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Os adolescentes e o mundo virtual

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Estamos vivendo uma era de transformações profundas na maneira de viver. Até aqui era costume chamar de volta os “desligados” para a realidade em torno. E eles voltavam rápido. Nos dias de hoje eles passam grande parte de seus tempos “ligados” numa realidade não “real”, num mundo virtual - ou melhor, eles criam uma outra “realidade”. Não se trata de apontar essas tecnologias como boas ou más: é um caminho inexorável, sem volta, que criará um mundo novo. Impossível precisar as consequências disso, mas algumas vantagens e desvantagens já podem ser contempladas no horizonte. Mesmo o que considerarmos positivo ou negativo é assim visto de acordo com as perspectivas que temos hoje; talvez o julgamento do futuro seja diferente. Quando surgiu a televisão, alguns temeram pelas mudanças sociais que ela traria. Hoje em dia, ninguém pode viver sem ela! Ela mudou o modo de conviver? Mudou. E daí? Hoje a convivência entre as pessoas está sendo modificada pelas salas de bate-papo e programas de mensagens em computadores, tablets ou smartphones. Nesse mundo não existe não. É um mundo sem limites, em que cada um pode ser e ter o que queira. Já não se fala; se digita. Já não se pede; se clica. Nossos jovens estão sendo educados nessa nova realidade. Inimaginável o que está por vir. Para melhor ou para pior? Só o futuro dirá.

As vantagens da internet

Conversar com pessoas diferentes, viajar por locais desconhecidos, ter acesso a informação, poder compartilhar o quer que seja com quem quer que seja, assistir a vídeos, jogar etc, podem ajudar muito às crianças e aos adolescentes a crescerem de forma saudável. A Internet pode proporcionar tudo isso de forma simples. Privar os adolescentes dessas possibilidades pode ser injusto. Já vão longe os dias da enciclopédia Barsa ou Delta Júnior! As pesquisas na Internet não só são rápidas e fáceis como mais abrangentes e atuais. Não estamos mais na época dos difíceis e limitados telefonemas! Falamos com as pessoas vendo-as, estejam elas na casa vizinha ou do outro lado da Terra. E que dizer das demoradas cartas saudosas? Hoje nos correspondemos em tempo real. E quando alguém viaja? Chegou bem? A resposta à nossa indagação por vezes só chegava depois que a pessoa já havia retornado. Atualmente podemos acompanhar as pessoas pelas estradas e termos notícias delas em tempo real. Antes era comum os pais chamarem atenção dos adolescentes que ficavam muito tempo ao telefone. Agora, ficam tão absorvidos pelos celulares e tablets e nem ouvem o que se fala à volta.

Os perigos da internet

Quando um adolescente está ligado à Internet, nem sempre se sabe com quem está falando e nem o que faz. Podem estar em contato com conteúdos que se julgue inadequados, expostos ao bombardeio da publicidade ou se relacionando com pessoas mal-intencionadas. Mesmo o contato com pessoas amigas pode trazer problemas, com a divulgação de imagens ou informações que deveriam ficar restritas ao campo privado. Os perfis e fotos que colocam na internet podem ser manipulados a bel prazer de desconhecidos, sem nenhum controle. Por outro lado, o possível anonimato dos interlocutores, que assim se sentem mais liberados, pode causar um efeito devastador. As crianças e os adolescentes, em sua característica ingenuidade e imaturidade, ficam ainda expostos a todos os tipos de golpes. A internet não tem censura de idade: conteúdos infantis, juvenis ou adultos podem ser acessados com a mesma facilidade. E mais, mesmo assistindo a um simples desenho animado ou baixando um joguinho, as crianças e adolescentes estão entrando nos perigos do mundo virtual. Acrescente-se ainda que a Internet cria dependência e pode distorcer ou anular outras formas mais pessoais de se relacionar.

O que fazer?

O acesso à Internet deve sempre ser acompanhado por um adulto, educador da criança ou do adolescente, que orientará o conteúdo acessado. Deve ser mostrado às crianças e adolescentes que a Internet não é um instrumento inocente e que há muitos perigos embutidos nela. Um senso de responsabilidade deve ser ensinado a eles desde cedo. Hoje em dia, já são muitos os exemplos de mau uso desse instrumento que podem ser invocados e o exemplo é a mais poderosa forma de ensinar. Com crianças e adolescentes de pouca idade, certa censura e vigilância tem que ser exercidas pelos adultos responsáveis por elas. Ainda assim, não se consegue evitar o acesso das crianças e adolescentes a conteúdos inadequados, porque isso acaba acontecendo na rua, na casa de um amigo, no clube, na praça e até no recreio das escolas. É indispensável conversar frequentemente com os jovens e mostrar-lhes a importância da privacidade em um mundo onde quase tudo é público. Embora isso seja difícil, os pais devem limitar horários e conhecer os sites navegados pelos filhos e mesmo vigiá-los, sem esconder deles essa atitude. Mas o processo tem dois lados: da mesma forma que aparecem as formas de vigilância, surgem as possibilidades de burlá-la. Os pais desejam que os adolescentes tenham um celular, porque isso os deixa mais seguros, e é através do celular que os filhos podem entrar num mundo virtual indesejável. É preciso, portanto, que os pais os monitore muito bem. Mas também é importante respeitar a privacidade dos filhos! Como tudo na vida, o equilíbrio e a melhor solução.

Em conclusão

Vem aí um mundo novo, que já começou. Temos que inventar uma nova maneira de viver, porque as antigas já não se adequam a ele. Pensar nas novas possibilidades e criar filhos com valores construídos com base nas crenças e costumes de cada família pode ajudar a termos um futuro melhor.

ABCMED, 2015. Os adolescentes e o mundo virtual. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/804464/os+adolescentes+e+o+mundo+virtual.htm>. Acesso em: 20 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.
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