Transmissão de doenças
O que é transmissão de doenças?
Em medicina, transmissão é a passagem de um patógeno causador de uma doença infeciosa de um hospedeiro para outro indivíduo ou grupo, independentemente de o outro indivíduo ter estado ou não anteriormente infectado. Essa transmissão pode dar-se por contado direto ou indireto entre as pessoas.
Para que a cadeia de infecção1 se desenvolva, é necessário que o agente infeccioso deixe seu hospedeiro por um portal de saída, seja transportado por algum modo de transmissão e entre por uma porta de entrada apropriada para infectar um hospedeiro suscetível.
Chama-se reservatório de um agente infeccioso ao habitat em que ele normalmente vive, cresce e se multiplica, e que pode ser o homem, animais ou outros meios, como plantas, solo ou água.
Os reservatórios humanos podem nunca mostrar os efeitos da doença que transmitem; terem a doença, mas serem assintomáticos; ou transmitir o agente sem se sentir ou saber doente; ou serem capazes de transmitir a doença mesmo no período de convalescença, em que se recuperaram da doença.
As doenças transmitidas a partir de reservatórios de animais vertebrados são chamadas zoonoses2. Algumas doenças são transmitidas a partir de reservatórios ambientais.
A maneira como os agentes infeciosos deixam o hospedeiro é muito variável e pode se dar pelo trato respiratório, pela urina3, pelas fezes, por lesões4 cutâneas5, por vários tipos de secreções corporais, pelo sangue6, por agulhas de injeção7 contaminadas, por artrópodes sugadores de sangue6, etc.
A porta de entrada também varia muito. Frequentemente, os agentes infecciosos usam uma porta para entrar em um novo hospedeiro igual à que usaram para sair do hospedeiro de origem, mas nem sempre é assim. A porta de entrada pode ser a boca8 (alimentos, água ou utensílios), a pele9, as membranas mucosas10, o sangue6, a genitália11, etc.
O último elo da cadeia de infecção1 é um hospedeiro suscetível, cuja suscetibilidade depende de fatores genéticos ou constitucionais, imunidade12 específica e fatores inespecíficos que afetam a capacidade de um indivíduo de resistir à infecção1 ou de limitar a patogenicidade.
Leia sobre "Permanência do SARS-CoV-2 nas superfícies", "Doenças transmitidas pelo beijo", "Aconselhamento genético" e "Doenças sexualmente transmissíveis".
Tipos de transmissão de doenças
Conceitualmente há dois tipos de transmissão:
(1) Transmissão direta ou contágio13, em que a rápida transferência do agente etiológico14 entre o hospedeiro fonte e o hospedeiro receptor susceptível é feita sem interferência de veículos intermediários. Ela pode ocorrer de duas formas distintas:
(1a) Transmissão direta imediata, em que existe um contato físico entre o reservatório fonte da infecção1 e o novo hospedeiro. Quase sempre esse contato direto se dá por meio de beijos, abraços, relações sexuais ou uma das formas de contato mãe/filho.
As doenças transmissíveis por contato direto são chamadas de contagiosas. Embora todas as doenças contagiosas sejam infecciosas, nem todas as doenças infecciosas são contagiosas. Essas doenças também podem ser transmitidas pelo compartilhamento de uma toalha ou de peças de roupa, se não forem bem lavadas entre as utilizações. Outras, ainda, podem ser contraídas por qualquer uma das modalidades sexuais (vaginal, anal, oral), seja por contato direto pele9 a pele9 ou por meio de secreções vaginais ou de sêmen15. A transmissão de mãe para filho (chamada de transmissão vertical) pode ocorrer no útero16, durante o parto, durante o contato físico pós-natal ou através do leite materno.
(1b) Transmissão direta mediata, na qual não existe contato físico entre o reservatório ou fonte de infecção1 e o novo hospedeiro. A mesma ocorre pela ação de um meio ou veículo intermediário como, por exemplo, as populares “gotículas de saliva” liberadas das secreções oronasais pelo espirro ou tosse.
(2) Transmissão indireta, em que a transferência do agente etiológico14 ocorre por intermédio de propagadores animados ou inanimados. A fim de que a transmissão indireta possa ocorrer, torna-se essencial que os agentes sejam capazes de sobreviver fora do organismo durante certo tempo e que existam propagadores que transportem os microrganismos ou parasitas de um lugar a outro.
Um propagador animado que transmite indiretamente o agente patógeno é chamado comumente de vetor. Em geral, ele é um artrópode que transfere um agente infeccioso do reservatório ou fonte para um hospedeiro suscetível de adoecer. Este artrópode pode comportar-se como:
- Vetor biológico, que é aquele no qual, obrigatoriamente, se passa uma fase do desenvolvimento do agente etiológico14. Por exemplo, os mosquitos anofelinos que transmitem a malária. Uma vez eliminado o vetor biológico, desaparece a doença que ele transmite.
- Vetor mecânico, que apenas transporta o agente da fonte para o receptor susceptível. Por exemplo, as moscas, que podem transmitir o agente à medida que o transportam em suas patas ou asas após pousarem em matéria fecal.
A transmissão indireta por veículo inanimado é aquela que se dá por meio de um ser inanimado como a água, o ar, os alimentos ou os objetos contaminados, etc.
Fômites são objetos inanimados contaminados por um indivíduo infectado, como mesas, gaiolas, canis, equipamentos médicos, superfícies ambientais, roupas, etc. que entram em contato com um animal ou ser humano suscetível e transmitem o agente patógeno. A transmissão por fômites envolve objetos inanimados. Exemplos de doenças transmitidas desse modo incluem infecções17 por parvovírus canino e calicivírus felino.
Muitas doenças podem ser transmitidas por mais de uma forma.
Como prevenir-se da transmissão de doenças?
Algumas medidas simples podem ajudar as pessoas a se prevenirem de contrair uma doença transmissível:
- lavar as mãos18 ou usar desinfetante para as mãos18 antes de manusear os alimentos e depois de apertar as mãos18 de outras pessoas;
- lavar as mãos18 abundantemente com água e sabão se elas estiverem visivelmente sujas;
- evitar ou minimizar o contato das mãos18 com a boca8 ou nariz19;
- evitar o contato com pessoas doentes, se possível;
- usar luvas descartáveis para evitar o contato com sangue6 e fezes;
- usar luvas descartáveis ao cuidar de uma pessoa doente;
- cobrir a boca8 ao espirrar e tossir e depois lavar as mãos18;
- ensinar as crianças a não colocar as mãos18 ou objetos na boca8 e higienizar brinquedos e trocadores.
Veja também sobre "Infecção1 pelo HIV20", "Como combater a dengue21", "Endemia, epidemia e pandemia22" e "Sarampo23: altamente contagioso, mas tem prevenção".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do CDC – Centers for Disease Control and Prevention (USA).
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.