AbcMed

O fator Rh no sangue

Monday, September 11, 2023
Avalie este artigo
O fator Rh no sangue

O que é fator Rh?

O fator Rh do sangue refere-se à presença ou ausência de uma proteína antigênica herdada, chamada fator Rh, na superfície dos glóbulos vermelhos do sangue. Esse fator recebe esse nome porque foi inicialmente identificado em macacos Rhesus, de onde se originou o termo "Rh".

O fator Rh foi descoberto em 1940 pelos cientistas Landsteiner e Wiener. Eles verificaram que, quando introduziam sangue do macaco em coelhos, esses receptores produziam um potente anticorpo que, quando o sangue era de novo introduzido nos macacos, aglutinava suas hemácias. Por isso, esse fator foi inicialmente chamado de anti-Rh.

O que é fator Rh positivo (Rh+) e Rh negativo (Rh-) e quais são as consequências disso?

Em testes com mistura de sangues humanos, verificou-se que em alguns casos ocorria uma aglutinação semelhante à que se verificava em macacos e, em outros casos, não. Isso indicou que alguns tipos de sangue humano possuíam o fator Rh (Rh+) e outros não o possuíam (Rh-). Existem, pois, duas possibilidades principais em relação ao fator Rh: uma pessoa pode ser Rh positiva, se tiver a proteína presente em suas hemácias, ou Rh negativa, se não tiver essa proteína.

O sangue Rh positivo é muito mais comum que o RH negativo; contudo, isso não é uma doença e usualmente não afeta a saúde pessoal. A apuração de um ou outro desses tipos sanguíneos é importante, especialmente durante a gravidez e a transfusão sanguínea.

Durante a gravidez, se uma mulher Rh- conceber um filho Rh+ (pai Rh+), pode ocorrer um problema conhecido como incompatibilidade Rh. Nesses casos, o sistema imunológico da mãe pode produzir anticorpos contra o fator Rh do sangue do feto. Esses anticorpos podem atravessar a placenta e afetar o sangue do feto, resultando em complicações potencialmente graves, como a doença hemolítica do recém-nascido, que demanda uma exsanguineotransfusão.

Em termos de transfusão, uma pessoa Rh+ pode receber sangue tanto de indivíduos Rh+ quanto Rh-. No entanto, uma pessoa Rh- só pode receber sangue de doadores Rh-. Se uma pessoa Rh- receber sangue Rh+, seu sistema imunológico pode produzir anticorpos contra o fator Rh, o que pode causar uma reação imunológica grave.

Veja também sobre "Exsanguineotransfusão do recém-nascido", "Hidropsia fetal" e "Teste do Pezinho ou Triagem Neonatal".

A questão da incompatibilidade mãe-filho

A incompatibilidade do fator Rh entre a mãe e o feto durante a gestação pode levar a complicações conhecidas como doença hemolítica do recém-nascido, também chamada doença hemolítica perinatal. Essas complicações ocorrem quando uma mãe Rh negativa carrega um feto Rh positivo.

A doença hemolítica do recém-nascido ocorre quando os glóbulos vermelhos Rh positivos do feto entram na corrente sanguínea da mãe Rh negativa, desencadeando uma resposta imunológica na mãe. O sistema imunológico da mãe produz anticorpos contra o antígeno Rh positivo, que podem atravessar a placenta e atacar os glóbulos vermelhos Rh positivos do feto. A doença pode variar em gravidade, desde casos leves até formas graves.

As patologias associadas a ela incluem anemia hemolítica, em que os anticorpos maternos destroem os glóbulos vermelhos do feto; icterícia neonatal, devido à destruição dos glóbulos vermelhos que libera bilirrubina; e hidropsia fetal, uma condição na qual ocorre acúmulo de líquido em diferentes partes do corpo do feto, como abdômen, pele, pulmões e outros órgãos.

Nas ocasiões em que uma mulher Rh negativo gera um feto Rh positivo, a gestação merece cuidados especiais para prevenir complicações da incompatibilidade sanguínea. As mulheres que sejam Rh negativo devem tomar imunoglobulina Rh em determinados momentos durante a gravidez e após o parto. Isso ajudará a prevenir a formação de anticorpos maternos contra o fator Rh positivo do feto, além de reduzir o risco de complicações na gestação subsequente.

A questão das transfusões de sangue

Quando uma pessoa recebe uma transfusão de sangue, é fundamental que o tipo sanguíneo do doador seja compatível com o do receptor. Além disso, o fator Rh também precisa ser levado em consideração. Indivíduos Rh positivo (Rh+) podem receber sangue tanto de doadores Rh positivo (Rh+) quanto de doadores Rh negativo (Rh-). Indivíduos Rh negativo (Rh-) só devem receber sangue de doadores que sejam também Rh negativo (Rh-).

A razão para essa regra é que, se uma pessoa Rh- receber sangue Rh+ em uma transfusão, seu sistema imunológico pode produzir anticorpos contra o fator Rh. Isso ocorre porque o corpo considera o fator Rh positivo como um "antígeno/estranho" e desencadeia uma resposta imune. Essa reação é conhecida como sensibilização ao Rh. A sensibilização ao Rh pode não ser um problema na primeira transfusão, mas se a pessoa Rh- receber uma segunda transfusão de sangue Rh+ no futuro, os anticorpos já formados podem atacar as células vermelhas do sangue do doador. Isso pode levar a complicações graves, como a destruição das células vermelhas do sangue e a uma anemia hemolítica.

Para evitar esses problemas, é fundamental que as transfusões de sangue sejam realizadas levando em consideração o tipo sanguíneo e o fator Rh do doador e do receptor, a fim de garantir a compatibilidade e evitar reações adversas. Os profissionais de saúde responsáveis pelas transfusões normalmente são treinados para realizar os testes necessários e garantir a segurança desses procedimentos.

Antes da descoberta do fator Rh, as transfusões de sangue se baseavam apenas no sistema ABO e podiam resultar em várias reações adversas, algumas das quais poderiam ser fatais. As reações eram atribuídas principalmente às diferenças nos tipos sanguíneos ABO entre o doador e o receptor. Algumas das reações comuns que ocorriam antes da descoberta do fator Rh eram uma reação hemolítica aguda, reações febris não-hemolíticas ou reações alérgicas atribuídas a proteínas presentes no plasma do doador.

A descoberta do fator Rh permitiu um melhor controle das transfusões sanguíneas e reduziu significativamente o risco de reações adversas graves. Atualmente, os bancos de sangue realizam testes para determinar a compatibilidade dos tipos sanguíneos ABO e Rh entre o doador e o receptor, minimizando o risco de reações transfusionais indesejadas.

Leia sobre "Grupos sanguíneos", "Icterícia neonatal fisiológica e Kernicterus" e "Distúrbios da coagulação sanguínea".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic - USA e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários