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Diferenças entre as depressões típica e atípica

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O que é uma depressão típica?

Uma depressão típica é representada pelo quadro depressivo do distúrbio bipolar do humor (depressão maior), definida por uma tríade sintomática1 constituída por:

  1. Tristeza
  2. Lentificação do curso do pensamento, da fala e dos atos
  3. Falta de reatividade emocional aos eventos externos

No entanto, a depressão não mostra apenas esses sintomas2, há também perda de interesse em atividades antes apreciadas; anedonia3, ou seja, perda da capacidade de sentir prazeres; completa falta de reação emocional aos eventos externos, tanto faz que tudo esteja muito bem ou muito mal; alterações no apetite, com perda ou ganho de peso não relacionado à dieta; déficit ou excesso de sono; aumento da fadiga4; sentimentos de desvalor e/ou culpa; dificuldade de concentrar-se ou tomar decisões e pensamentos de morte ou suicídio.

Leia sobre "Depressões", "Distimia" e "Transtorno bipolar do humor".

O que é uma depressão atípica?

A depressão atípica é um subtipo de depressão que envolve vários sintomas2 específicos. A principal diferença dela com uma depressão típica talvez seja que ela conta com períodos de melhoria do humor em resposta a eventos ambientais positivos. Esse humor, que reage com mais vigor às circunstâncias ambientais, é extremamente sensível à rejeição.

A depressão atípica é mais ou menos o mesmo que a distimia, algo diferente da depressão maior, composta por sintomas2 bastante semelhantes a ela, mas caracterizada pela reatividade do humor relacionada a eventos positivos. Normalmente os pacientes que sofrem de outros tipos de depressão não reagem emocionalmente, mesmo quando expostos a eventos positivos.

Apesar de seu nome, a depressão "atípica" é atualmente a mais prevalente entre as depressões (mais de 40% dos casos).

Quais são as causas da depressão atípica?

A depressão atípica geralmente ocorre após a pessoa se sentir rejeitada, seja durante um rompimento, durante uma disputa com um amigo ou durante problemas de relacionamento no trabalho. Alguns cientistas especulam que a depressão atípica esteja relacionada a distúrbios da tireoide5. Outros chamam a atenção para o fato de que pessoas com depressão atípica muitas vezes já experimentaram depressão em idade precoce, durante a adolescência.

Fatores de risco para a depressão atípica parecem ser uma história de depressão na família, desequilíbrios hormonais, eventos estressantes da vida, gravidez6 e doenças crônicas como, por exemplo, doenças cardíacas, diabetes7 etc.

Quais são as principais características clínicas da depressão atípica?

A depressão atípica é uma das formas mais comuns de depressão. O termo "atípica" vem do fato de que muitos sintomas2 da depressão atípica são o inverso daqueles da depressão maior, considerada “típica”. Por exemplo, pessoas que sofrem de depressão atípica são capazes de lidar com o mundo exterior e dar a impressão de que está tudo bem. O paciente se sentirá ótimo por um momento, quando lhe são anunciadas boas notícias, mas também muito ruim ante o menor aborrecimento ou crítica. A variedade atípica também apresenta reatividade do humor.

Os primeiros sintomas2 da depressão atípica são a tendência a comer e a dormir demais, ao contrário dos sintomas2 da depressão maior, caracterizada pela perda de peso e insônia. Os demais sintomas2 comuns incluem hipersonia (excesso de sono), cansaço geral, mesmo depois de uma noite de sono, sensação de pernas pesadas, apetite mais forte por doces, chocolate e açúcares em geral, variações de peso e forte sensibilidade à rejeição ou crítica nas relações sociais.

Saiba mais sobre "Depressão maior", "Insônia" e "Hipersonia".

Como o médico diagnostica a depressão atípica?

A depressão atípica é diagnosticada clinicamente a partir dos sintomas2 e da história médica do paciente, não havendo nenhum exame laboratorial capaz de detectar a situação.

Como o médico trata a depressão atípica?

Um psiquiatra deve ser consultado sobre a forma de depressão do paciente e seu grau de gravidade, porque o tratamento será diferente, dependendo do tipo de depressão. Parece que os antidepressivos do tipo IMAO8 podem tratar melhor a depressão atípica que os antidepressivos tricíclicos ou outros. No entanto, os efeitos colaterais9 dos IMAOs e a dieta rigorosa que deve ser respeitada com esse tipo de antidepressivo continuam sendo seus grandes inconvenientes.

A psicoterapia continua sendo um acompanhamento indispensável para a depressão atípica.

Veja também sobre "Antidepressivos", "Terapia cognitivo10 comportamental" e "Psicoterapia".

 

ABCMED, 2019. Diferenças entre as depressões típica e atípica. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1337803/diferencas-entre-as-depressoes-tipica-e-atipica.htm>. Acesso em: 19 jul. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sintomática: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Anedonia: Perda da capacidade de sentir prazer. Perda de prazer nas atividades diárias.
4 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
5 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
6 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
7 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
8 IMAO: Tipo de antidepressivo que inibe a enzima monoaminoxidase (ou MAO), hoje usado geralmente como droga de terceira linha para a depressão devido às restrições dietéticas e ao uso de certos medicamentos que seu uso impõe. Deve ser considerada droga de primeira escolha no tratamento da depressão atípica (com sensibilidade à rejeição) ou agente útil no distúrbio do pânico e na depressão refratária. Pode causar hipotensão ortostática e efeitos simpaticomiméticos tais como taquicardia, suores e tremores. Náusea, insônia (associada à intensa sonolência à tarde) e disfunção sexual são comuns. Os efeitos sobre o sistema nervoso central incluem agitação e psicoses tóxicas. O término da terapia com inibidores da MAO pode estar associado à ansiedade, agitação, desaceleração cognitiva e dor de cabeça, por isso sua retirada deve ser muito gradual e orientada por um médico psiquiatra.
9 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
10 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
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