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Não larga as redes sociais e tem medo de estar por fora de algo? Pode ser a síndrome FOMO!

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O que é a síndrome1 FOMO?

FOMO é a sigla da expressão em inglês "fear of missing out", que em português significa algo como “medo de ficar de fora” ou “o medo de perder algo”. Um dos seus principais sintomas2 é estar viciado em seguir as redes sociais pelo medo de que outras pessoas tenham boas experiências que a pessoa afetada não tenha. Isso leva as pessoas a estarem conectadas mesmo durante a noite, no trabalho, durante as refeições ou ao dirigir, às vezes comprometendo a própria segurança.

O medo de “ficar de fora” refere-se ao sentimento de que outras pessoas estão se divertindo mais, vivendo uma vida melhor ou experimentando coisas melhores. As pessoas afetadas perdem a capacidade de aproveitar os momentos por elas vividos e valorizá-los, e não sabem lidar com a sensação de incompletude.

A síndrome1 FOMO, descrita pela primeira vez em 2000 por Dan Herman, se caracteriza por uma necessidade ansiosa e constante de saber o que outras pessoas estão fazendo, com medo de “ficar por fora”. Essa necessidade pode ser tão intensa a ponto de impactar fortemente as atividades da vida diária, assim como a produtividade no trabalho, sendo uma das decorrências de uma sociedade atual intensamente cibernética.

Leia sobre "Os adolescentes e o mundo virtual", "Transtorno de ansiedade generalizada", "Ansiedade normal e patológica" e "Por que as pessoas são mais ansiosas hoje em dia".

Quais são as causas da síndrome1 FOMO?

A pesquisa mostra que o medo de estar perdendo algo (“ficar de fora”) pode resultar da infelicidade e insatisfação com a própria vida e que esses sentimentos podem impulsionar um maior uso das mídias sociais e uma grande ansiedade.

Afinal, existe um profundo sentimento de inveja, com afetação da autoestima, em sites de mídia social que apresentam a vida como maravilhosa e exitosa e quase todos os problemas como tendo um final feliz, o que contrasta fortemente com as experiências concretas do dia a dia.

As pessoas esperam alcançar essa realidade ideal fictícia pela somação de todas as experiências relatadas, sem poder perder nenhuma delas. Em resumo, as causas se devem ao mau uso das redes sociais, quantidade excessiva de informação que se maneja na Internet, baixa autoestima, déficit de satisfação em necessidades psicológicas básicas e solidão.

Por sua vez, um maior envolvimento com a mídia social pode fazer com que nos sintamos piores sobre nós mesmos e nossas vidas. E, na verdade, algumas tentativas de aliviar os sentimentos do FOMO podem levar a comportamentos que o agravam.

Quais são as características clínicas da síndrome1 FOMO? 

Embora a síndrome1 FOMO seja mais usada com relação às redes sociais, ela pode ser usada também em outros cenários, digitais ou não e, na verdade, é mais antiga que a Internet e já existia antes dela. Por exemplo, medo de ser a única pessoa que não está acompanhando um reality show, ou de não ter comprado aquela peça de roupa que está na moda, etc.

A pessoa acaba fazendo tudo isso mesmo sem ser de seu interesse, pelo medo de estar perdendo alguma coisa (“ficar de fora”).

Existem alguns sintomas2 que são típicos da situação:

  • A pessoa acaba ficando sobrecarregada e com mais atividades do que consegue desempenhar.
  • Dificuldades em negar convites para participar de eventos, para não ficar de fora de alguma coisa.
  • Dedicar parte do seu tempo e dinheiro a algo, apenas para estar “incluído no que todos estão”, resultando num descontrole de suas finanças e desperdício de tempo.
  • Comprar objetos e fazer outras aquisições supérfluas com o mesmo objetivo.

Pessoas que sentem esse medo constante de perder alguma coisa estão sempre com o celular na mão3 e com páginas de redes sociais abertas no computador, esquecendo de prestar atenção no mundo real e nas coisas do momento. Isso acaba prejudicando a produtividade do dia a dia e gerando ainda mais estresse.

Essa sensação de TER QUE estar online o tempo todo é um baita sinal4 vermelho e um ponto frágil da saúde5 emocional da pessoa. Isso pode querer dizer que ela se sente perdendo algo muito importante e incrível se não estiver online.

Hoje em dia, a toda hora tem alguma coisa nova e interessante acontecendo. Tudo parece tão irresistível que a pessoa não consegue dizer não a nada. Mas, raramente existe algo de realmente maravilhoso e único; na maioria dos casos é tudo bem normal.

Quando uma pessoa sofre da síndrome1 de FOMO, é possível que ela tome atitudes meio drásticas só pra se sentir pertencente a algo, como viajar até longe pra ir a uma festa que todo mundo estava comentando ou gastar muito dinheiro só pra ter um par de tênis que nem queria tanto.

A síndrome1 pode ser reconhecida ainda por outros sintomas2 básicos:

  1. Sempre dizer sim, por medo de perder alguma experiência.
  2. Sentir-se menosprezado ou excluído ao não saber alguma última notícia que já vinha sendo postada por seus amigos.
  3. Baixa satisfação com a vida.
  4. Alta atividade nas redes sociais, postando e/ou recebendo coisas o tempo todo.
  5. Estilo de vida acelerado, pulando de uma coisa para outra e muitas vezes não concluindo quase nada que começa a fazer.
  6. Estar "por dentro" das últimas tendências e abandoná-las rapidamente.
  7. Estar preocupado com a opinião e uso de outras pessoas sobre roupas, penteado, etc.
  8. Desejo de estar cercado por outras pessoas, de ter amigos, colegas ou associados, é um sinal4 de que a pessoa sofre com o medo de perder.
  9. Comportamentos de má saúde5, como falta de sono, fadiga6 ou muito estresse.
  10. Distração ao dirigir de modo automático.

Como resolver a síndrome1 FOMO?

A pessoa deve mudar o seu foco ao seguir as redes sociais e em vez de se concentrar no que lhe falta, tentar perceber o que ela tem e lembrar-se que, para as demais pessoas, falar nas redes sociais é mais fácil do que o fazer na realidade. O que as pessoas contam nas redes sociais pode estar muito longe do que elas de fato são, fazem ou pensam.

A pessoa normalmente é bombardeada com imagens de coisas que ela não têm, mas que, teoricamente, poderia ter. Então, limitar o tempo de uso de telas diariamente pode ser uma boa ideia para fugir desse bombardeio desnecessário para uma vida real e com significado.

A pessoa pode, também, adicionar mais pessoas positivas ao seu grupo de contatos e deletar as que tendem a se gabar demais ou aquelas com as quais nunca pode contar de fato.

Viver o momento presente e identificar o que pode estar minando sua alegria de viver, se afastando disso, é fundamental. Algo que em certas situações de vida é difícil de ser feito sem a ajuda de um profissional. Não hesite em procurar um bom psicólogo caso sinta necessidade de obter apoio para se afastar das coisas que te fazem mal.

Veja também sobre "O que é psicoterapia", "Saiba mais sobre as psicoterapias", "Terapia cognitivo7-comportamental" e "Mindfulness - como é a prática".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da U.S. National Library of Medicine.

ABCMED, 2021. Não larga as redes sociais e tem medo de estar por fora de algo? Pode ser a síndrome FOMO!. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1400195/nao-larga-as-redes-sociais-e-tem-medo-de-estar-por-fora-de-algo-pode-ser-a-sindrome-fomo.htm>. Acesso em: 17 out. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
4 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
5 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
6 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
7 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
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