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O que saber sobre os cistos ovarianos?

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O que são cistos ovarianos?

Os cistos ovarianos ou cistos de ovário1 são pequenas bolsas cheias de fluido que podem ser encontradas no interior do ovário1. Normalmente essas alterações são benignas e pouco ofensivas, podendo raramente ser expressão de uma enfermidade maligna ou causarem complicações mais graves. Mais comumente os cistos ovarianos são encontrados em mulheres em idade reprodutiva, sendo mais propensas a eles as portadoras de endometriose2 ou doença pélvica3 inflamatória (DIP).

Os tipos mais comuns de cistos ovarianos são:

  • Cistos funcionais: fazem parte do processo normal do ciclo menstrual e não são expressão de nenhuma doença. O mais comum deles é o cisto folicular, que se origina da ausência de ovulação4 ou quando um folículo5 normal não se rompe e/ou não libera seu óvulo6. Há também dois outros tipos de cistos funcionais: o cisto de corpo lúteo e o cisto hemorrágico7. Caso não ocorra uma gravidez8 o corpo lúteo normal deveria desaparecer, mas quando ele persiste pode encher-se de fluido ou sangue9 e se tornar um cisto de corpo lúteo. No cisto hemorrágico7 acontece extravasamento de sangue9 para o interior do cisto, a partir de um vaso sanguíneo da sua parede.
  • Cistos dermoides: conhecido como teratoma cístico maduro, é um tumor10 benigno. Ele pode conter gordura11, ossos, pelos, calcificações e cartilagem12 no seu interior. Geralmente afeta mulheres jovens.
  • Cisto endometrioide: também conhecido como endometrioma, é formado quando o tecido13 do endométrio14, que recobre a face15 interna do útero16, se desprende, migra e cresce nos ovários17. Ele pode causar dor pélvica3 crônica durante a menstruação18.
  • Cistoadenoma: tumor10 benigno que se desenvolve no tecido13 do ovário1. Ele pode ser preenchido por conteúdo seroso ou mucoso e atingir vários centímetros de diâmetro, necessitando de tratamento cirúrgico.
  • Cistos patológicos: podem fazer parte da síndrome19 dos ovários17 policísticos ou serem associados a tumores.

Quais são as causas dos cistos ovarianos?

As causas dos cistos ovarianos não são totalmente conhecidas, mas as alterações hormonais parecem relacionadas a eles. Como há vários tipos de cistos, suas causas também são várias. O cisto ovariano mais comum forma-se quando o folículo5 ovariano não se abre para expulsar o óvulo6, como deveria acontecer a cada mês (processo que se chama ovulação4), acumulando líquido em seu interior. Outro tipo de cisto ocorre após o óvulo6 ter sido liberado de um folículo5, quando esse geralmente se enche de uma pequena quantidade de sangue9, é o cisto de corpo lúteo. De modo geral os cistos no ovário1 ocorrem com mais frequência durante a idade fértil da mulher e são menos frequentes após a menopausa20. Deve-se diferenciar os cistos funcionais dos cistos tumorais.

Embora não haja consenso a respeito, costuma-se considerar como fatores de risco:

  • História prévia de cistos ovarianos.
  • Ciclos menstruais irregulares.
  • Obesidade21.
  • Menarca22 precoce.
  • Infertilidade23.
  • Hipotireoidismo24.

Quais são os principais sinais25 e sintomas26 dos cistos ovarianos?

Geralmente os cistos ovarianos que não se rompem ou não sofrem torção27 não causam sintomas26. Quando há sintomas26, os mais comuns são: dor contínua ou intermitente28 no abdome29, na região lombar30, na pelve31 ou na vagina32; sensibilidade aumentada nos seios33; abdome29 inchado; dor na menstruação18; irregularidades menstruais; sangramentos uterinos anormais; dificuldade de urinar; náuseas34 e vômitos35; infertilidade23, etc. Se o cisto do ovário1 se romper, pode haver dor abdominal intensa do lado em que ele se encontra.

Como o médico diagnostica os cistos ovarianos?

O diagnóstico36 dos cistos ovarianos deve ser feito levando-se em conta os sintomas26 relatados pela paciente, o exame físico da pelve31 ou por meio de uma ecografia37 transvaginal e de alguns exames laboratoriais. O diagnóstico36 diferencial deve ser feito com outras doenças que possam apresentar sintomas26 semelhantes.

Como o médico trata os cistos ovarianos?

O tratamento dos cistos ovarianos depende do seu tipo, tamanho e características, bem como da idade da paciente. Ele tanto pode ser clínico, direcionado para o desaparecimento dos cistos, como cirúrgico, por meio da laparoscopia38, que permite ao médico biopsiar o cisto e retirá-lo, quando necessário. Os cistos ovarianos funcionais podem desaparecer espontaneamente dentro de 8 a 12 semanas sem tratamento. Só raramente assumem grandes dimensões e devem ser removidos. A dosagem de CA125, um marcador sanguíneo para o câncer39 ovariano, pode ser utilizado para ajudar a determinar se uma massa ovariana é ou não maligna, embora um valor elevado possa também se dever a outras causas que não ao câncer39. A dosagem dos hormônios luteinizante (LH) e folículo5 estimulante (FSH) pode indicar potenciais problemas com relação a esses hormônios. Os testes de gravidez8 ajudam a descartar uma gravidez ectópica40 (fora do útero16), cujos sintomas26 podem ser semelhantes aos dos cistos ovarianos.

Como evoluem os cistos ovarianos?

Numa mulher que já tenha cistos de ovário1, os anticoncepcionais orais podem ajudar a evitar a formação de folículos que podem se transformar em novos cistos.

Os cistos ovarianos podem dificultar que a mulher engravide, devido às alterações hormonais, e aumentar o risco de gravidez ectópica40

ABCMED, 2013. O que saber sobre os cistos ovarianos?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/508689/o+que+saber+sobre+os+cistos+ovarianos.htm>. Acesso em: 19 jun. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Ovário: Órgão reprodutor (GÔNADAS) feminino. Nos vertebrados, o ovário contém duas partes funcionais Sinônimos: Ovários
2 Endometriose: Doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. Endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação. Os locais mais comuns da endometriose são: Fundo de Saco de Douglas (atrás do útero), septo reto-vaginal (tecido entre a vagina e o reto ), trompas, ovários, superfície do reto, ligamentos do útero, bexiga e parede da pélvis.
3 Pélvica: Relativo a ou próprio de pelve. A pelve é a cavidade no extremo inferior do tronco, formada pelos dois ossos do quadril (ilíacos), sacro e cóccix; bacia. Ou também é qualquer cavidade em forma de bacia ou taça (por exemplo, a pelve renal).
4 Ovulação: Ovocitação, oocitação ou ovulação nos seres humanos, bem como na maioria dos mamíferos, é o processo que libera o ovócito II em metáfase II do ovário. (Em outras espécies em vez desta célula é liberado o óvulo.) Nos dias anteriores à ovocitação, o folículo secundário cresce rapidamente, sob a influência do FSH e do LH. Ao mesmo tempo que há o desenvolvimento final do folículo, há um aumento abrupto de LH, fazendo com que o ovócito I no seu interior complete a meiose I, e o folículo passe ao estágio de pré-ovocitação. A meiose II também é iniciada, mas é interrompida em metáfase II aproximadamente 3 horas antes da ovocitação, caracterizando a formação do ovócito II. A elevada concentração de LH provoca a digestão das fibras colágenas em torno do folículo, e os níveis mais altos de prostaglandinas causam contrações na parede ovariana, que provocam a extrusão do ovócito II.
5 Folículo: 1. Bolsa, cavidade em forma de saco. 2. Fruto simples, seco e unicarpelar, cuja deiscência se dá pela sutura que pode conter uma ou mais sementes (Ex.: fruto da magnólia).
6 Óvulo: Célula germinativa feminina (haplóide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO.
7 Hemorrágico: Relativo à hemorragia, ou seja, ao escoamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos.
8 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
9 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
10 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
11 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
12 Cartilagem: Tecido resistente e flexível, de cor branca ou cinzenta, formado de grandes células inclusas em substância que apresenta tendência à calcificação e à ossificação.
13 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
14 Endométrio: Membrana mucosa que reveste a cavidade uterina (responsável hormonalmente) durante o CICLO MENSTRUAL e GRAVIDEZ. O endométrio sofre transformações cíclicas que caracterizam a MENSTRUAÇÃO. Após FERTILIZAÇÃO bem sucedida, serve para sustentar o desenvolvimento do embrião.
15 Face: Parte anterior da cabeça que inclui a pele, os músculos e as estruturas da fronte, olhos, nariz, boca, bochechas e mandíbula.
16 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
17 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um. Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
18 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
19 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
20 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
21 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
22 Menarca: Refere-se à ocorrência da primeira menstruação.
23 Infertilidade: Capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
24 Hipotireoidismo: Distúrbio caracterizado por uma diminuição da atividade ou concentração dos hormônios tireoidianos. Manifesta-se por engrossamento da voz, aumento de peso, diminuição da atividade, depressão.
25 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
26 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
27 Torção: 1. Ato ou efeito de torcer. 2. Na geometria diferencial, é a medida da derivada do vetor binormal em relação ao comprimento de arco. 3. Em física, é a deformação de um sólido em que os planos vizinhos, transversais a um eixo comum, sofrem, cada um deles, um deslocamento angular relativo aos outros planos. 4. Em medicina, é o mesmo que entorse. 5. Na patologia, é o movimento de rotação de um órgão sobre si mesmo. 6. Em veterinária, é a cólica de alguns animais, especialmente a do cavalo.
28 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
29 Abdome: Região do corpo que se localiza entre o TÓRAX e a PELVE.
30 Região Lombar:
31 Pelve: 1. Cavidade no extremo inferior do tronco, formada pelos dois ossos do quadril (ossos ilíacos), sacro e cóccix; bacia. 2. Qualquer cavidade em forma de bacia ou taça (por exemplo, a pelve renal).
32 Vagina: Canal genital, na mulher, que se estende do ÚTERO à VULVA. (Tradução livre do original
33 Seios: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
34 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
35 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
36 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
37 Ecografia: Ecografia ou ultrassonografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
38 Laparoscopia: Procedimento cirúrgico mediante o qual se introduz através de uma pequena incisão na parede abdominal, torácica ou pélvica, um instrumento de fibra óptica que permite realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos.
39 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
40 Gravidez ectópica: Implantação do produto da fecundação fora da cavidade uterina (trompas, peritôneo, etc.).
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