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Como é a miopia?

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O que é miopia1?

Uma visão2 normal depende, dentre outros fatores, de que as estruturas do olho3 façam os raios luminosos captados no exterior convergirem exatamente sobre os pontos sensíveis da retina4. A miopia1 (ou hipometropia) é um dos mais frequentes distúrbios de refração visual. Ela faz com que a imagem dos objetos focalizados seja formada à frente da retina4, seja por uma menor distância focal do cristalino5, seja por um alongamento anormal do olho3 ou por uma curvatura anormal da córnea6, o que faz com que a pessoa míope veja os objetos distantes como se estivessem embaçados (desfocados), embora os mais próximos possam ser vistos com melhor nitidez.

A pessoa míope enxerga melhor de perto do que de longe. Por isso é comum que ela procure aproximar dos olhos7 aqueles objetos que deseja visualizar ou contraia os olhos7 na tentativa de ver com mais clareza. A palavra “miopia” vem do grego e significa "olho3 fechado", numa alusão a esta atitude das pessoas míopes de apertar os olhos7 para enxergar melhor à distância.

Quais são as causas da miopia1?

A miopia1 afeta igualmente homens e mulheres. Alguns especialistas acreditam que as causas mais comuns da miopia1 são ambientais e, raramente, genéticas, mas há quem discorde. Parece provável que a miopia1 seja o resultado de uma complementariedade entre esses fatores. Durante o crescimento, os vários fatores que afetam o estado refrativo do olho3 combinam-se para que o resultado final seja a emetropia (estado do olho3 que forma as imagens corretamente sobre a retina4). Contudo, parece fora de dúvidas que prolongados períodos de leitura e a deficiência de luz solar podem facilitar a ocorrência da miopia1. Também há evidências que essa exposição aos raios solares estimula a produção de dopamina8 que inibe o alongamento da esfera ocular. Duas a três horas diárias ao ar livre seriam o suficiente para prevenir esse efeito.

Outros fatores que têm sido apontados como favorecedores da miopia1 são:

  • Uma dieta rica em hidratos de carbono.
  • Má iluminação.
  • Estresse.
  • Dormir muito.

A miopia1 em pessoas idosas parecer ser devido a uma alteração do índice de refração do cristalino5. Trata-se de um caso de catarata9 incipiente em que o cristalino5 ainda se mantém transparente.

Quais são os sinais10 e sintomas11 da miopia1?

A pessoa míope se queixa de má visão2 ao longe, enquanto que a visão2 de perto se conserva normal. Se um indivíduo tem muitos graus de miopia1, mesmo para ver bem de perto tem que aproximar-se muito daquilo que deseja ver, um fato que se torna muito incômodo para ele. No ambiente caseiro, aquela dificuldade de enxergar pode aparecer como uma dificuldade para ver televisão, ler ou executar outras tarefas cotidianas. Na escola, muitos alunos podem apresentar baixo rendimento nos estudos devido às suas dificuldades de enxergar bem, antes que sejam diagnosticados como míopes.

Outros sintomas11 das pessoas míopes, além da visão2 turva, são o constante pestanejar, dores de cabeça12 e tensão ocular. O fato de cerrar os olhos7 para verem ao longe parece melhorar um pouco a acuidade visual13 delas.

Na maioria dos casos, os olhos7 com miopia1 são saudáveis, mas um pequeno número de pessoas com miopia1 grave pode desenvolver uma forma de degeneração14 da retina4, glaucoma15 ou catarata9.

Como o médico diagnostica a miopia1?

A princípio, o médico diagnostica a miopia1 a partir das queixas do paciente e confirma o diagnóstico16 por meio de um autorrefrator ou de um retinoscópio, que permite uma avaliação objetiva do olho3.

Em seguida pode ainda se valer de instrumentos mais sofisticados que, além de constatar a miopia1, indicam o seu grau, medido em dioptrias. Isso é necessário para refinar a prescrição de óculos ou lentes de contato que o oftalmologista17 fará ao paciente.

Como o médico trata a miopia1?

Na maioria das vezes, o oftalmologista17 irá prescrever lentes divergentes que joguem mais para frente a formação de imagens, fazendo-as coincidir com a retina4. Estas lentes podem vir sob a forma de óculos ou lentes de contato. Alguns casos de miopia1 podem ser corrigidos por cirurgia, mas isso é mais raro. A cirurgia visa melhorar o foco do olho3 “reformando” a porção central da córnea6.

Outros procedimentos técnicos podem ser utilizados, de acordo com avaliação especializada, mas só devem ser usados em casos específicos porque, de um modo geral, significam abandonar uma técnica simples por outra mais complexa. Defensores de terapias alternativas recomendam exercícios para os olhos7 e técnicas de relaxamento. Entretanto, a eficácia destas práticas é contestada por cientistas.

Como prevenir a miopia1?

Não há como prevenir as miopias relacionadas a fatores genéticos.

Algumas medidas, se não podem prevenir a miopia1, podem tornar mais lenta a sua progressão, como reduzir o esforço para focalizar objetos, usar óculos de leitura, relaxar os músculos18 ciliares, etc.

A luz do dia pode prevenir a miopia1, restringindo o crescimento do globo ocular19, que é responsável pela miopia1.

Como evolui a miopia1?

A Associação Americana de Optometria refere-se a estudos que indicam a eficácia das lentes bifocais como o método de controle da miopia1, mas outros estudos não mostraram diferenças significativas na alteração da progressão da miopia1 com o uso dessas lentes.

Nas correções cirúrgicas, um dos possíveis perigos é a infecção20.

Nas correções por lentes de contato, as complicações possíveis são as ulcerações21 e/ou infecções22 na córnea6.

Em casos raros, as pessoas com miopia1 grave não tratada podem desenvolver descolamento da retina4, glaucoma15, catarata9 ou degeneração macular23.

ABCMED, 2012. Como é a miopia?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-dos-olhos/309720/como+e+a+miopia.htm>. Acesso em: 26 set. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Miopia: Incapacidade para ver de forma clara objetos que se encontram distantes do olho.Origina-se de uma alteração dos meios de refração do olho, alteração esta que pode ser corrigida com o uso de lentes especiais, e mais recentemente com o uso de cirurgia a laser.
2 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
3 Olho: s. m. (fr. oeil; ing. eye). Órgão da visão, constituído pelo globo ocular (V. este termo) e pelos diversos meios que este encerra. Está situado na órbita e ligado ao cérebro pelo nervo óptico. V. ocular, oftalm-. Sinônimos: Olhos
4 Retina: Parte do olho responsável pela formação de imagens. É como uma tela onde se projetam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico. Possui duas partes: a retina periférica e a mácula.
5 Cristalino: 1. Lente gelatinosa, elástica e convergente que focaliza a luz que entra no olho, formando imagens na retina. A distância focal do cristalino é modificada pelo movimento dos músculos ciliares, permitindo ajustar a visão para objetos próximos ou distantes. Isso se chama de acomodação do olho à distância do objeto. 2. Diz-se do grupo de cristais cujos eixos cristalográficos são iguais nas suas relações angulares gerais constantes 3. Diz-se de rocha constituída quase que totalmente por cristais ou fragmentos de cristais 4. Diz-se do que permite que passem os raios de luz e em consequência que se veja através dele; transparente. 5. Límpido, claro como o cristal.
6 Córnea: Membrana fibrosa e transparente presa à esclera, constituindo a parte anterior do olho.
7 Olhos:
8 Dopamina: É um mediador químico presente nas glândulas suprarrenais, indispensável para a atividade normal do cérebro.
9 Catarata: Opacificação das lentes dos olhos (opacificação do cristalino).
10 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Cabeça:
13 Acuidade visual: Grau de aptidão do olho para discriminar os detalhes espaciais, ou seja, a capacidade de perceber a forma e o contorno dos objetos.
14 Degeneração: 1. Ato ou efeito de degenerar (-se). 2. Perda ou alteração (no ser vivo) das qualidades de sua espécie; abastardamento. 3. Mudança para um estado pior; decaimento, declínio. 4. No sentido figurado, é o estado de depravação. 5. Degenerescência.
15 Glaucoma: É quando há aumento da pressão intra-ocular e danos ao nervo óptico decorrentes desse aumento de pressão. Esses danos se expressam no exame de fundo de olho e por alterações no campo de visão.
16 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
17 Oftalmologista: Médico especializado em diagnosticar e tratar as doenças que acometem os olhos. Podem prescrever óculos de grau e lentes de contato.
18 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
19 Globo ocular: O globo ocular recebe este nome por ter a forma de um globo, que por sua vez fica acondicionado dentro de uma cavidade óssea e protegido pelas pálpebras. Ele possui em seu exterior seis músculos, que são responsáveis pelos movimentos oculares, e por três camadas concêntricas aderidas entre si com a função de visão, nutrição e proteção. A camada externa (protetora) é constituída pela córnea e a esclera. A camada média (vascular) é formada pela íris, a coroide e o corpo ciliar. A camada interna (nervosa) é constituída pela retina.
20 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
21 Ulcerações: 1. Processo patológico de formação de uma úlcera. 2. A úlcera ou um grupo de úlceras.
22 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
23 Degeneração macular: A degeneração macular destrói gradualmente a visão central, afetando a mácula, parte do olho que permite enxergar detalhes finos necessários para realizar tarefas diárias tais como ler e dirigir. Existem duas formas - úmida e seca. Na forma úmida, há crescimento anormal de vasos sanguíneos no fundo do olho, podendo extravasar fluidos que prejudicam a visão central. Na forma seca, que é a mais comum e menos grave, há acúmulo de resíduos do metabolismo celular da retina, aliado a graus variáveis de atrofia do tecido retiniano, causando uma perda visual central, de progressão lenta, podendo dificultar a realização de algumas atividades como ler e escrever ou a identificação de traços de fisionomia.
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