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Cólicas menstruais em adolescentes

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
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Cólicas menstruais em adolescentes

O que são cólicas menstruais em adolescentes?

Muitas adolescentes têm cólicas (fortes dores intermitentes) durante os primeiros dias dos seus períodos menstruais. Essas dores são sentidas na parte baixa do abdome, podendo se estender às costas. Muitas vezes elas impedem a adolescente de frequentar a escola regularmente e a limitam no esporte e na vida social. Se isso acontece regularmente, acaba tendo uma grande repercussão na escola, na profissão, na família e na vida como um todo.

Quais são as causas das cólicas menstruais em adolescentes?

As cólicas menstruais acontecem em decorrência das contrações do útero na tentativa de expulsar o endométrio espessado para receber uma gravidez que não aconteceu. Isto é devido à alteração dos níveis hormonais durante o ciclo menstrual. Em adolescentes, soma-se o fato de que o colo do útero ainda está muito fechado, levando a um maior esforço das contrações para promover a saída da menstruação.

Leia sobre “Ciclo menstrual”, “Dismenorreia membranosa”, “Sintomas Precoces de Gravidez” e “Aborto”.

Qual é o substrato fisiológico das cólicas menstruais em adolescentes?

Pensa-se que as cólicas sejam causadas pela libertação de prostaglandinas, um produto químico natural do corpo que também é responsável pelos demais sintomas da dismenorreia primária. As prostaglandinas são produzidas pelo revestimento do útero. São elas que fazem a contração do músculo e dos vasos sanguíneos do útero e causam a dor.

Quando o músculo e os vasos sanguíneos se contraem, o fluxo sanguíneo para o útero diminui temporariamente, causando uma isquemia relativa. No útero, essa isquemia é transitória e ocorre em ondas, à medida que o útero se contrai. A contração muscular e a diminuição do fluxo sanguíneo para o útero fazem parte do que causa a dor da dismenorreia primária.

A quantidade de prostaglandinas produzidas pelo revestimento do útero é maior um dia antes e um ou dois dias depois do início do ciclo, período em que o fluxo menstrual é mais intenso e, por isso, os sintomas são piores nesses dias.

Quais são as principais características clínicas das cólicas menstruais em adolescentes?

O termo médico usado para descrever as menstruações dolorosas é dismenorreia. Existem dois tipos de dismenorreia: (1) dismenorreia primária, que são cólicas que ocorrem sem que haja outra condição que possa causá-las. Normalmente, a dismenorreia primária começa nos dois primeiros anos após a adolescente começar a menstruar regularmente. E a (2) dismenorreia secundária, em que a dor é causada por alguma condição pélvica subjacente, como miomas ou adenomiose, por exemplo. Esse tipo de menstruação dolorosa se desenvolve após anos de ciclos menstruais sem dor ou de dor relativamente leve e é próprio de mulheres mais velhas.

A dor da dismenorreia primária costuma ser bastante típica. Ela precede à menstruação ou ocorre imediatamente em seguida a ela e têm uma curta duração, mas em algumas mulheres jovens a dor pode durar até 3 dias. A dor dessa dismenorreia se manifesta como um desconforto constante ou latejante e se repete da mesma forma em cada ciclo menstrual. Quase sempre começa no meio da parte inferior do abdome e pode se espalhar para a região lombar e para a parte superior da coxa. Pode vir acompanhada de diarreia, náuseas e vômitos, sensação de fadiga, tonturas e/ou desmaios, dores de cabeça e febre baixa.

Como o médico diagnostica as cólicas menstruais em adolescentes?

Dependendo das informações que a paciente fornece ao médico, talvez ele nem precise fazer um exame pélvico para diagnosticar a dismenorreia primária, principalmente se a paciente for adolescente e os sintomas forem típicos. Se a paciente já iniciou sua atividade sexual, o médico provavelmente realizará um exame pélvico para certificar-se de não haver uma infecção pélvica que possa estar tornando as menstruações dolorosas.

Nenhum teste adicional e imagem pélvica são necessários para diagnosticar a dismenorreia primária. No entanto, se houver a suspeita de que as dores sejam causadas por alguma condição pélvica subjacente, o médico provavelmente sugerirá exames adicionais.

Como o médico trata as cólicas menstruais em adolescentes?

Essas cólicas podem melhorar com o tempo, independentemente de qualquer tratamento. O objetivo do tratamento médico é diminuir a produção de prostaglandinas no revestimento do útero. Existem dois tipos de medicamentos que fazem isso: (1) os anti-inflamatórios não esteroides e (2) os anticoncepcionais hormonais. Mas deve-se ter muito cuidado ao usar os anti-inflamatórios não esteroides, pois eles podem causar danos ao revestimento do estômago, o que pode levar a gastrite e úlceras gástricas. Os anticonceptivos hormonais afinam o revestimento do útero e, assim, reduzem a produção de prostaglandinas. Eles têm sido a maneira mais eficaz de tratar as menstruações dolorosas.

Além dos medicamentos, existem algumas mudanças no estilo de vida que podem ajudar a reduzir a dor menstrual. O exercício aeróbico adequado e regular reduz as menstruações dolorosas. Alimentos como salmão, nozes e abacate (ricos em ômega-3), e alimentos ricos em vitamina B demonstraram ajudar a reduzir as cólicas menstruais.

Como evoluem em geral as cólicas menstruais em adolescentes?

Com o passar do tempo e com possíveis gravidezes, as cólicas menstruais tendem a ceder ou, pelo menos, diminuir muito.

Veja também sobre “Cuidados ao tomar anti-inflamatórios não esteroides”, “Pílulas anticoncepcionais” e “Vulvovaginite”.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do University of Rochester Medical Center e do Blog da Saúde – Ministério da Saúde – Brasil.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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