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Quais são os significados e as diferenças de endemia, epidemia e pandemia?

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O que são endemia, epidemia e pandemia1?

Diz-se que há uma endemia (do grego en = em; demos = pessoas) numa população se uma doença infectocontagiosa2 é mantida numa população sem que tenha ocorrido contaminação externa. A varicela3, por exemplo, é endêmica no Reino Unido, mas a malária não. Embora possam ocorrer casos de malária no Reino Unido a doença não se mantém, devido à falta do vetor necessário ao processo de transmissão. De um modo geral, a endemia é de caráter contínuo e restrito a uma determinada área como, por exemplo, áreas endêmicas de febre amarela4 e de dengue5, no Brasil, ou de hepatite6 A, nos EUA ou Portugal. A endemia é, pois, uma doença de causa local. Tem uma permanência contínua, porém não atinge nem se espalha para outras comunidades. As pessoas que viajam para regiões onde haja doenças endêmicas precisam ser vacinadas contra elas.

Diz-se que há uma epidemia quando uma doença infecciosa transmissível que ocorre numa região se espalha rapidamente entre pessoas de outras regiões, originando ali um grande número de casos da doença, chamado surto epidêmico. A epidemia em geral ocorre por causa de uma mutação7 do agente transmissor da doença ou pelo surgimento de um agente novo e desconhecido. A ocorrência de um único caso de uma doença transmissível num certo local onde ela não existia ou o primeiro caso de uma doença até então desconhecida requerem medidas rigorosas de investigação, pois representam um perigo de originarem uma epidemia. A gripe8 aviária e a infecção9 pelo vírus10 ebola são exemplos recentes de epidemia.

Existe uma pandemia1 quando uma doença contagiosa11 se espalha em grandes proporções, por um ou mais continentes ou pelo mundo, causando inúmeras mortes e, eventualmente, destruindo cidades ou regiões inteiras. Uma pandemia1 ocorre devido ao aparecimento de uma doença nova para a qual a população não tenha resistência ou quando o agente infeccioso se espalha facilmente. A AIDS e a gripe8 espanhola, por exemplo, são exemplos de pandemias. O câncer12 é uma doença espalhada por todo o mundo, responsável por inúmeras mortes, mas não é considerado uma pandemia1 porque não é uma doença contagiosa11.

Quais são as diferenças entre endemia, epidemia e pandemia1?

Se uma doença existe apenas em uma determinada área diz-se que é endêmica; se a doença é transmitida para outras populações e infesta mais de uma região, diz-se que há uma epidemia; se a doença se alastra de forma descontrolada, espalhando-se pelos continentes ou pelo mundo, tem-se uma pandemia1. Uma endemia pode evoluir para uma epidemia e, ao contrário, uma doença pode passar de epidêmica para endêmica e as doenças altamente contagiosas e mortais, embora localizadas, têm potencial de se tornar uma pandemia1.

ABCMED, 2014. Quais são os significados e as diferenças de endemia, epidemia e pandemia?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/561642/quais-sao-os-significados-e-as-diferencas-de-endemia-epidemia-e-pandemia.htm>. Acesso em: 18 fev. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Pandemia: É uma epidemia de doença infecciosa que se espalha por um ou mais continentes ou por todo o mundo, causando inúmeras mortes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a pandemia pode se iniciar com o aparecimento de uma nova doença na população, quando o agente infecta os humanos, causando doença séria ou quando o agente dissemina facilmente e sustentavelmente entre humanos. Epidemia global.
2 Infectocontagiosa: Que causa infecção e se dissemina por contágio.
3 Varicela: Doença viral freqüente na infância e caracterizada pela presença de febre e comprometimento do estado geral juntamente com a aparição característica de lesões que têm vários estágios. Primeiro são pequenas manchas avermelhadas, a seguir formam-se pequenas bolhas que finalmente rompem-se deixando uma crosta. É contagiosa, mas normalmente não traz maiores conseqüências à criança. As bolhas e suas crostas, se não sofrerem infecção secundária, não deixam cicatriz.
4 Febre Amarela: Doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África. Os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina). A única forma de prevenção é a vacinação contra a doença.
5 Dengue: Infecção viral aguda transmitida para o ser humano através da picada do mosquito Aedes aegypti, freqüente em regiões de clima quente. Caracteriza-se por apresentar febre, cefaléia, dores musculares e articulares e uma erupção cutânea característica. Existe uma variedade de dengue que é potencialmente fatal, chamada dengue hemorrágica.
6 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
7 Mutação: 1. Ato ou efeito de mudar ou mudar-se. Alteração, modificação, inconstância. Tendência, facilidade para mudar de ideia, atitude etc. 2. Em genética, é uma alteração súbita no genótipo de um indivíduo, sem relação com os ascendentes, mas passível de ser herdada pelos descendentes.
8 Gripe: Doença viral adquirida através do contágio interpessoal que se caracteriza por faringite, febre, dores musculares generalizadas, náuseas, etc. Sua duração é de aproximadamente cinco a sete dias e tem uma maior incidência nos meses frios. Em geral desaparece naturalmente sem tratamento, apenas com medidas de controle geral (repouso relativo, ingestão de líquidos, etc.). Os antibióticos não funcionam na gripe e não devem ser utilizados de rotina.
9 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
11 Contagiosa: 1. Que é transmitida por contato ou contágio. 2. Que constitui veículo para o contágio. 3. Que se transmite pela intensidade, pela influência, etc.; contagiante.
12 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
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