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Exame de sangue oculto nas fezes: como é feito o exame? Quem deve e quem não deve fazer? O que significa um resultado positivo?

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Em que consiste o exame de sangue1 oculto nas fezes?

O exame de sangue1 oculto nas fezes procura detectar a presença de sangue1 nas fezes que não pode ser visto a olho2 nu. No caso de sangue1 oculto, as fezes geralmente têm aspecto normal e a presença de sangue1 só pode ser reconhecida através de análises laboratoriais. Um resultado positivo para esse exame indica a presença de alguma condição que esteja vertendo sangue1 no intestino grosso3, às vezes em pequenas quantidades.

Como é feito o exame de sangue1 oculto nas fezes?

No preparo para o exame o paciente não deve usar medicamentos que irritem a mucosa4 gastrointestinal, evitar sangramento gengival ou nasal e fazer uma dieta nos três dias que antecedem ao exame com exclusão de carne (vermelha e branca), vegetais, leguminosas, azeitonas, amendoim, nozes, avelãs e castanhas. A ingestão de carnes é contraindicada porque, dependendo do método usado, o laboratório não consegue fazer distinção entre sangue1 humano e sangue1 de outros animais. Outras restrições podem acontecer para não correr-se o risco desses alimentos presentes nas fezes reagirem com os componentes químicos usados para análise da coleta. Se o método utilizado for o de ensaios imunocromatográficos, ainda raro em nosso meio, não haverá necessidade de dietas ou de restrições ao consumo de medicamentos e outros interferentes. De um modo geral, devem ser evitadas beterrabas, brócolis, melão, cenoura, couve-flor, pepino, peixe, toranja, raiz-forte, cogumelos, aves, rabanete, carne vermelha, nabo e alimentos ou bebidas enriquecidas com vitamina5 C.

O paciente deve coletar pelo menos três amostras de fezes frescas, em três dias diferentes, colocá-las em frascos esterilizados fornecidos pelo laboratório e levá-las no mesmo dia em que forem colhidas para serem analisadas. Se não houver possibilidades de encaminhar as amostras no mesmo dia em que forem colhidas, elas devem ser mantidas a baixas temperaturas (5° a 10°C) e encaminhadas ao laboratório assim que possível, no máximo dentro de catorze horas. No laboratório, o exame de sangue1 consiste em misturar as fezes com reagentes químicos específicos. Se houver hemoglobina6 (proteína presente nos glóbulos vermelhos) nas fezes, a mistura muda de cor, ficando azulada. Atualmente, porém, já há técnicas mais modernas, como testes imunológicos, que consistem no uso de anticorpos7 contra a hemoglobina6 humana. Além de ser mais sensível, este exame só detecta a hemoglobina6 humana e com isso deixa de haver restrições quanto a comer carne. O resultado do exame de sangue1 oculto as fezes normalmente é dado de um dia para outro, como positivo ou negativo. Um resultado positivo significa que a pessoa tem um sangramento em algum local do intestino e deve fazer uma colonoscopia8 para descobrir exatamente esse local e o motivo desse sangramento.

No laudo geralmente consta também a metodologia usada para fazer o exame.

Quem deve fazer o exame de sangue1 oculto nas fezes?

O exame deve ser feito por todas as pessoas que sofram ou se suspeita sofrerem sangramentos no interior do intestino. Ele também deve ser feito em todas aquelas situações em que se observe uma mudança de coloração das fezes, especialmente no sentido de escurecimento delas, que não possa ser explicada por outras causas. Preventivamente, a pesquisa de sangue1 oculto nas fezes deve ser realizada por homens e mulheres a partir dos 40 anos ou que possuem histórico familiar de câncer9 intestinal. Ela também pode ajudar a identificar pólipos10 no cólon11 ou reto12 ou doenças inflamatórias intestinais. O exame pode ser usado na investigação de anemias de causa desconhecida, no controle de doenças inflamatórias intestinais ou outras causas de inflamação13 do intestino grosso3. Um teste de sangue1 oculto positivo pode ser um sinal14 de lesão15 do estômago16, como úlcera péptica17, por exemplo, mas a principal indicação do exame é para o rastreio do câncer9 de cólon11, porque um tumor18 no cólon11 provoca discretas perdas de sangue1 muito antes de qualquer outro sintoma19. O teste oculto de sangue1 nas fezes também pode detectar a presença de pólipos10 que são lesões20 precursoras do câncer9.

Quem não deve fazer o exame de sangue1 oculto nas fezes?

Não há impedimento para qualquer pessoa fazer a pesquisa de sangue1 oculto nas fezes, no entanto, o exame não é usado para diagnóstico21 de doenças que acometem a parte alta do trato gastrointestinal e, em mulheres, não deve ser colhido durante o período menstrual e até três dias após. Ele também não deve ser feito se o paciente estiver apresentando sangramento hemorroidário ou sangue1 na urina22, porque essas condições podem alterar o seu resultado.

O que decorre do exame de sangue1 oculto nas fezes?

Um resultado positivo no exame de sangue1 oculto pode significar coisas muito simples ou de pouca importância clínica como uma pequena irritação da mucosa intestinal23, hemorroidas24, fissuras25 no reto12 ou ânus26, diverticulose27 ou também algo grave como um câncer9 colorretal, uma doença maligna, mas curável em até 97% dos casos quando diagnosticada precocemente. Em geral, esse câncer9 não provoca outros sintomas28 em seus estágios iniciais, podendo o primeiro deles ser o sangue1 oculto nas fezes. O teste, mesmo se positivo, não indica a causa do sangramento nem de qual região do trato gastrintestinal este sangramento é proveniente. Para apurar isso o paciente deverá realizar exames como endoscopia29 digestiva alta, colonoscopia8 ou retossigmoidoscopia30. A maioria dos pacientes que possuem resultado positivo nesse exame não está com câncer9.

ABCMED, 2014. Exame de sangue oculto nas fezes: como é feito o exame? Quem deve e quem não deve fazer? O que significa um resultado positivo?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/578807/exame-de-sangue-oculto-nas-fezes-como-e-feito-o-exame-quem-deve-e-quem-nao-deve-fazer-o-que-significa-um-resultado-positivo.htm>. Acesso em: 21 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
2 Olho: s. m. (fr. oeil; ing. eye). Órgão da visão, constituído pelo globo ocular (V. este termo) e pelos diversos meios que este encerra. Está situado na órbita e ligado ao cérebro pelo nervo óptico. V. ocular, oftalm-. Sinônimos: Olhos
3 Intestino grosso: O intestino grosso é dividido em 4 partes principais: ceco (cecum), cólon (ascendente, transverso, descendente e sigmoide), reto e ânus. Ele tem um papel importante na absorção da água (o que determina a consistência do bolo fecal), de alguns nutrientes e certas vitaminas. Mede cerca de 1,5 m de comprimento.
4 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
5 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
6 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
7 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
8 Colonoscopia: Estudo endoscópico do intestino grosso, no qual o colonoscópio é introduzido pelo ânus. A colonoscopia permite o estudo de todo o intestino grosso e porção distal do intestino delgado. É um exame realizado na investigação de sangramentos retais, pesquisa de diarreias, alterações do hábito intestinal, dores abdominais e na detecção e remoção de neoplasias.
9 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
10 Pólipos: 1. Em patologia, é o crescimento de tecido pediculado que se desenvolve em uma membrana mucosa (por exemplo, no nariz, bexiga, reto, etc.) em resultado da hipertrofia desta membrana ou como um tumor verdadeiro. 2. Em celenterologia, forma individual, séssil, típica dos cnidários, que se caracteriza pelo corpo formado por um tubo ou cilindro, cuja extremidade oral, dotada de boca e tentáculos, é dirigida para cima, e a extremidade oposta, ou aboral, é fixa.
11 Cólon:
12 Reto: Segmento distal do INTESTINO GROSSO, entre o COLO SIGMÓIDE e o CANAL ANAL.
13 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
14 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
15 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
16 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
17 Úlcera péptica: Lesão na mucosa do esôfago, estômago ou duodeno. Também chamada de úlcera gástrica ou duodenal. Pode ser provocada por excesso de ácido clorídrico produzido pelo próprio estômago ou por medicamentos como antiinflamatórios ou aspirina. É uma doença infecciosa, causada pela bactéria Helicobacter pylori em quase 100% dos casos. Os principais sintomas são: dor, má digestão, enjôo, queimação (azia), sensação de estômago vazio.
18 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
19 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
20 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
21 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
22 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
23 Mucosa Intestinal: Revestimento dos INTESTINOS, consistindo em um EPITÉLIO interior, uma LÂMINA PRÓPRIA média, e uma MUSCULARIS MUCOSAE exterior. No INTESTINO DELGADO, a mucosa é caracterizada por várias dobras e muitas células absortivas (ENTERÓCITOS) com MICROVILOSIDADES.
24 Hemorróidas: Dilatações anormais das veias superficiais que se encontram na última porção do intestino grosso, reto e região perianal. Pode produzir sangramento junto com a defecação e dor.
25 Fissuras: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
26 Ânus: Segmento terminal do INTESTINO GROSSO, começando na ampola do RETO e terminando no ânus.
27 Diverticulose: Presença de pequenas bolsas que se projetam para fora da parede intestinal, chamadas divertículos. São mais comuns em pessoas idosas, geralmente são assintomáticos e a maioria localiza-se no cólon sigmóide (parte final do intestino grosso). Os divertículos podem sangrar ou infeccionar.
28 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
29 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
30 Retossigmoidoscopia: Exploração visual do reto e da porção terminal do intestino grosso através de um instrumento de fibra óptica (retossigmoidoscópio). Permite também a obtenção de biópsias da mucosa intestinal.
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