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Posso reverter minha vasectomia?

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É possível reverter a vasectomia?

A vasectomia é uma cirurgia feita com propósitos anticoncepcionais definitivos que consiste em seccionar os canais deferentes que conduzem os espermatozoides1, os quais normalmente acabam por desembocar na uretra2 e são eliminados juntamente com a ejaculação3, misturados ao sêmen4. Trata-se de um método anticoncepcional, até há algum tempo tido como definitivo, mas que atualmente, graças à evolução das técnicas cirúrgicas, pode ser revertido.

Leia os artigos:
"Vasectomia: o que esperar após o procedimento?"
"Vasectomia: sete perguntas e respostas sobre o assunto"

Por que reverter a vasectomia?

Cerca de 4 a 6% dos homens que realizaram a cirurgia de vasectomia voltam a manifestar o desejo de ter filhos. Podem ocorrer muitas circunstâncias imprevisíveis que levam o homem (ou o casal) a desejar novos filhos (um novo casamento, morte de um filho, melhora da situação financeira, etc.) e, assim, levá-lo a desejar reverter a vasectomia. Além disso, um pequeno número de homens pode desejar a reversão da vasectomia para tratar a dor testicular que esteja ligada à vasectomia.

Embora se tenha a expectativa de que este procedimento tenha resultados definitivos, ele pode, muito raramente, reverter-se de modo espontâneo. Quando a reversão não for a opção do casal ou não tiver sucesso e se, por qualquer motivo, não puder ser feita, outro recurso possível para tentar voltar a ter filhos consiste em obter espermatozoides1 diretamente dos testículos5, por aspiração, para fazer uma fertilização6 in vitro com óvulos da esposa. Contudo, essa técnica apresenta uma taxa de êxito menor que a cirurgia de reversão da vasectomia, de apenas 40%, aproximadamente.

Antes de fazer a cirurgia de reversão, é importante certificar-se de que a companheira não tem impedimentos para engravidar.

Como se realiza a cirurgia de reversão da vasectomia?

A cirurgia de reversão da vasectomia, conhecida como vaso-vasostomia, é uma cirurgia bem mais minuciosa e delicada que a cirurgia de vasectomia. O tempo cirúrgico também é bem maior que o da cirurgia de vasectomia, durando de três a quatro horas. Quanto menor o tempo decorrido entre a vasectomia e a tentativa de reversão, melhores serão os resultados, mas há relatos de reversões exitosas 25 anos depois da cirurgia inicial. Antes de realizar a reversão, o paciente deve fazer avaliação urológica e exames pré-operatórios específicos para estimar a taxa de sucesso.

A cirurgia trata de fazer a religação dos canais deferentes, que foram interrompidos por ocasião da vasectomia. Como eles têm diâmetros muito pequenos, na ordem de décimos de milímetro, a cirurgia necessita do emprego de microscópio cirúrgico, fios e instrumentais de microcirurgia e de um especialista habilidoso e bem treinado.

Para realizar a cirurgia, o médico pratica duas incisões7 verticais, uma de cada lado do escroto8, através das quais expõe os cotos dos cordões espermáticos. Depois de cerificar-se que são permeáveis em ambos os sentidos e estão sadios, são, então, recanalizados por meio de uma anastomose9.

O sucesso da cirurgia de reversão depende do tipo de técnica empregada, da qualidade da cicatrização do paciente, da produção testicular de espermatozoides1, da presença de espermatozoides1 no líquido do conduto deferente e da experiência do urologista10 e de sua habilidade em microcirurgia. Feita com a técnica correta, pouco tempo depois da vasectomia e por um cirurgião experiente, a reversão é bem-sucedida em 85-90% dos casos.

E depois da cirurgia?

Em seguida à reversão, o paciente deve manter uma bolsa de gelo sobre a região operada, para diminuir o edema11 pós-operatório. Deve, também, guardar um relativo repouso e ir retornando gradativamente às suas atividades cotidianas até reassumir as atividades físicas mais pesadas ao fim de duas semanas. A ejaculação3 deve ser evitada por quatro semanas.

Nas primeiras ejaculações, especialmente na primeira, é possível que não apareçam espermatozoides1. Um seguimento, independentemente dessa primeira análise, que verifique a presença de espermatozoides1 no sêmen4 deve ser feito periodicamente, durante um ano, tempo em que a cicatrização da anastomose9 pode voltar a obstruir o conduto espermático.

Quais são as complicações possíveis a partir da cirurgia para reverter a vasectomia?

A cirurgia para reversão da vasectomia raramente causa complicações. Os riscos mais comuns incluem sangramento no escroto8, infecção12 no local da cirurgia e dor crônica.

Veja sobre "Infertilidade13 masculina", "Espermograma", "Azoospermia14" e "Anticoncepção - métodos reversíveis e métodos irreversíveis".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

ABCMED, 2019. Posso reverter minha vasectomia?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-do-homem/1353353/posso+reverter+minha+vasectomia.htm>. Acesso em: 5 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
2 Uretra: É um órgão túbulo-muscular que serve para eliminação da urina.
3 Ejaculação: 1. Ato de ejacular. Expulsão vigorosa; forte derramamento (de líquido); jato. 2. Em fisiologia, emissão de esperma pela uretra no momento do orgasmo. 3. Por extensão de sentido, qualquer emissão. 4. No sentido figurado, fartura de palavras; arrazoado.
4 Sêmen: Sêmen ou esperma. Líquido denso, gelatinoso, branco acinzentado e opaco, que contém espermatozoides e que serve para conduzi-los até o óvulo. O sêmen é o líquido da ejaculação. Ele é composto de plasma seminal e espermatozoides. Este plasma contém nutrientes que alimentam e protegem os espermatozoides.
5 Testículos: Os testículos são as gônadas sexuais masculinas que produzem as células de fecundação ou espermatozóides. Nos mamíferos ocorrem aos pares e são protegidos fora do corpo por uma bolsa chamada escroto. Têm função de glândula produzindo hormônios masculinos.
6 Fertilização: Contato entre espermatozóide e ovo, determinando sua união.
7 Incisões: 1. Corte ou golpe com instrumento cortante; talho. 2. Em cirurgia, intervenção cirúrgica em um tecido efetuada com instrumento cortante (bisturi ou bisturi elétrico); incisura.
8 Escroto:
9 Anastomose: 1. Na anatomia geral, é a comunicação natural direta ou indireta entre dois vasos sanguíneos, entre dois canais da mesma natureza, entre dois nervos ou entre duas fibras musculares. 2. Na anatomia botânica, é a união total ou parcial de duas estruturas como vasos, ramos, raízes. 3. Formação cirúrgica de uma passagem entre duas estruturas tubulares ou ocas ou também é a junção ou ligação patológica entre dois espaços ou órgãos normalmente separados.
10 Urologista: Médico especializado em tratar pessoas com problemas no trato urinário e homens com problemas nos órgãos genitais, como impotência.
11 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
12 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
13 Infertilidade: Capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
14 Azoospermia: Ausência de espermatozódes no líquido seminal.
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