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Cistos vaginais - conceito, causas, características clínicas, diagnóstico e tratamento

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O que são cistos vaginais?

Os cistos vaginais são bolsas fechadas, recheadas de ar, líquido ou pus1, localizadas no revestimento vaginal ou por baixo dele.

Quais são as causas dos cistos vaginais?

Os cistos vaginais podem ser causados por lesões2 da mucosa3 vaginal durante o parto, por acúmulo de líquido nas glândulas4 da vagina5 ou por tumores benignos na vagina5.

Qual é o mecanismo fisiológico6 dos cistos vaginais?

Os cistos são criados quando uma glândula7 ou duto está entupido e o líquido se acumula, formando uma bolsa.

Leia sobre "Doenças da vagina5", "HPV (Papilomavírus humano) e verrugas genitais" e "Câncer8 do colo do útero9".

Quais são as principais características clínicas dos cistos vaginais?

Os cistos vaginais normalmente não causam sintomas10, mas às vezes podem causar desconforto quando da penetração na vagina5 nas relações sexuais. Quase sempre os cistos vaginais permanecem pequenos e não requerem tratamento. No entanto, diferentes tipos de cistos podem aumentar e ocasionar dor, coceira e maior risco de infecção11.

Os cistos do interior da vagina5 são nódulos redondos e indolores, que podem chegar ao tamanho de uma ameixa antes que a mulher os note. Muitos são encontrados ao longo dos lados da vagina5, mas raramente ficam maiores que uma moeda de centavos.

Existem vários tipos de cistos vaginais. Os tipos mais comuns incluem:

  1. Cistos de inclusão vaginal, que são o tipo mais comum, causados por uma lesão12 na parede da vagina5 e podem ocorrer durante o parto ou após uma cirurgia.
  2. Cisto do ducto do Gartner, que é um órgão remanescente do desenvolvimento fetal, na pelve13 feminina. Às vezes, pode acumular líquido e depois evoluir para um cisto nas paredes da vagina5.
  3. Cistos de Bartholin, localizados perto da abertura da vagina5, nos lábios vaginais. Se um retalho de pele14 cresce sobre a glândula de Bartholin15, o líquido que devia exteriorizar-se pode retornar para a glândula7 e formar um cisto. Esse cisto geralmente é indolor, mas, se for infectado, pode se tornar um abscesso16 bem doloroso.

Como o médico diagnostica os cistos vaginais?

Os cistos vaginais assintomáticos podem ser descobertos durante um exame pélvico17 de rotina. O médico também pode sugerir exames adicionais para descartar outras condições, os quais podem incluir:

  1. Uma biópsia18, para descartar a possibilidade de câncer8 vaginal.
  2. Exames das secreções da vagina5 ou do colo do útero9 para determinar se há uma infecção11 sexualmente transmissível.
  3. Uma ressonância magnética19, tomografia computadorizada20 ou ultrassonografia21 para ver imagens mais detalhadas do cisto.

Outras lesões2 na vagina5 que se assemelham a cistos e que demandam um diagnóstico22 diferencial são os pólipos23, as verrugas vaginais e os tumores benignos da vagina5.

Os pólipos23 são pequenos crescimentos pediculados na pele14 em forma de pera, encontrados na vagina5, que geralmente não chegam a ser notados. Os pólipos23 vaginais não requerem tratamento, a menos que se tornem dolorosos ou comecem a sangrar.

As verrugas na vagina5 são semelhantes às verrugas nas mãos24, por exemplo, mas são causadas por vírus25 diferentes. Às vezes elas podem ser notadas na abertura da vagina5, mas muitas vezes passam desapercebidas. Elas não ocasionam dor, embora algumas mulheres notem uma leve coceira. O vírus25 HPV, que causa essas verrugas, é transmitido durante o sexo e é considerado um fator de risco26 para o câncer8. Os tratamentos podem ser: congelamento, cirurgia a laser, medicamentos ou tratamentos químicos e devem envolver também o parceiro sexual da pessoa afetada. A melhor proteção contra elas é usar preservativos nas relações sexuais, porque o parceiro sexual pode não saber que tem esse vírus25.

Os tumores benignos da vagina5 são provenientes de malformações27 embrionárias ou adquiridos mais tarde na vida. Eles são de pouca significância clínica, visto que a grande maioria destas lesões2 são assintomáticas e sem potencial para se tornarem cancerosas, exceto, obviamente, os condilomas28.

Como o médico trata os cistos vaginais?

Normalmente, os cistos vaginais não requerem tratamento, a menos que cresçam ou causem outros desconfortos. Raramente, podem se formar cistos dolorosos, de uma doença chamada endometriose29. Estes podem precisar de tratamento com medicamentos, laser ou outros procedimentos cirúrgicos.

Os cistos vaginais devem ser monitorados quanto a crescimento ou alterações na aparência durante os exames de rotina. Se o cisto aumentar ou causar sintomas10 graves, o médico poderá recomendar uma cirurgia para removê-lo. Se o cisto causar infecção11 ou abscesso16, o médico poderá também receitar antibióticos.

Leia sobre "Uretrites gonocócicas e não gonocócicas", "Corrimento vaginal", "Vulvovaginite30" e "Bartolinite31".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da University of Iowa - Hospital & Clinics, da Mayo Clinic e do U.S. National Institute of Health.

ABCMED, 2019. Cistos vaginais - conceito, causas, características clínicas, diagnóstico e tratamento. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1349028/cistos-vaginais-conceito-causas-caracteristicas-clinicas-diagnostico-e-tratamento.htm>. Acesso em: 14 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Pus: Secreção amarelada, freqüentemente mal cheirosa, produzida como conseqüência de uma infecção bacteriana e formada por leucócitos em processo de degeneração, plasma, bactérias, proteínas, etc.
2 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
3 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
4 Glândulas: Grupo de células que secreta substâncias. As glândulas endócrinas secretam hormônios e as glândulas exócrinas secretam saliva, enzimas e água.
5 Vagina: Canal genital, na mulher, que se estende do ÚTERO à VULVA. (Tradução livre do original
6 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
7 Glândula: Estrutura do organismo especializada na produção de substâncias que podem ser lançadas na corrente sangüínea (glândulas endócrinas) ou em uma superfície mucosa ou cutânea (glândulas exócrinas). A saliva, o suor, o muco, são exemplos de produtos de glândulas exócrinas. Os hormônios da tireóide, a insulina e os estrógenos são de secreção endócrina.
8 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
9 Colo do útero: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
10 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
12 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
13 Pelve: 1. Cavidade no extremo inferior do tronco, formada pelos dois ossos do quadril (ossos ilíacos), sacro e cóccix; bacia. 2. Qualquer cavidade em forma de bacia ou taça (por exemplo, a pelve renal).
14 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
15 Glândula de Bartholin: Glândulas secretoras de muco, situadas nas faces (posterior e lateral) do vestíbulo da vagina.
16 Abscesso: Acumulação de pus em uma cavidade formada acidentalmente nos tecidos orgânicos, ou mesmo em órgão cavitário, em consequência de inflamação seguida de infecção.
17 Pélvico: Relativo a ou próprio de pelve. A pelve é a cavidade no extremo inferior do tronco, formada pelos dois ossos do quadril (ilíacos), sacro e cóccix; bacia. Ou também é qualquer cavidade em forma de bacia ou taça (por exemplo, a pelve renal).
18 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
19 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
20 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
21 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
22 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
23 Pólipos: 1. Em patologia, é o crescimento de tecido pediculado que se desenvolve em uma membrana mucosa (por exemplo, no nariz, bexiga, reto, etc.) em resultado da hipertrofia desta membrana ou como um tumor verdadeiro. 2. Em celenterologia, forma individual, séssil, típica dos cnidários, que se caracteriza pelo corpo formado por um tubo ou cilindro, cuja extremidade oral, dotada de boca e tentáculos, é dirigida para cima, e a extremidade oposta, ou aboral, é fixa.
24 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
25 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
26 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
27 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
28 Condilomas: Formação em formato de verruga que ocupa a superfície das mucosas genitais ou retais. Pode estar associada à infecção por um vírus chamado HPV (papilomavírus humano). Também é encontrado na sífilis tardia.
29 Endometriose: Doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. Endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação. Os locais mais comuns da endometriose são: Fundo de Saco de Douglas (atrás do útero), septo reto-vaginal (tecido entre a vagina e o reto ), trompas, ovários, superfície do reto, ligamentos do útero, bexiga e parede da pélvis.
30 Vulvovaginite: Inflamações na região da vulva e da vagina.
31 Bartolinite: Inflamação das glândulas de Bartolin, que são glândulas acessórias dos genitais externos femininos. Causa dor e abaulamento da região e pode requerer drenagem cirúrgica.
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