AbcMed

Dismenorreia membranosa

segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Avalie este artigo
Dismenorreia membranosa

O que é dismenorreia?

Dismenorreia é uma dor pélvica que ocorre antes ou durante o período menstrual, que afeta cerca de 50% das mulheres em idade fértil. Pode ser primária ou secundária, dependendo da existência ou não de alterações estruturais do aparelho reprodutivo. É causada por intensas contrações uterinas destinadas a expulsar o material menstrual.

O que é dismenorreia membranosa?

A dismenorreia membranosa é assim denominada porque, além da dor, pode-se identificar a eliminação vaginal de material elástico ou membranoso. A dismenorreia membranácea tem sido pouco descrita pela comunidade científica, embora se encontre relatos clínicos desde a década de 1950. Foi destacada inicialmente por Giovanni Bauttista Morgagni.

Veja sobre "Cólica menstrual ou dismenorreia", "Mitos e verdade sobre menstruação" e "Sintomas Precoces de Gravidez".

Quais são as causas da dismenorreia membranosa?

Devido à sua baixa incidência e aos poucos casos identificados na literatura, a razão da dismenorreia membranosa ainda não é bem conhecida. Várias hipóteses têm sido propostas para explicar sua causa: o aumento da produção de estrogênio e progesterona com posterior eliminação incompleta do endométrio espessado, a vasodilatação intensa das artérias endometriais, seguida por vasoconstrição e eliminação do endométrio superdesenvolvido, a formação de microabscessos e altos níveis de progesterona determinando a decidualização do endométrio (uma reação que normalmente ocorre durante a implantação do blastocisto na parede do endométrio), com posterior expulsão, sem que haja a sua dissolução prévia.

Alguns fatores mais podem estar associados a esse quadro, atuando como “gatilho” disparador, como baixo índice de massa corpórea, tabagismo, menarca precoce, ciclos menstruais longos, fluxo menstrual intenso, entre outros.

Qual é o mecanismo fisiológico da dismenorreia membranosa?

A membrana eliminada pela dismenorreia membranosa corresponde ao desprendimento parcial ou total do endométrio (revestimento interno do útero). O pedaço membranoso eliminado geralmente reproduz o formato da cavidade endometrial. A menstruação dolorosa desencadeia uma contratilidade uterina exagerada, reduzindo o fluxo sanguíneo e aumentando a sensibilidade nervosa à dor. A dor é causada pela contração intensa do útero para expelir o tecido.

Quais são as principais características clínicas da dismenorreia membranosa?

A dismenorreia membranosa predomina em mulheres na segunda e terceira décadas da vida e deve ser suspeitada em casos de dor associada a sangramento vaginal com eliminação de material elástico ou firme. Os outros sintomas extragenitais, menos comuns, acometem pelo menos 50% dos casos e são representados por náuseas/vômitos (90% dos casos), desânimo e fadiga (85%), nervosismo (65%) e dor de cabeça (50%).

Como o médico diagnostica a dismenorreia membranosa?

Clinicamente, o diagnóstico deve ser suspeitado sempre que houver dor em cólica, com eliminação de fragmento membranoso pela vagina. O diagnóstico final e radical deve ser feito a partir de uma avaliação histopatológica, que nunca deve ser dispensada, considerando a necessidade de estabelecer um diferencial com outras patologias. Os diagnósticos diferenciais mais importantes devem ser feitos com o abortamento, o destacamento de um pólipo do corpo ou do colo uterino ou de um sarcoma botrioide (tumor embrionário de origem mesenquimal, de aspecto polipoide).

Como o médico trata a dismenorreia membranosa?

Como não se sabe exatamente as causas, não há, ainda, um tratamento específico. O tratamento que se faz ainda é muito empírico e controverso. Algumas recomendações ainda carecem de evidência científica, como, por exemplo, altas doses de progesterona, supressão da ovulação, terapia com andrógenos, curetagem, antibióticos e vasoconstritores (ergotamina).

Leia mais sobre "Ciclo menstrual", "Endometriose", "Hiperplasia endometrial" e "Câncer de endométrio".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Cleveland Clinic e do UFRGS – Hospital de Clínicas.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários