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Cirurgia endoscópica transesfenoidal

Wednesday, January 20, 2021
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Cirurgia endoscópica transesfenoidal

O que é a cirurgia endoscópica transesfenoidal?

A cirurgia transesfenoidal é um tipo de cirurgia na qual um endoscópio e/ou outros instrumentos cirúrgicos são inseridos na base do cérebro através do nariz e do osso esfenoide na cavidade do seio esfenoidal. Ela tem sido utilizada principalmente para permitir acesso à sela túrcica e sua proximidade é usada para remover tumores da hipófise.

Essa cirurgia tem ganho aceitação crescente por otorrinolaringologistas e neurocirurgiões e tem sido utilizada para as mesmas indicações que a técnica microcirúrgica convencional.

Leia sobre "Craniotomia", "Tumores cerebrais" e "Tumores de hipófise".

Como é feita a cirurgia endoscópica transesfenoidal?

O emprego da técnica endonasal para acessar a base do cérebro é relativamente recente. Ela foi tentada pela primeira vez por Hermann Schloffer em 1907, mas o procedimento só veio a ganhar proeminência nas décadas de 1950 e 60 com a introdução do microscópio cirúrgico. Anteriormente, o acesso cirúrgico só podia ser feito por meio de uma craniotomia tradicional, que envolvia maiores possibilidades de complicações. Depois disso, uma técnica mais tradicional usava uma incisão na pele sob o lábio superior e fazia a remoção de uma grande parte do septo nasal para que o cirurgião pudesse ver diretamente a área do seio esfenoidal. No entanto, surgiu uma técnica minimamente invasiva, chamada cirurgia endoscópica endonasal, que usa uma pequena incisão na parte posterior da cavidade nasal e causa pouco dano aos tecidos nasais.

A cirurgia transesfenoidal é realizada sob anestesia geral e é a via cirúrgica mais frequentemente indicada para acesso à sela túrcica, independentemente da idade do paciente. A incisão (ou corte) é feita dentro do nariz, não deixando, pois, nenhuma cicatriz aparente. Através desse acesso minimamente invasivo retira-se uma pequena quantidade de mucosa e osso para acessar a hipófise. Neste procedimento, em que o microscópio cirúrgico é introduzido pelas narinas, os riscos cirúrgicos clássicos ficam diminuídos e não há a necessidade de grandes cortes. Como lida com estruturas muito nobres e delicadas, o procedimento dura de 2 a 3 horas.

Quase sempre a cirurgia transesfenoidal é realizada por um neurocirurgião, muitas vezes em parceria com um otorrinolaringologista com treinamento especializado em cirurgia endoscópica dos seios da face. Essa abordagem em equipe permite um atendimento mais abrangente antes, durante e após a cirurgia.

Antes da cirurgia, o paciente deve informar ao cirurgião sobre seu histórico médico e sobre os remédios que esteja tomando para saber se eles devem ser continuados ou interrompidos. O paciente deve também fazer os exames pré-cirúrgicos de rotina.

Quem deve se submeter à cirurgia endoscópica transesfenoidal?

O paciente candidato à cirurgia transesfenoidal é aquele que porta: um adenoma hipofisário, tumor secretor ou não de hormônio; um craniofaringioma, tumor benigno que cresce a partir de células próximas à haste pituitária; um cisto da fenda de Rathke, cisto benigno entre os lobos anterior e posterior da glândula pituitária; meningioma, um tumor que cresce a partir das meninges; ou um cordoma, um tumor ósseo maligno que cresce a partir da base do crânio.

Quais são as complicações possíveis da cirurgia endoscópica transesfenoidal?

É comum haver sinusite pós-operatória. A membrana que separa a hipófise do cérebro pode ser rompida e ocasionar saída do líquido cefalorraquidiano (fístula liquórica). Outras complicações frequentes (20%) são a diabetes insipidus e a insuficiência da produção dos hormônios hipofisários (hipopituitarismo). Essas eventualidades acontecem quando o tumor envolve toda a hipófise que é removida conjuntamente com o tumor. Raramente (1 a 3% dos casos) podem ocorrer meningite, lesão cerebral e lesão dos nervos ópticos ou das artérias carótidas.

Veja também sobre "Hipertensão intracraniana", "Meningites", "Craniofaringioma" e "Hipopituitarismo".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayfield Brain & Spine, da U.S. National Library of Medicine e da American Cancer Society.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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