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Moscas volantes - o que são? Como elas surgem? O que fazer para evitar?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
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Moscas volantes - o que são? Como elas surgem? O que fazer para evitar?

O que são moscas volantes?

Moscas volantes (do latim: muscae volitantes = moscas esvoaçantes) são pequenos pontos escuros, manchas, filamentos, círculos ou teias de aranha comuns que parecem mover-se na frente de um ou de ambos os olhos, mas que não correspondem a objetos externos. Há mais de dois mil anos, na Roma antiga, as pessoas já usavam a expressão "muscae volitantes" para descrever essa condição oftalmológica.

Quais são as causas das moscas volantes?

As moscas volantes são causadas por proteínas ou minúsculas partículas do humor vítreo (substância gelatinosa viscosa que preenche o olho e se encontra entre o cristalino e a retina) condensado, que se movimentam dentro do olho, que normalmente é transparente e homogêneo. Qualquer lesão ocular que permita a entrada de algum material no humor vítreo que fique flutuado nele também pode ocasionar moscas volantes.

Elas ocorrem com maior frequência após os 45 anos de idade entre as pessoas que têm miopia e as que se submeteram à cirurgia de catarata ou a tratamentos oculares com laser e, também, entre as que sofreram inflamação no interior do olho.

Qual é o substrato fisiológico das moscas volantes?

À medida que envelhecemos, o vítreo se contrai e isso faz surgir pequenas imperfeições que lançam sombras na retina ou refratam a luz causando manchas no campo visual. Entre os 50 e 75 anos, o humor vítreo é progressivamente reduzido e de vez em quando traciona a retina. Esses puxões estimulam a retina, dando a ilusão de luz ou objetos, conhecidos como pontos flutuantes (ou moscas volantes). Com menor frequência, o humor vítreo de afasta totalmente da retina, provocando um descolamento vítreo.

As partículas flutuantes no vítreo estimulam a retina, que envia um sinal para o cérebro, que o interpreta como um objeto flutuando no campo de visão ou como um repentino flash de luz, semelhante a raios, manchas ou estrelas. Essas fotopsias são semelhantes às que podem ocorrer quando se esfrega os olhos fazendo pressão sobre eles.

Saiba mais sobre "Miopia", "Catarata", "Fotofobia" e "Retinopatia diabética".

Quais são as principais características clínicas das moscas volantes?

Embora pareçam estar na frente dos olhos, na realidade, as moscas volantes estão flutuando no vítreo, dentro deles. Nem sempre elas interferem prejudicialmente na visão. Mas, às vezes, bloqueiam a luz e lançam sombras na retina, a parte posterior do olho onde se forma a imagem.

São percebidas mais facilmente durante a leitura ou quando se olha fixamente para uma parede vazia, por exemplo. Têm a forma de pontos, linhas, ou fragmentos de teias de aranhas, que flutuam vagarosamente em frente aos olhos, como fenômenos endópticos. O desconforto causado pelas moscas volantes é chamado miodesopsia.

A chamada enxaqueca visual algumas vezes causa sintomas da mesma natureza que as moscas volantes, mas eles se resolvem em cerca de 20 minutos, desaparecendo em seguida. As pessoas que experimentam esse fenômeno podem mesmo não ter dor de cabeça.

Como o médico diagnostica as moscas volantes?

O diagnóstico de moscas volantes se inicia com a descrição do fenômeno pelo paciente. O médico pode vê-las com o uso de um oftalmoscópio ou biomicroscópio, aumentando a iluminação de fundo para diminuir o diâmetro da pupila, o que permite uma melhor visualização delas. Devem ser diferenciadas da neve visual, fenômeno neurológico raro que leva à visualização de imagens como os populares “chuviscos” da TV.

Como o médico trata as moscas volantes?

Atualmente, não há consenso quanto ao tratamento. Muitas vezes elas nem necessitam tratamento porque com o passar do tempo tendem a diminuir e podem se tornar menos incômodas ou até mesmo não mais serem notadas. Mas, se as moscas volantes forem um sintoma de rasgo na retina, ele deve ser selado com laser argônio ou por crioterapia, a fim de evitar que provoque o descolamento da retina, o que pode ocasionar cegueira.

Algumas vezes (embora raramente), a vitrectomia, em que o médico usa uma agulha para retirar o humor vítreo do olho e substitui-lo por uma solução salina, pode ser utilizada. No entanto, o procedimento pode causar descolamento da retina ou catarata e algumas vezes os pontos flutuantes podem permanecer após o procedimento.

Se o fenômeno for causado por alguma doença de base como, por exemplo, descolamento da retina ou inflamações do vítreo, elas devem ser tratadas por meios próprios.

Leia sobre "Deficiência visual",  "Retinopatia", "Degeneração macular", "Fundo de olho" e "Retinografia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos site do CBO – Conselho Brasileiro de Oftalmologia e do MSD Manuals.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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