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Ancilostomose - como é esta verminose?

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O que é ancilostomose?

A ancilostomose ou ancilostomíase, em homens (existe também em animais), é uma parasitose intestinal muito comum, causada por nematoides. É mais comum em regiões ou países com baixas condições sanitárias, sendo responsável por mais de 740 mil pessoas infectadas em todo o mundo.

Quais são as causas da ancilostomose?

A ancilostomose é provocada por dois tipos de vermes nematoides: (1) o Ancylostoma duodenale e (2) o Necator americanus. As fêmeas liberam ovos no intestino delgado1 que são expulsos pelas fezes e eclodem entre cinco e dez dias, tornando-se larvas infectantes. Outras espécies de ancilostomídeos, como Ancylostoma braziliense ou Ancylostoma caninum, causam infecção2 intestinal em gatos e cães e podem causar larva migrans em humanos.

Qual é o mecanismo fisiológico3 da ancilostomose?

A ancilostomose é transmitida através da penetração ativa de pequenas larvas infectantes na pele4 de um indivíduo em contato com ambientes propensos, principalmente o solo, contendo fezes contaminadas por ovos que eclodem e se desenvolvem em larvas. Após passarem pela epiderme5, as larvas atingem a corrente sanguínea, seguindo em direção aos alvéolos6 nos pulmões7. Por meio das vias respiratórias, as larvas se deslocam pela traqueia8 até a laringe9, onde são deglutidas com os alimentos ingeridos, passando pelo esôfago10, estômago11 e alcançando a parede do intestino.

As formas adultas do Ancylostoma duodenale e do Necator americanus se instalam no aparelho digestivo12 dos seres humanos, onde se fixam na porção que compreende o intestino delgado1, nutrindo-se de sangue13 do hospedeiro e causando anemia14. Neste local se reproduzem, eliminando ovos juntamente com as fezes. A adesão dos vermes no ducto intestinal ocorre em razão da presença de um aparelho bucal munido de dentículos que se inserem na superfície interna da região duodenal, provocando lesão15 e consequentemente sangramento, o que agrava o quadro anêmico.

Saiba mais sobre "Larva migrans", "Anemias", "Como evitar os vermes", "Ascaridíase" e "Oxiuríase".

Quais são as principais características clínicas da ancilostomose?

O quadro clínico da ancilostomose é predominantemente gastrointestinal. Antes do verme chegar ao intestino, os sintomas16 são discretos. No local de penetração do verme na pele4 pode se formar uma pequena reação inflamatória, que causa coceira e logo se desfaz. Durante a passagem das larvas pelos pulmões7, o paciente geralmente apresenta tosse seca.

Os sintomas16 típicos da ancilostomose ocorrem de fato quando o parasita17 migra para o intestino delgado1. Neste momento, o paciente pode apresentar náuseas18, vômitos19, diarreia20, fadiga21, aumento de gases e dor abdominal. Como o indivíduo repetidamente se reinfecta, a tendência é que ele exiba cada vez menos sintomas16 e a primeira infecção2 seja mais sintomática22.

O principal problema clínico da ancilostomose é a anemia14 e a desnutrição23, porque o parasita17 consome sangue13 e proteínas24. Em crianças, pode haver desaceleração do crescimento e alterações no neurodesenvolvimento. Nas mulheres grávidas, a desnutrição23 e a anemia14 são ainda mais comuns e o bebê nasce com baixo peso.

Como o médico diagnostica a ancilostomose?

O diagnóstico25 de ancilostomose é feito através da detecção de ovos parasitários nas fezes. Após a invasão da pele4 pelo parasita17, os primeiros ovos podem aparecer apenas dois meses depois. Quando a infecção2 é causada pelo Ancylostoma duodenale, os primeiros ovos podem levar até um ano para aparecer nas fezes.

Quando há suspeita clínica de infecção2 por ancilóstomo, vários exames de fezes podem ser necessários até que um óvulo26 possa ser identificado. No hemograma, a presença de anemia14 eosinofílica (caracterizada por um aumento no número de glóbulos brancos chamados eosinófilos27) associada a uma condição gastrointestinal mais ou menos típica é uma importante ferramenta de ajuda diagnóstica.

Como o médico trata a ancilostomose?

O tratamento para a ancilostomose é o mesmo, seja ela causada por Ancylostoma duodenale ou Necator americanus. Dois anti-helmínticos são os mais utilizados, albendazol e mebendazol. Se o paciente tiver anemia14, a reposição oral de ferro também é indicada. Um novo exame parasitológico das fezes pode ser solicitado após três semanas para confirmar a cura.

Leia sobre "Anemia ferropriva28", "Desnutrição23" e "Exame parasitológico de fezes".

 

ABCMED, 2019. Ancilostomose - como é esta verminose?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1337458/ancilostomose-como-e-esta-verminose.htm>. Acesso em: 13 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Intestino delgado: O intestino delgado é constituído por três partes: duodeno, jejuno e íleo. A partir do intestino delgado, o bolo alimentar é transformado em um líquido pastoso chamado quimo. Com os movimentos desta porção do intestino e com a ação dos sucos pancreático e intestinal, o quimo é transformado em quilo, que é o produto final da digestão. Depois do alimento estar transformado em quilo, os produtos úteis para o nosso organismo são absorvidos pelas vilosidades intestinais, passando para os vasos sanguíneos.
2 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
3 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
4 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
5 Epiderme: Camada superior ou externa das duas camadas principais da pele.
6 Alvéolos: Pequenas bolsas poliédricas localizadas ao longo das paredes dos sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos terminais. A troca gasosa entre o ar alveolar e o sangue capilar pulmonar ocorre através das suas paredes. DF
7 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
8 Traqueia: Conduto músculo-membranoso com cerca de 22 centímetros no homem e de 18 centímetros na mulher. Da traqueia distingue-se uma parte que faz continuação direta à laringe (porção cervical) e uma parte que está situada no tórax (porção torácica). Possui anéis cartilaginosos em número variável de 12 a 16, unidos entre si por tecido fibroso. Destina-se à passagem do ar. A traqueia é revestida com epitélio ciliar que auxilia a filtração do ar inalado.
9 Laringe: É um órgão fibromuscular, situado entre a traqueia e a base da língua que permite a passagem de ar para a traquéia. Consiste em uma série de cartilagens, como a tiroide, a cricóide e a epiglote e três pares de cartilagens: aritnoide, corniculada e cuneiforme, todas elas revestidas de membrana mucosa que são movidas pelos músculos da laringe. As dobras da membrana mucosa dão origem às pregas vocais.
10 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
11 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
12 Aparelho digestivo: O aparelho digestivo ou digestório realiza a digestão, processo que transforma os alimentos em substâncias passíveis de serem absorvidas pelo organismo. Os materiais não absorvidos são eliminados por este sistema. Ele é composto pelo tubo digestivo e por glândulas anexas.
13 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
14 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
15 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
16 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
17 Parasita: Organismo uni ou multicelular que vive às custas de outro, denominado hospedeiro. A presença de parasitos em um hospedeiro pode produzir diferentes doenças dependendo do tipo de afecção produzida, do estado geral de saúde do hospedeiro, de mecanismos imunológicos envolvidos, etc. São exemplos de parasitas: a sarna, os piolhos, os áscaris (lombrigas), as tênias (solitárias), etc.
18 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
19 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
20 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
21 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
22 Sintomática: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
23 Desnutrição: Estado carencial produzido por ingestão insuficiente de calorias, proteínas ou ambos. Manifesta-se por distúrbios do desenvolvimento (na infância), atrofia de tecidos músculo-esqueléticos e caquexia.
24 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
25 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
26 Óvulo: Célula germinativa feminina (haplóide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO.
27 Eosinófilos: Eosinófilos ou granulócitos eosinófilos são células sanguíneas responsáveis pela defesa do organismo contra parasitas e agentes infecciosos. Também participam de processos inflamatórios em doenças alérgicas e asma.
28 Anemia Ferropriva: Anemia por deficiência de ferro. É o tipo mais comum de anemia. Há redução da quantidade total de ferro corporal até a exaustão das reservas de ferro. O fornecimento de ferro é insuficiente para atingir as necessidades de diferentes tecidos, incluindo as necessidades para a formação de hemoglobina e dos glóbulos vermelhos.
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