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Cisto de Naboth

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O que é o cisto de Naboth?

Os Cistos de Naboth, também chamados cistos nabothianos, folículos nabothianos, cistos de inclusão epitelial ou cistos de retenção mucinosos, são uma patologia1 uterina caracterizada pela formação de um ou mais cistos preenchidos com muco que se parecem com pequenos inchaços na superfície do colo do útero2.

Quais são as causas do cisto de Naboth?

Os cistos de Naboth se formam quando as glândulas3 produtoras de muco no colo do útero2 são cobertas com células4 da pele5 e ficam entupidas, o que faz com que o muco se acumule em seu interior, formando o cisto. As glândulas3 podem ser obstruídas durante partos ou traumas físicos no colo do útero2.

Durante o parto, o excesso de células4 da pele5 pode crescer na glândula6 mucosa7 e reter o muco, causando a formação de cistos. O trauma físico ao redor do colo do útero2 pode causar o desenvolvimento de tecido8 excessivo sobre as glândulas3 mucosas9 durante o processo de cicatrização e prender o muco. Os cistos causados por trauma físico são especialmente comuns durante a recuperação da cervicite10 crônica, na qual o tecido8 do colo do útero2 fica inflamado.

Saiba mais sobre "Cervicite10", "Cisto de útero11", "Cistos ovarianos" e "Teratomas".

Qual é o mecanismo fisiológico12 do cisto de Naboth?

Na maioria dos casos, os Cistos de Naboth ocorrem quando um novo tecido8 regride no colo do útero2 após o parto. Esse novo tecido8 bloqueia as aberturas das Glândulas3 de Naboth do colo do útero2, prendendo a secreção mucosa7 em pequenas bolsas sob a pele5. Os Cistos de Naboth são um achado normal no colo do útero2 de mulheres que tiveram filhos.

Eles também são vistos em mulheres na menopausa13, cuja pele5 cervical diminui com a idade. Menos frequentemente, estão relacionados à cervicite10 crônica, uma infecção14 de longo prazo do colo do útero2.

Quais são as principais características clínicas do cisto de Naboth?

Os Cistos de Naboth variam em tamanho, de alguns milímetros a 4 centímetros de diâmetro, são lisos e de cor branca ou amarelada. Esses cistos não causam dor, desconforto ou outros sintomas15 e geralmente o médico os detecta durante um exame ginecológico de rotina, quando examina o colo do útero2 em busca de outros problemas.

Como o médico diagnostica o cisto de Naboth?

Os cistos de Naboth podem ser rastreados e diagnosticados durante um exame pélvico16 e podem também ser vistos em uma ultrassonografia17 pélvica18, ressonância magnética19 ou tomografia computadorizada20 que focalizem o colo do útero2. Depois de descobrir esses pequenos inchaços brancos no colo do útero2, o médico pode romper um cisto para confirmar o diagnóstico21.

Ele pode também usar uma colposcopia22 para fazer um diagnóstico21 mais preciso. Isso envolve a ampliação da área para distinguir os Cistos de Naboth de outros tipos de patologias. Uma biópsia23 pode ser realizada em um cisto se suspeitar-se que a paciente possa ter um tipo de neoplasia24 que afeta a produção de muco.

Como o médico trata o cisto de Naboth?

Os cistos de Naboth são benignos e na maioria dos casos não requerem tratamento. Em casos raros, os cistos podem se tornar grandes o bastante para distorcer a forma e o tamanho do colo do útero2, dificultando ou impossibilitando seus exames de rotina. Neste caso, o médico pode realizar a remoção do cisto para examinar o colo do útero2.

Os cistos de Naboth que precisam de tratamento podem ser removidos através de uma excisão ou através da ablação25 por eletrocautério26. Durante essa ablação25, o médico usa uma corrente elétrica para remover o cisto. Em alguns casos, o médico pode também drenar o líquido contido em um cisto ou usar crioterapia27 para removê-lo. Neste procedimento, o nitrogênio líquido é usado para congelar e romper o cisto. Este procedimento é menos invasivo que a excisão ou ablação25.

Quais são as complicações possíveis do cisto de Naboth?

Não há complicações sérias. Eles, sim, podem se formar como uma complicação de uma patologia1 de base, mas normalmente não representam uma séria ameaça à saúde28. Em alguns casos, o exame de Papanicolaou pode tornar-se doloroso ou mesmo impossível devido à existência de grandes ou múltiplos cistos localizados no colo do útero2.

Os cistos normalmente estão cheios de muco e podem estourar. Não é incomum que quando eles se rompam causem uma descarga vaginal, odor e sangramento. Mesmo os maiores cistos podem ser removidos e tratados sem causar mais problemas médicos.

Leia sobre "Exame de Papanicolau29", "Colposcopia22", "Ultrassonografia17 transvaginal" e "Preventivo30 deu NIC - o que é isso?".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da Cleveland Clinic, da Mayo Clinic e do International Federation of Gynecologiy and Obstetrics.

ABCMED, 2019. Cisto de Naboth. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1341573/cisto+de+naboth.htm>. Acesso em: 15 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
2 Colo do útero: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
3 Glândulas: Grupo de células que secreta substâncias. As glândulas endócrinas secretam hormônios e as glândulas exócrinas secretam saliva, enzimas e água.
4 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
5 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
6 Glândula: Estrutura do organismo especializada na produção de substâncias que podem ser lançadas na corrente sangüínea (glândulas endócrinas) ou em uma superfície mucosa ou cutânea (glândulas exócrinas). A saliva, o suor, o muco, são exemplos de produtos de glândulas exócrinas. Os hormônios da tireóide, a insulina e os estrógenos são de secreção endócrina.
7 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
8 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
9 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
10 Cervicite: Inflamação infecciosa do colo uterino.Pode não apresentar sintomas ou pode manifestar-se por dor no baixo ventre, secreção vaginal purulenta, dor ou “pontadas” associadas ao coito (dispareunia).
11 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
12 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
13 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
14 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
15 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Pélvico: Relativo a ou próprio de pelve. A pelve é a cavidade no extremo inferior do tronco, formada pelos dois ossos do quadril (ilíacos), sacro e cóccix; bacia. Ou também é qualquer cavidade em forma de bacia ou taça (por exemplo, a pelve renal).
17 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
18 Pélvica: Relativo a ou próprio de pelve. A pelve é a cavidade no extremo inferior do tronco, formada pelos dois ossos do quadril (ilíacos), sacro e cóccix; bacia. Ou também é qualquer cavidade em forma de bacia ou taça (por exemplo, a pelve renal).
19 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
20 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
21 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
22 Colposcopia: Exame ginecológico auxiliar na visualização de lesões do colo uterino e da região genital feminina.
23 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
24 Neoplasia: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais frequentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
25 Ablação: Extirpação de qualquer órgão do corpo.
26 Eletrocautério: Instrumento de metal, aquecido por uma corrente elétrica, usado para cauterizar tecidos, ou seja, para estancar sangramentos dos tecidos.
27 Crioterapia: Processo terapêutico baseado em aplicações de gelo, neve carbônica e outros veículos de frio intenso.
28 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
29 Papanicolau: Método de coloração para amostras de tecido, particularmente difundido por sua utilização na detecção precoce do câncer de colo uterino.
30 Preventivo: 1. Aquilo que previne ou que é executado por medida de segurança; profilático. 2. Na medicina, é qualquer exame ou grupo de exames que têm por objetivo descobrir precocemente lesão suscetível de evolução ameaçadora da vida, como as lesões malignas. 3. Em ginecologia, é o exame ou conjunto de exames que visa surpreender a presença de lesão potencialmente maligna, ou maligna em estágio inicial, especialmente do colo do útero.
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