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Compulsão sexual

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O que é compulsão sexual?

Chama-se compulsão a uma imposição interna irresistível que leva o indivíduo a realizar determinado ato ou a comportar-se de determinada maneira, mesmo contra sua vontade. Apesar de sua oposição consciente, a pessoa não consegue controlar seus atos. É isso que acontece com a compulsão sexual.

Ter uma vida sexual ativa e intensa não é, pois, a mesma coisa que ter uma compulsão sexual. Quem tem uma compulsão sexual tem um “vício em sexo”, ou seja, não consegue resistir aos pensamentos e desejos exagerados sobre o sexo.

Ademais, o “viciado em sexo” precisa satisfazer sua vontade imediatamente, não importando onde, como e com quem. Mas, tão logo termina um ato, ele sente necessidade de repeti-lo ou praticar outro equivalente, sem nunca conseguir uma saciedade duradoura perfeita.

Quais são as causas da compulsão sexual?

As causas para o comportamento compulsivo sexual ainda não são claras. A compulsão sexual é uma síndrome1 que parece ter causas orgânicas, como epilepsia2 do lobo frontal3 ou mau funcionamento de neurotransmissores, entre outras. Por vezes, é vista como um problema de adição e dependência ao sexo, similar às drogadições. Pode também ser encarada como um problema de comportamento mal adaptado, onde o ato repetitivo de busca de prazer sexual foi aprendido ao longo da vida como tranquilizante, diminuindo sentimentos de ansiedade, medo e solidão.

Alguns autores acreditam ser importante o tipo de relacionamento entre mãe e filho durante os primeiros anos de vida, que leve o indivíduo a desenvolver um sentimento de menos-valia, autoestima negativa e sentimento de inferioridade, os quais, juntos, interferirão negativamente na forma como este indivíduo se relaciona com as pessoas de forma afetiva.

Há também a participação da genética que, acompanhada de um ambiente familiar não saudável, pode predispor a criança desde os primeiros anos de vida.

Qual é o substrato fisiopatológico da compulsão sexual?

Como são comportamentos de prazer, partindo de um gatilho, eles reforçam a si mesmos e com o passar do tempo vão aumentando mais e mais de intensidade e frequência, acarretando consequências desastrosas na vida pessoal, amorosa, familiar, social, profissional e financeira do compulsivo.

Quem sofre desse problema busca na vida sexual alívio para todo tipo da ansiedade e sua atenção e concentração estão constantemente voltadas para tudo que diz respeito a sexo.

Leia sobre "Compulsão", "O comer compulsivo", "Compulsão pelo trabalho" e "Jogadores patológicos".

Quais são as características clínicas da compulsão sexual?

Não há estatísticas confiáveis sobre o assunto, mas estima-se que 2% a 6% da população mundial sofra de compulsão sexual. A maioria (95%) são homens, mas a compulsão sexual pode aparecer também em mulheres.

As pessoas que sofrem compulsão sexual precisam ser sempre saciadas no instante imediato em que sentem necessidade, sua ação é por impulso, sem premeditação e sem questionar se são socialmente ou individualmente convenientes.

Na compulsão sexual, a pessoa tem comportamentos e fantasias sexuais em excesso e pode se masturbar excessivamente, ter uma vida sexual promíscua com vários parceiros sexuais, ver bastante pornografia, fazer sexo desprotegido sem se preocupar com as consequências ou ter seu pensamento constantemente ocupado por assuntos de sexo. Muito frequentemente essas pessoas estão incorrendo em situações de risco, tanto fisicamente como em relação à sua saúde4, andando por lugares perigosos ou se expondo a doenças sexualmente transmissíveis e a contatos com pessoas portadoras de doenças contagiosas. Desses comportamentos geralmente resulta um sentimento de culpa e remorso, mas o compulsivo se sente incapaz de resistir aos impulsos sexuais, gerando um gasto excessivo de tempo em busca de prazer.

O fato de que o indivíduo não consegue pensar em outra coisa que não seja sexo consome todas as suas energias mentais e absorve toda criatividade que o pensamento poderia ter. Por outro lado, tende a interpretar todas as falas, atos e comportamentos das demais pessoas como tendo um sentido sexual. Isso acarreta queda de desempenho na vida profissional e uma vida social empobrecida, pois o sujeito não se interessa pelos assuntos e problemas dos amigos e familiares. No âmbito amoroso, envolve brigas constantes entre o casal, falta de confiança no parceiro e até mesmo divórcio em função de traições constantes.

Como tratar a compulsão sexual?

O tratamento pode ser feito a partir do trabalho em conjunto de um psicólogo com um psiquiatra. Assim como acontece com outros vícios, mais difícil do que o tratamento em si, é a pessoa admitir que está doente e que precisa da ajuda de um profissional especializado.

Como em quase todas as demais doenças, a compulsão por sexo obedece a gradações que vão desde casos leves e pouco perceptíveis até outros de extrema gravidade. Os casos mais leves conseguem ser compatibilizados com uma vida social e laboral normais e quase nunca chegam a tratamentos. Nos mais graves, só quando a pessoa perde o emprego, o dinheiro e o relacionamento é que ela se dá conta do problema que tem. E aí, a única forma de resolver a compulsão sexual é tratar as causas psicológicas (psicoterapia) que geraram essa disfunção, ressignificar possíveis traumas e desenvolver um trabalho para diminuir a ansiedade e a impulsividade.

Alguns remédios, como os antidepressivos e os ansiolíticos, podem atuar de maneira indireta sobre esse problema, lidando com as reações psicológicas que o causaram, como a depressão e/ou a ansiedade. Dificilmente o indivíduo que sofre com esse transtorno consegue se livrar da compulsão sozinho(a).

Como evolui a compulsão sexual?

A longo prazo, a compulsão sexual quase sempre gera vários problemas de ordem afetiva, familiar e no trabalho. Além de problemas de saúde4 como doenças sexualmente transmissíveis, gravidez5 indesejada, risco de suicídio, violência e assédio sexual.

Quando começa precocemente, com grande frequência de comportamento sexual inadequado, a doença normalmente tem uma evolução grave, de tratamento difícil. Por ter um grande impacto na vida dos pacientes, e ainda não se ter um tratamento específico, nem sempre oferecendo remissão, os compulsivos devem ser acompanhados por toda a vida, com medicação e psicoterapia estruturada.

Veja também sobre "Impotência6 sexual ou disfunção erétil", "Frigidez feminina" e "Ejaculação7 precoce".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

ABCMED, 2023. Compulsão sexual. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1434765/compulsao-sexual.htm>. Acesso em: 20 jul. 2024.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Epilepsia: Alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Quando restritos, a crise será chamada crise epiléptica parcial; quando envolverem os dois hemisférios cerebrais, será uma crise epiléptica generalizada. O paciente pode ter distorções de percepção, movimentos descontrolados de uma parte do corpo, medo repentino, desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente e até perder a consciência - neste caso é chamada de crise complexa. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Existem outros tipos de crises epilépticas.
3 Lobo frontal:
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
5 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
6 Impotência: Incapacidade para ter ou manter a ereção para atividades sexuais. Também chamada de disfunção erétil.
7 Ejaculação: 1. Ato de ejacular. Expulsão vigorosa; forte derramamento (de líquido); jato. 2. Em fisiologia, emissão de esperma pela uretra no momento do orgasmo. 3. Por extensão de sentido, qualquer emissão. 4. No sentido figurado, fartura de palavras; arrazoado.
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