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Doação de sangue. Quem pode e quem não pode doar?

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O que é doação de sangue1?

Doação de sangue1 é um processo pelo qual o sangue1 de um doador voluntário é coletado e armazenamento para uma posterior transfusão2 em um paciente que necessite dela e que seja de um tipo sanguíneo compatível.

A coleta e o armazenamento são procedimentos simples, mas requerem a observância de certas normas técnicas importantes e por isso só devem ser realizados em um hemocentro ou em banco de sangue1 especializado de um hospital.

O médico especializado deve definir quais condições são necessárias para que uma determinada pessoa doe ou deixe de doar sangue1. As normas a seguir são de ordem geral e não devem se sobrepor às orientações do médico.

Quem pode doar sangue1?

No Brasil qualquer pessoa pode doar sangue1, observadas as seguintes condições:

  • Idade entre 16 e 68 anos.
  • Peso acima de 50 kg.
  • Não ser portador de doenças infectocontagiosas como sífilis3, doença de Chagas4 e HIV5.
  • Não ter doado sangue1 há menos de 90-120 dias.
  • Não ter recebido transfusão2 de sangue1 ou hemoderivados a menos de um ano.
  • Estar bem alimentado e com intervalo de 2 horas após a última alimentação.
  • Dormir por pelo menos 6 horas na noite antecedente à doação.
  • Não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 24 horas.
  • Não ser usuário de drogas.
  • Não ter feito tatuagem, piercing ou acupuntura há menos de um ano.
  • Se for mulher, não estar grávida ou amamentando e ter passado pelo menos 3 meses do último parto.

Quem não deve doar sangue1?

  • Quem tenha recebido transfusão2 de sangue1 há menos de 1 ano.
  • Quem foi operado há menos de 6 meses.
  • Quem foi submetido à endoscopia6 há menos de 6 meses.
  • Quem tenha feito extração dentária há menos de 72 horas.
  • Quem tem epilepsia7, diabetes8 ou hipertensão9 grave.
  • Quem teve câncer10.
  • Quem fez tatuagem ou piercing nos últimos seis meses a um ano.
  • Quem teve paludismo/malária nos últimos 3 anos.
  • Quem fez transplante de córnea11 ou dura-máter12.
  • Quem fez tratamento com hormônios.
  • Quem teve um(a) novo(a) parceiro(a) sexual nos últimos 6 meses.

Quais são os procedimentos necessários antes, durante e depois da coleta de sangue1?

Antes da doação, o doador passará por uma entrevista clínica que avaliará sua aptidão para a doação. Se aprovado, serão colhidos cerca de 450 cm³ de sangue1, em uma bolsa plástica apropriada, com material estéril, descartável, de uso único, num procedimento que dura cerca de 15 minutos. Realizada a coleta do sangue1, a pessoa é submetida a exames para determinar o seu tipo sanguíneo e outros exames que visam garantir a qualidade necessária para que o sangue1 possa ser transfundido a outras pessoas.

Após a doação, o doador deve:

  • Manter-se por pelo menos 15 minutos na unidade de saúde13 a que tenha recorrido, para ser observado.
  • Não fumar até uma hora após a doação.
  • Tomar bastante líquidos (água, sucos, chás).
  • Evitar atividades físicas vigorosas por 12 horas.
  • Evitar fazer força ou agitar o braço em que foi realizada a punção.
  • Comunicar ao serviço a que tenha recorrido, caso nos dias seguintes apresente qualquer sinal14 de doença como febre15, diarreia16, vômito17, mal estar, etc.

 

ABCMED, 2012. Doação de sangue. Quem pode e quem não pode doar?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/256070/doacao+de+sangue+quem+pode+e+quem+nao+pode+doar.htm>. Acesso em: 23 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
2 Transfusão: Introdução na corrente sangüínea de sangue ou algum de seus componentes. Podem ser transfundidos separadamente glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma, fatores de coagulação, etc.
3 Sífilis: Doença transmitida pelo contato sexual, causada por uma bactéria de forma espiralada chamada Treponema pallidum. Produz diferentes sintomas de acordo com a etapa da doença. Primeiro surge uma úlcera na zona de contato com inflamação dos gânglios linfáticos regionais. Após um período a lesão inicial cura-se espontaneamente e aparecem lesões secundárias (rash cutâneo, goma sifilítica, etc.). Em suas fases tardias pode causar transtorno neurológico sério e irreversível, que felizmente após o advento do tratamento com antibióticos tem se tornado de ocorrência rara. Pode ser causa de infertilidade e abortos espontâneos repetidos.
4 Doença de Chagas: Doença parasitária transmitida ao homem através da picada do Triatoma infestans (barbeiro). É endêmica em alguns países da América do Sul e associa-se a condições precárias de habitação. Produz em sua forma crônica um distúrbio cardíaco que termina por causar insuficiência cardíaca e distúrbios do ritmo cardíaco.
5 HIV: Abreviatura em inglês do vírus da imunodeficiência humana. É o agente causador da AIDS.
6 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
7 Epilepsia: Alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Quando restritos, a crise será chamada crise epiléptica parcial; quando envolverem os dois hemisférios cerebrais, será uma crise epiléptica generalizada. O paciente pode ter distorções de percepção, movimentos descontrolados de uma parte do corpo, medo repentino, desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente e até perder a consciência - neste caso é chamada de crise complexa. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Existem outros tipos de crises epilépticas.
8 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
9 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
10 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
11 Córnea: Membrana fibrosa e transparente presa à esclera, constituindo a parte anterior do olho.
12 Dura-Máter: A mais externa das três MENINGES, uma membrana fibrosa de tecido conjuntivo que cobre o encéfalo e cordão espinhal.
13 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
14 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
15 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
16 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
17 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
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