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Mancha e coceira na virilha? Você pode estar com Tinea cruris!

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O que é tinea cruris?

A tinea cruris, popularmente conhecida como coceira de jóquei, é uma infecção1 fúngica2 da pele3. É um tipo de dermatofitose (micoses ocasionadas por fungos filamentosos conhecidos como dermatófitos4) muito comum.

Quais são as causas da tinea cruris?

A tinea cruris é causada principalmente pelo fungo5 Trichophyton rubrum, mas pode haver outros. Infecções6 oportunistas (infecções6 tornadas possíveis por um sistema imunológico7 debilitado) desse fungo5 são muito frequentes. O fungo5 da infecção1 do pé de um atleta pode se espalhar pela virilha através da roupa ou de outros meios. Roupas restritivas, como cuecas apertadas, por exemplo, aprisionam calor e umidade, proporcionando um ambiente ideal para o crescimento de fungos.

Saiba mais sobre "Micoses", "Micoses superficiais", "Como evitar as micoses" e "Infecções6 oportunistas".

Quais são as principais características clínicas da tinea cruris?

A tinea cruris costuma atingir as regiões inguinal (virilhas), a parte interna das coxas e nádegas8 (região perianal e períneo9), por serem estas normalmente regiões mais úmidas e aquecidas, causando placas10 avermelhadas que podem ser dolorosas e intensa coceira. Justamente por isso, a infecção1 é muito mais comum nos homens, porque a área entre o escroto11 e a coxa pode reter maior umidade. Pelos mesmos motivos, a tinea cruris é mais comum nos climas quentes ou quando as pessoas usam roupas úmidas ou apertadas. Os obesos apresentam maior risco porque suas pregas cutâneas12 retêm umidade.

O sinal13 que mais claramente identifica esta condição é uma mancha irritada vermelha ou marrom da pele3, com aneis claros, geralmente em ambos os lados do corpo. Os fungos responsáveis pela micose14 na virilha podem, em certos casos, levar ao aparecimento de bolhas em várias partes da pele3. A infecção1 causa coceira ou sensação de queimação nas áreas afetadas. Essas áreas podem produzir descamação15, ondulação ou rachadura da pele3.

Originária da virilha, dobras da pele3 e ânus16, é possível que a infecção1 se espalhe para outras partes do corpo e seja altamente contagiosa17. A tinea cruris não afeta ou afeta pouco o escroto11. Esta infecção1 muitas vezes reincide, principalmente nas pessoas que tenham onicomicoses (micoses das unhas18) ou tinea pedis (pé de atleta), porque essas infecções6 podem se estender às virilhas.

Como o médico diagnostica a tinea cruris?

O diagnóstico19 de tinea cruris costuma ser óbvio para os médicos, por meio de um exame físico. Os médicos baseiam o diagnóstico19 em um exame da virilha, que exibirá uma mancha típica. Se o diagnóstico19 não for óbvio, os médicos podem fazer uma raspagem de pele3 e examiná-la ao microscópio. Um diagnóstico19 diferencial deve ser feito com a infecção1 por Candida albicans. Na candidíase20, as lesões21 tendem a aparecer e desaparecer (com tratamento) mais rapidamente.

Saiba mais sobre a "Micose14 de unha", "Frieira ou Pé de atleta" e "Candidíase20", .

Como o médico trata a tinea cruris?

O tratamento da tinea cruris é feito com medicamentos anti-micóticos aplicados diretamente nas áreas afetadas ou às vezes ingeridos por via oral. O tratamento local envolve creme ou loção anti-micótica. Os medicamentos administrados por via oral podem ser necessários no caso de pessoas com infecções6 amplamente disseminadas ou envolvendo inflamações22 ou infecções6 difíceis de curar.

Algumas providências caseiras também podem ajudar, mas não deixe de consultar um dermatologista para o correto tratamento.

  • Lave a virilha de duas a três vezes por dia utilizando um sabonete antifúngico.
  • Use roupas íntimas mais folgadas e de algodão.
  • Troque de toalha com frequência enquanto estiver tratando a micose14 e deixe-as secando ao sol para evitar a umidade nelas depositada após o banho.
  • Aplique um talco que mantenha o local seco.
  • Use uma solução com sal e alumínio.
  • O cloreto de alumínio 10% ou o acetato de alumínio são antitranspirantes eficazes, pois “entopem” as glândulas sudoríparas23.
  • Use uma compressa medicada para tratar bolhas.
  • Tente usar um remédio caseiro: mergulhe gaze ou pano em vinagre branco diluído (quatro partes de água para uma de vinagre) e aplique contra o local contaminado duas vezes por dia.
  • Despeje 1/4 de uma xícara de Clorox em uma banheira cheia de água e banhe-se nela a cada um ou dois dias.

Como prevenir a tinea cruris?

Uma das abordagens preventivas consiste na remoção de calor e umidade da região da virilha. Após o banho, seque bem a região com uma toalha limpa. As roupas íntimas devem ser de tecido24 de permeabilidade25 ao ar e à umidade.

Se for o caso, combata a tinea pedis (“pé de atleta”) que pode voltar a infectar a virilha. Se a pessoa estiver lidando com o pé de atleta, deve colocar as meias antes de usar roupas íntimas, para evitar espalhar o fungo5 para a virilha.

Veja também: "Axilas manchadas - Pode ser eritrasma", "Dermatite seborreica26" e "Tinea capitis27 ou cabelos com falhas".

 

ABCMED, 2018. Mancha e coceira na virilha? Você pode estar com Tinea cruris!. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/pele-saudavel/1321488/mancha-e-coceira-na-virilha-voce-pode-estar-com-tinea-cruris.htm>. Acesso em: 23 jul. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
2 Fúngica: Relativa à ou produzida por fungo.
3 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
4 Dermatófitos: Qualquer fungo microscópico que parasita a pele, as unhas ou os pelos.
5 Fungo: Microorganismo muito simples de distribuição universal que pode colonizar uma superfície corporal e, em certas ocasiões, produzir doenças no ser humano. Como exemplos de fungos temos a Candida albicans, que pode produzir infecções superficiais e profundas, os fungos do grupo dos dermatófitos que causam lesões de pele e unhas, o Aspergillus flavus, que coloniza em alimentos como o amendoim e secreta uma toxina cancerígena, entre outros.
6 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
8 Nádegas:
9 Períneo: Região que constitui a base do púbis, onde estão situados os órgãos genitais e o ânus.
10 Placas: 1. Lesões achatadas, semelhantes à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
11 Escroto:
12 Cutâneas: Que dizem respeito à pele, à cútis.
13 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
14 Micose: Infecção produzida por fungos. Pode ser superficial, quando afeta apenas pele, mucosas e seus anexos, ou profunda, quando acomete órgãos profundos como pulmões, intestinos, etc.
15 Descamação: 1. Ato ou efeito de descamar(-se); escamação. 2. Na dermatologia, fala-se da eliminação normal ou patológica da camada córnea da pele ou das mucosas. 3. Formação de cascas ou escamas, devido ao intemperismo, sobre uma rocha; esfoliação térmica.
16 Ânus: Segmento terminal do INTESTINO GROSSO, começando na ampola do RETO e terminando no ânus.
17 Contagiosa: 1. Que é transmitida por contato ou contágio. 2. Que constitui veículo para o contágio. 3. Que se transmite pela intensidade, pela influência, etc.; contagiante.
18 Unhas: São anexos cutâneos formados por células corneificadas (queratina) que formam lâminas de consistência endurecida. Esta consistência dura, confere proteção à extremidade dos dedos das mãos e dos pés. As unhas têm também função estética. Apresentam crescimento contínuo e recebem estímulos hormonais e nutricionais diversos.
19 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
20 Candidíase: É o nome da infecção produzida pela Candida albicans, um fungo que produz doença em mucosas, na pele ou em órgãos profundos (candidíase sistêmica).As infecções profundas podem ser mais freqüentes em pessoas com deficiência no sistema imunológico (pacientes com câncer, SIDA, etc.).
21 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
22 Inflamações: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc. Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
23 Glândulas sudoríparas: As glândulas sudoríparas são glândulas responsáveis pela produção e transporte do suor, atuando como regulador térmico. São constituídas por um fino e longo tubo que no início se enovela, chamado corpo da glândula. O suor é composto de água, sais minerais e um pouco de ureia e é drenado pelo ducto das glândulas sudoríparas.
24 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
25 Permeabilidade: Qualidade dos corpos que deixam passar através de seus poros outros corpos (fluidos, líquidos, gases, etc.).
26 Dermatite seborreica: Caracterizada por descamação da pele e do couro cabeludo. A forma que acomete couro cabeludo é a mais comum e conhecida popularmente por caspa. É uma doença inflamatória, não contagiosa, possui caráter crônico e recorrente. O fungo Pityrosporum ovale pode ser considerado um possível causador da dermatite seborreica. As manifestações clínicas mais comuns são descamação, vermelhidão e aspereza local. As escamas podem ser secas ou gordurosas, finas ou espessas, geralmente acinzentadas ou amareladas, quase sempre aderentes, podendo ser acompanhadas ou não de coceira.
27 Tinea capitis: Também conhecida como tinha da cabeça, Tinea tonsurans ou Querión de Celso é uma infecção fúngica cutânea dos cabelos e dos pelos da cabeça causada pelos fungos dermatófitos Trichophyton, Microsporum ou Favus. Ela é mais frequente em crianças, principalmente nos meninos entre 3 e 7 anos de idaide.
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