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Puberdade precoce - quais os sinais e quando procurar um médico?

segunda-feira, 26 de outubro de 2020
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Puberdade precoce - quais os sinais e quando procurar um médico?

O que é a puberdade normal?

A puberdade normal é uma sequência de mudanças físicas que resultam na maturidade sexual da pessoa e na sua capacidade de se reproduzir. Normalmente, essas alterações ocorrem em sequência, resultando na transformação da criança num adolescente e posteriormente num adulto. O início da puberdade ocorre quando o hipotálamo começa a estimular a hipófise a secretar o hormônio liberador de gonadotrofina, que estimula o crescimento dos órgãos sexuais em ambos os sexos. Estes órgãos então passam a secretar hormônios sexuais, como a testosterona e/ou o estrogênio, que causam a puberdade.

Nos meninos, os primeiros sinais de puberdade ocorrem entre os 12 e 14 anos e são o crescimento do escroto e dos testículos, seguido pelo alongamento do pênis. A seguir, ocorre o aparecimento de pelos púbicos e nas axilas.

Nas meninas, os sinais aparecem entre os 8 e os 13 anos e a primeira mudança da puberdade é o início do crescimento das mamas. Pouco depois, pelos pubianos e das axilas começam a crescer.

Em ambos os sexos, é a glândula adrenal que começa a secretar hormônios que causam o aparecimento de pelos púbicos e nas axilas. Esses hormônios adrenais são controlados por sinais químicos diferentes dos outros hormônios da puberdade.

Nos últimos anos, a puberdade normal tem começado cada vez mais cedo e os padrões tradicionais estão sendo reavaliados. Nos últimos 30 anos, a idade da menarca caiu em média 3 meses.

O que é a puberdade precoce?

A puberdade precoce é a condição em que o corpo de uma criança começa a maturação sexual mais cedo que o normal. Geralmente ocorre antes dos oito anos nas meninas e antes de nove anos em meninos. Os sintomas em meninas incluem o desenvolvimento da mama e um primeiro período menstrual. Os sintomas em meninos incluem testículos e pênis alargados, voz grossa e pelo facial, muitas vezes acima do lábio superior.

Leia sobre "Menarca", "Crises da adolescência", "Ginecomastia" e "Crescimento infantil - Quanto cresce uma criança".

Quais são as causas da puberdade precoce?

Na maioria das meninas afetadas, não é possível identificar uma causa específica. Nos meninos é mais fácil reconhecer uma lesão identificável subjacente, como tumores intracranianos, especialmente na região do hipotálamo ou da glândula pineal. A neurofibromatose e algumas outras doenças raras também podem estar relacionadas à puberdade precoce.

A puberdade precoce central também pode ser decorrente de causas iatrogênicas como, por exemplo, cirurgia, radioterapia ou quimioterapia para tratamento de câncer.

Na modalidade independente do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH - do inglês gonadotropin-releasing hormone), a puberdade precoce está sujeita ao efeito do hormônio sexual predominante, estrogênico ou androgênico, e as alterações físicas são mais discordantes do desenvolvimento puberal normal.

Qual é o substrato fisiológico da puberdade precoce?

Há dois tipos de puberdade precoce:

(1) puberdade precoce central, dependente do hormônio liberador de gonadotrofina

(2) puberdade precoce independente do GnRH

O tipo dependente de GnRH é o mais comum de modo geral e 5 a 10 vezes mais frequente nas meninas que nos meninos. Nesse tipo, o eixo hipotálamo-hipofisário é ativado, resultando em aumento e maturação das gônadas, desenvolvimento das características sexuais secundárias e produção de espermatozoide e óvulo (espermatogênese e oogênese, respectivamente).

A puberdade precoce independente do GnRH, muito menos comum, é o resultado de níveis circulantes elevados de andrógenos ou estrogênios, sem ativação do eixo hipotálamo-hipofisário.

Quais são as características clínicas da puberdade precoce?

Os sinais e sintomas da puberdade precoce são os mesmos da puberdade normal, apenas ocorrendo muito cedo. Nas meninas inclui desenvolvimento mamário, alteração corpórea, crescimento uterino e, eventualmente, menarca. E, nos meninos, inclui aumento do volume testicular, crescimento fálico, aparecimento de pelos pubianos, faciais e axilares, odor adulto do corpo, pele facial oleosa ou acne.

Um desenvolvimento puberal incompleto, que não envolve todos os órgãos igualmente, é comum e na maioria das vezes apresenta-se na forma de crescimento das mamas ou produção hormonal prematura isolada.

O limite inferior de normalidade puberal para as meninas é de 7 anos. A média para o desenvolvimento mamário nas meninas é entre os 8 anos e meio e os 10 anos.

Como o médico diagnostica a puberdade precoce?

A suspeita da puberdade precoce é clínica, baseada em sinais e sintomas. O diagnóstico de puberdade precoce é feito por comparação com os padrões comuns na população, usando-se radiografia das mãos e do punho para avaliar a idade óssea e avaliação dos níveis séricos das gonadotrofinas e esteroides gonadais e das suprarrenais. Também devem ser apurados níveis séricos dos hormônios e tomadas uma ultrassonografia pélvica e uma ressonância cerebral.

Como o médico trata a puberdade precoce?

O tratamento da puberdade precoce depende da sua causa. Normalmente, o tratamento consiste em um medicamento para atrasar a progressão do processo, o que pode ser feito por agonista do GnRH, antagonista de andrógenos ou estrógenos ou retirada de tumor, se necessário. Se os eventos da puberdade discreparem apenas um ano dos padrões populacionais, o tratamento pode não ser necessário e reexames de rotina serão suficientes para monitoramento.

Veja também sobre "Sinéquia dos pequenos lábios ou 'vagina fechada'", "Hiperplasia adrenal congênita", "Síndrome de Turner" e "Ovários policísticos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria e do Hospital Infantil de Sabará.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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