Gostou do artigo? Compartilhe!

Medicina Preventiva - O que é? E como evitar doenças?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é Medicina Preventiva?

O sábio ditado “é melhor prevenir que remediar” não tem sido seguido à risca pela medicina atual, mas poderia torná-la mais simples, menos onerosa e mais eficaz. O que se chama de Medicina Preventiva deveria ser uma prática constituída por esforços direcionados à prevenção de doenças ou lesões1, seja na comunidade como um todo, seja no indivíduo singular. Mas só muito timidamente isso tem acontecido.

A lógica da Medicina Preventiva é identificar os fatores de risco de adoecer, no indivíduo e na sociedade, e reduzi-los ou eliminá-los. Ao invés disso, tem-se praticado uma medicina predominantemente curativa, cada vez mais voltada para novas medicações, técnicas e aparelhos de tratamento.

Acanhadas atividades preventivas acabam sendo praticadas de algum modo por todos os médicos, mas a Medicina Preventiva em toda a extensão de seu significado não depende apenas dos médicos, envolve também problemas de meio ambiente, saneamento, poluição, etc. Ela dever concentrar-se, além de na saúde2 individual, na saúde2 das comunidades e populações definidas, pelo que é muitas vezes chamada também de saúde2 pública, embora não sejam a mesma coisa.

Os médicos especializados em Medicina Preventiva são profissionais que, além das ciências médicas, devem possuir habilidades em ciências sociais, econômicas e comportamentais e possuir competências essenciais em bioestatística, epidemiologia, medicina ambiental e ocupacional, planejamento e avaliação de serviços de saúde2, gerenciamento de organizações de saúde2, pesquisa sobre causas de doenças e lesões1 em grupos populacionais e a prática de prevenção em medicina clínica.

A âmbito da Medicina Preventiva é muito extenso:

  • Prevenção primária, quando procura evitar a ocorrência da doença, começando desde o período gestacional. Esta é a área de maior abrangência da Medicina Preventiva, atuando antes mesmo da doença dar seus primeiros sinais3.
  • Prevenção secundária, que trata de diagnosticar e tratar as enfermidades em seus estágios iniciais, para impedir que evoluam e tragam maiores danos à saúde2.
  • Prevenção terciária, que visa diminuir os efeitos negativos de uma enfermidade instalada, restabelecendo a função comprometida, diminuindo as complicações e impedindo que ela evolua e traga novos danos ao organismo.
  • Prevenção quaternária, que busca evitar ou minimizar os efeitos de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas.

A Medicina Preventiva começou a ganhar força a partir da década de 1980 e seu desenvolvimento foi impulsionado, entre outros fatores, pela preocupação com os altos custos dos tratamentos no sistema de saúde2 e a constatação de que prevenir as enfermidades é menos oneroso que tratá-las.

Fatores de risco que favorecem a eclosão das enfermidades

A Medicina Preventiva deve atuar principalmente sobre os fatores de risco que favorecem a eclosão das enfermidades, seja evitando-os, seja combatendo seus efeitos, seja orientando os pacientes com relação a eles.

Os principais fatores de risco que favorecem ou desencadeiam enfermidades são:

  1. As estações do ano, uma vez que há enfermidades mais incidentes4 no inverno, como as gripes, por exemplo, e outras no verão, como as diarreias
  2. O clima, porque há enfermidades mais afeitas aos climas secos e outras próprias de climas úmidos
  3. A alimentação, já que algumas enfermidades são desencadeadas em virtude de hábitos alimentares incorretos
  4. O sedentarismo5, que favorece a eclosão de muitas enfermidades e dá origem a outras
  5. O uso indiscriminado de tabaco, álcool e drogas, que abre as portas para muitas enfermidades
  6. A exposição a agentes agressores externos, químicos, físicos ou biológicos
  7. Maus hábitos de cuidados pessoais ou de higiene, que podem resultar em doenças
  8. O contato com micróbios e vetores das doenças
  9. Baixa atuação do sistema autoimune6
  10. Solução de continuidade na pele7 ou mucosas8 (perfurações, cortes, feridas)
Leia sobre "Tabagismo", "Parar de fumar", "Alimentação saudável" e "Sedentarismo5".

Como prevenir as enfermidades?

Além de evitar os fatores de risco, algumas providências médicas também podem evitar enfermidades ou minorar o efeito delas.

  1. As vacinas, hoje em dia, previnem grande número das doenças infecciosas
  2. Os antibióticos, usados profilaticamente em algumas situações, previnem muitas infecções9
  3. O diagnóstico10 precoce (às vezes ainda intrauterino) de malformações11 e degenerações permite que os efeitos delas possam ser evitados, minimizados ou corrigidos
  4. O diagnóstico10 precoce de erros metabólicos que potencialmente teriam más consequências pode ajudar a corrigi-los ou evitá-los
  5. A detecção e remoção de situações pré-cancerosas evitam a instalação do câncer12
  6. Exames laboratoriais e de imagens podem mostrar sinais3 precoces de potenciais enfermidades que podem ser evitadas ou minimizadas em seus efeitos
  7. Uma dieta equilibrada ajuda a preservar a saúde2
  8. A evitação do estresse tem importante papel na conservação da saúde2
  9. O aconselhamento genético leva os pais a poderem administrar o risco de doenças genéticas e hereditárias e fazerem um correto planejamento familiar
  10. Exames médicos gerais e periódicos (checkups) e controles periódicos específicos como mamografia13, dosagem do PSA, colonoscopia14, dosagem do colesterol15, etc. podem detectar situações pré-mórbidas e doenças em seu estágio inicial
Veja também sobre "Exame de Papanicolau16", "Toque retal", "Exame de sangue17 oculto nas fezes" e "Pólipos18 intestinais".

O que faz o médico especializado em Medicina Preventiva?

O médico especialista em Medicina Preventiva tem como meta evitar que as doenças surjam e se desenvolvam nos indivíduos ou nas populações. Sua atuação é mais voltada para o social que para o indivíduo singular, embora também atue no nível individual.

No nível individual, uma das principais ferramentas desse especialista é o diagnóstico10 precoce. Por meio de exames regulares, ele busca detectar fatores de risco das doenças em sua fase inicial e reduzir ou eliminar os efeitos deles. Dessa forma, ele pode intervir para impedir o desenvolvimento da doença ou iniciar o tratamento a tempo de evitar ou minimizar os danos à saúde2 do paciente. Estas intervenções costumam envolver um trabalho intensivo de educação, que estimule hábitos saudáveis entre os indivíduos e entre a população.

Por ter uma formação específica na área, o médico especialista em Medicina Preventiva é a pessoa ideal para coordenar um departamento de cuidados preventivos coletivos ou atuar em operadoras de saúde2 e se envolvendo em programas de bem-estar, campanhas de checkups e diagnósticos precoces, exames médicos periódicos, grupos de apoio a pacientes com doenças crônicas, entre outras atividades.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Encyclopedia Britannica e do American College of Preventive Medicine.

ABCMED, 2019. Medicina Preventiva - O que é? E como evitar doenças?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/vida-saudavel/1346723/medicina-preventiva-o-que-e-e-como-evitar-doencas.htm>. Acesso em: 25 set. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
2 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
3 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
4 Incidentes: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
5 Sedentarismo: Qualidade de quem ou do que é sedentário, ou de quem tem vida e/ou hábitos sedentários. Sedentário é aquele que se exercita pouco, que não se movimenta muito.
6 Autoimune: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
7 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
8 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
9 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
11 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
12 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
13 Mamografia: Estudo radiológico que utiliza uma técnica especial para avaliar o tecido mamário. Permite diagnosticar tumores benignos e malignos em fase inicial na mama. É um exame que deve ser realizado por mulheres, como prevenção ao câncer.
14 Colonoscopia: Estudo endoscópico do intestino grosso, no qual o colonoscópio é introduzido pelo ânus. A colonoscopia permite o estudo de todo o intestino grosso e porção distal do intestino delgado. É um exame realizado na investigação de sangramentos retais, pesquisa de diarreias, alterações do hábito intestinal, dores abdominais e na detecção e remoção de neoplasias.
15 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
16 Papanicolau: Método de coloração para amostras de tecido, particularmente difundido por sua utilização na detecção precoce do câncer de colo uterino.
17 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
18 Pólipos: 1. Em patologia, é o crescimento de tecido pediculado que se desenvolve em uma membrana mucosa (por exemplo, no nariz, bexiga, reto, etc.) em resultado da hipertrofia desta membrana ou como um tumor verdadeiro. 2. Em celenterologia, forma individual, séssil, típica dos cnidários, que se caracteriza pelo corpo formado por um tubo ou cilindro, cuja extremidade oral, dotada de boca e tentáculos, é dirigida para cima, e a extremidade oposta, ou aboral, é fixa.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Medicina Preventiva e Social?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.