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Inteligência emocional

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O que é inteligência emocional?

A inteligência emocional refere-se à capacidade de uma pessoa de compreender e gerenciar suas próprias emoções, bem como de entender e se relacionar de forma empática com as emoções dos outros. Isso envolve a capacidade de identificar e expressar emoções de maneira saudável, regular emoções de maneira eficaz e usar as emoções para orientar o pensamento e o comportamento.

A tradicional quantificação da inteligência, o quociente de inteligência1 (QI2) de uma pessoa, é uma medida que apenas avalia a sua capacidade cognitiva3, sem nada dizer sobre como ela a utiliza ou como pode modificá-la. Afinal, o que adianta ter um QI2 muito elevado e não saber lidar com as próprias emoções? A inteligência emocional, embora não sendo também uma visão4 completa dos desempenhos de uma pessoa, avança um pouco mais nessas questões.

O termo “inteligência emocional” e seu conceito foram criados por Peter Salovey e John Mayer em 1990 e foram amplamente popularizados pelo psicólogo Daniel Goleman em seu livro "Inteligência Emocional", publicado em 1995. Goleman associou diversos aspectos da personalidade às habilidades cognitivas, e entre as suas principais contribuições está a criação do conceito de quociente emocional (QE), um complemento ao famoso QI2.

Veja sobre "Resiliência", "Agressividade", "O choro e o riso", "O luto e as suas fases" e "Autossabotagem".

Qual é a importância do conceito de inteligência emocional?

Segundo Goleman, os desempenhos exitosos de uma pessoa dependem em 80% da sua inteligência emocional e apenas em 20% do seu QI2. A inteligência emocional pode ser entendida como uma combinação de habilidades cognitivas e emocionais que permitem que uma pessoa se adapte ao ambiente social e se relacione de forma saudável e produtiva com os outros.

Enfim, para Goleman, a inteligência emocional é a competência para gerenciar positivamente os sentimentos. Alguns dos principais componentes da inteligência emocional incluem:

  • Autoconhecimento emocional, que é a capacidade de reconhecer e entender suas próprias emoções, incluindo seus gatilhos emocionais e padrões comportamentais.
  • Controle emocional, que é a habilidade de gerenciar suas emoções e reações de forma saudável e produtiva, em vez de ser dominado por elas.
  • Consciência social, que é a capacidade de compreender as emoções dos outros e de responder a elas de forma empática e produtiva.
  • Habilidade de relacionamento, que é a capacidade de estabelecer e manter relacionamentos saudáveis e produtivos com os outros.

A inteligência emocional pode ser desenvolvida ao longo do tempo, com prática e reflexão consciente. Um exemplo pode ser o da pessoa que consegue levar a termo as suas tarefas, mesmo sentindo-se triste, ansiosa ou tomada por qualquer outro sentimento. Ou seja, consegue gerenciar suas emoções e não se deixar dominar por elas.

Há muitas técnicas e exercícios que podem ajudar as pessoas a desenvolver suas habilidades emocionais, como a meditação, a terapia e a prática de habilidades sociais. A inteligência emocional é uma habilidade importante não só para ter sucesso na vida pessoal e profissional, mas também para promover um ambiente social mais saudável e empático e, portanto, mais agradável.

Quais são os 5 pilares da inteligência emocional?

Os pilares que constroem a inteligência emocional são competências que a pessoa pode aprimorar ao longo do tempo. Numa definição, a inteligência emocional é o modo das pessoas poderem gerenciar de maneira produtiva as próprias emoções. De algumas pessoas costuma-se dizer, com justificada admiração, que “são tão serenas”, significando isso que se reconhece nelas um admirável controle das emoções.

Os pilares da inteligência emocional descritos por Goleman, necessários para chegar a isso, são:

  1. Conhecer as próprias emoções. As emoções são muitas. Alguns estudos chegam a nomear mais de 50 delas. No entanto, a maioria das pessoas aprendeu a nomear todas como tristeza, alegria, medo ou raiva5. Mas é importante saber diferençar umas de outras e identificar seus gatilhos, ou seja, o motivo que as desencadeia. Se a angústia for confundida com a tristeza, por exemplo, será difícil de conseguir controle sobre ela. É a partir do autoconhecimento das emoções que será possível desenvolver formas positivas de lidar com elas. É isso que ajuda a entender como elas surgem, de onde vêm e de que maneira funcionam.
  2. Controlar as emoções por meio de uma autorregulação. Isto é, a competência de gerenciar os sentimentos. Depois de saber nomeá-los é mais fácil ter controle sobre eles. Para executar esta tarefa, o primeiro passo deve ser identificar quais circunstâncias os despertam. A princípio isso pode parecer difícil, mas posteriormente se transformará numa experiência mais simples e proporcionará experiências mais agradáveis.
  3. Desenvolver a automotivação. É importante manter um foco e que a pessoa se motive e se mantenha motivada, em vista de algum objetivo específico. Quando houver conflito entre razão e emoção, a razão sempre deve ser privilegiada, embora o ideal seja conseguir um equilíbrio entre as duas.
  4. Desenvolver a empatia. Neste caso, a pessoa não tem que lidar apenas com habilidades individuais, mas sim com competências interpessoais. A empatia vai além do conceito de “se colocar no lugar do outro” e implica em reconhecer que as demais pessoas ao redor têm suas próprias emoções e precisam aprender a lidar com elas. Pode ser que a inteligência emocional das demais pessoas não esteja tão desenvolvida quanto a sua, mas não há espaço para julgamentos.
  5. Desenvolver o relacionamento interpessoal. Juntas, as pessoas são mais fortes para superar os obstáculos. O relacionamento com os outros cumpre, fundamentalmente, esse objetivo.

A pessoa que conseguir cumprir adequadamente esses cinco passos sentirá uma grande melhoria na sua qualidade de vida:

  • diminuirá os níveis de ansiedade e estresse;
  • diminuirá a quantidade de discussões nos seus relacionamentos;
  • melhorará seus relacionamentos interpessoais;
  • terá mais empatia pelo outro e mais equilíbrio emocional;
  • terá maior clareza nos seus objetivos e ações;
  • melhorará a capacidade de tomada de decisão;
  • melhorará a administração do tempo e sua produtividade;
  • aumentará o nível de comprometimento com suas metas;
  • terá mais senso de responsabilidade e uma melhor visão4 do futuro;
  • e aumentará a autoestima e a autoconfiança.

Contudo, a aquisição de uma boa inteligência emocional é um processo que leva algum tempo. Não é necessário se apressar, mas persistir nos seus propósitos para colher uma recompensa final valiosa.

Leia também sobre "Meditação", "Atenção Plena ou Mindfulness", "Psicoterapia", "Estresse" e "Complexo de inferioridade".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da PUCRS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e do UNICEP - Centro Universitário Central Paulista.

ABCMED, 2023. Inteligência emocional. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1435080/inteligencia-emocional.htm>. Acesso em: 7 dez. 2023.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Quociente de inteligência: O QI é utilizado para dimensionar a inteligência humana em relação à faixa etária a que um sujeito pertence. Em 1905, os franceses Alfred Binet e Theodore Simon desenvolveram uma ferramenta para avaliar os potenciais cognitivos dos estudantes, tentando detectar entre eles aqueles que precisavam de um auxílio maior de seus mestres, criando a Escala de Binet-Simon. Outros estudiosos aperfeiçoaram esta metodologia. William Stern foi quem, em 1912, propôs o termo QI. O Quociente de Inteligência é a razão entre a Idade Mental e a Cronológica, multiplicada por 100 para se evitar a utilização dos decimais. Seguindo-se este indicador, é possível avaliar se um infante é precoce ou se apresenta algum retardamento no aprendizado. Os que apresentam o quociente em torno de 100 são considerados normais, os acima deste resultado revelam-se precoces e os que alcançam um valor mais inferior (cerca de 70) são classificados como retardados. Uma alta taxa de QI não indica que o indivíduo seja mentalmente são, ou mesmo feliz, e também não avalia outros potenciais e capacidades, tais como as artísticas e as de natureza espiritual. O QI mede bem os talentos linguísticos, os pensamentos lógicos, matemáticos e analíticos, a facilidade de abstração em construções teóricas, o desenvolvimento escolar, o saber acadêmico acumulado ao longo do tempo. Os grandes gênios do passado, avaliados dessa forma, apresentavam uma taxa de aproximadamente 180, o que caracteriza um superdotado.
2 QI: O QI é utilizado para dimensionar a inteligência humana em relação à faixa etária a que um sujeito pertence. Em 1905, os franceses Alfred Binet e Theodore Simon desenvolveram uma ferramenta para avaliar os potenciais cognitivos dos estudantes, tentando detectar entre eles aqueles que precisavam de um auxílio maior de seus mestres, criando a Escala de Binet-Simon. Outros estudiosos aperfeiçoaram esta metodologia. William Stern foi quem, em 1912, propôs o termo “QI“. O Quociente de Inteligência é a razão entre a Idade Mental e a Cronológica, multiplicada por 100 para se evitar a utilização dos decimais. Seguindo-se este indicador, é possível avaliar se um infante é precoce ou se apresenta algum retardamento no aprendizado. Os que apresentam o quociente em torno de 100 são considerados normais, os acima deste resultado revelam-se precoces e os que alcançam um valor mais inferior (cerca de 70) são classificados como retardados. Uma alta taxa de QI não indica que o indivíduo seja mentalmente são, ou mesmo feliz, e também não avalia outros potenciais e capacidades, tais como as artísticas e as de natureza espiritual. O QI mede bem os talentos linguísticos, os pensamentos lógicos, matemáticos e analíticos, a facilidade de abstração em construções teóricas, o desenvolvimento escolar, o saber acadêmico acumulado ao longo do tempo. Os grandes gênios do passado, avaliados dessa forma, apresentavam uma taxa de aproximadamente 180, o que caracteriza um superdotado.
3 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
4 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
5 Raiva: 1. Doença infecciosa freqüentemente mortal, transmitida ao homem através da mordida de animais domésticos e selvagens infectados e que produz uma paralisia progressiva juntamente com um aumento de sensibilidade perante estímulos visuais ou sonoros mínimos. 2. Fúria, ódio.
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