações são maiores que as de uma gravidez normal e falam de uma gravidez de alto risco quando as possibilidades de complicações são grandes, podendo chegar mesmo a serem inevitáveis. Ela significa que existe alguma probabilidade de ocorrer doença ou morte da mãe ou do bebê durante a gravidez ou no momento do parto.
Quais são as causas da gravidez ser ou se tornar de risco?
Considera-se de risco a gravidez em que:
- A idade está acima dos 35 anos ou abaixo dos 15 anos.
- A mulher tenha altura inferior a 1,45 m ou peso pré-gestacional elevado.
- Gestante portadora de anormalidades estruturais nos órgãos reprodutivos.
- Dependência de drogas e/ou bebida alcoólica.
- Fumante.
- Mulheres que fazem esforços físicos exagerados.
- Exposição a agentes químicos ou biológicos nocivos.
- Estresse.
Os principais fatores que atuam nesse sentido são (1) as condições pré-existentes de saúde da mulher, (2) sua idade, (3) seu estilo de vida e (4) as condições em que a gravidez se dá. Quanto à primeira causa, importa saber a mulher tem pressão arterial elevada ou ovário policístico, se é obesa ou se sofre de diabetes, doenças renais, doenças autoimunes ou da tireoide, AIDS, etc, porque essas condições podem complicar a gravidez e/ou o parto.
No que se refere à idade, tanto a gravidez precoce quanto a tardia podem se processar normalmente, mas as mães muito jovens estão sob maior risco de desenvolver anemia e pressão alta e entrar em trabalho de parto mais cedo que as demais mulheres gestantes e as gestantes de mais de 35 anos têm maior risco de necessitarem de uma cesariana, de sofrerem maior sangramento durante o parto, ter um trabalho de parto mais prolongado que o normal e conceber um filho com uma desordem genética tipo síndrome de Down.
Muitas vezes a gravidez irá impor mudanças de hábitos, como parar de beber ou fumar. Mulheres que bebem durante a gravidez têm maiores chances de sofrerem um abortamento e de gerar fetos com defeitos físicos. As que fumam podem ocasionar nascimentos antes da hora e ter bebês prematuros, com certos defeitos de nascença ou causar morte súbita do bebê.
Quanto às condições em que a gestação acontece, deve-se observar que a gestação múltipla (de dois, três ou mais) significa riscos de prematuridade, aumento da chance de se necessitar de uma cesariana, de que os bebês sejam menores que o normal e que tenham mais dificuldades de respirar. Outras condições que podem complicar a gravidez são a diabetes gestacional, a pré-eclâmpsia e eclâmpsia. A diabetes gestacional não controlada aumenta o risco de prematuridade, de pré-eclâmpsia e de pressão alta. A eclâmpsia pode afetar rins, fígado e cérebro da mãe e/ou do feto.
Enfim, a mulher deve ficar atenta quanto à possibilidade de ter complicações na gravidez se tem diabetes, câncer, pressão alta, problemas renais ou epilepsia; se usa álcool, tabaco ou drogas; se é menor de 15 anos ou maior de 35; se está gestando mais de um bebê; se já teve abortos espontâneos; se sabe que seu bebê tenha alguma anormalidade; se teve problemas numa gravidez ou parto anterior; se o seu parto é prematuro; se tem eclâmpsia; se tem uma infecção, como HIV ou hepatite C ou outras; se está tomando certas medicações.
Quais são os cuidados especiais que se deve ter ante uma gravidez de risco?
Mesmo em uma gravidez considerada normal costumam ocorrer sintomas como náuseas, enjoos, dificuldade em digerir os alimentos, prisão de ventre, dores nas costas e cãibras, por exemplo. Mas a gravidez pode apresentar também outros sintomas que sugerem anormalidades e riscos, como sangramentos vaginais, contrações uterinas fora do tempo apropriado, perda de fluido amniótico, não sentir o bebê se mexendo, vômitos e náuseas muito frequentes, tonturas ou desmaios, dores ao urinar, inchaço súbito, aceleração repentina dos batimentos cardíacos e dificuldades de caminhar. Diante de algum desses sintomas, a mulher deve consultar o médico o mais rapidamente possível, manter repouso e alimentação equilibrada, tomar as medicações e seguir as orientações que o obstetra indicar.
O parto de uma gestação de alto risco deve ser assistido por uma equipe multiprofissional formada por especialistas escolhidos segundo as ocorrências esperadas.
