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Tratamento da obesidade

Monday, June 19, 2023
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Tratamento da obesidade

Sobre a obesidade

A obesidade é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no corpo, a ponto de prejudicar a saúde. Esse acúmulo pode ser maior ou menor em cada caso, sendo medido pelo chamado índice de massa corporal (IMC), que é calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pela medida da altura do indivíduo ao quadrado. O IMC é classificado da seguinte maneira:

  • Sobrepeso: IMC entre 25,0 e 29,9 Kg/m²
  • Obesidade grau I: IMC entre 30,0 e 34,9 Kg/m²
  • Obesidade grau II: IMC entre 35,0 e 39,9 Kg/m²
  • Obesidade grau III: IMC maior do que 40,0 Kg/m²

A obesidade é considerada uma doença crônica e multifatorial, resultante de uma combinação de fatores genéticos, ambientais, comportamentais e metabólicos. Ela está em aumento no mundo todo e já é considerada uma pandemia. Entre 1980 e 2013, ela aumentou de 28% para 38%, e o IMC mundial aumentou 0,4 a 0,5 kg/m².

É difícil determinar o número exato de mortes causadas pela obesidade, pois a condição está frequentemente relacionada a outras doenças. No entanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é responsável por cerca de 2,8 milhões de mortes por ano em todo o mundo, e esse número pode variar em diferentes regiões do globo, dependendo de diferentes fatores, como localização geográfica, nível socioeconômico e estilo de vida. Embora o problema afete também os homens, ele é maior entre as mulheres.

A obesidade está associada a um maior risco de desenvolver uma variedade de condições de saúde, incluindo:

Além disso, a obesidade em si mesma pode ter um impacto significativo na qualidade de vida, causando limitações físicas, baixa autoestima e discriminação social.

Veja também sobre "Macronutrientes", "Micronutrientes", "O que afeta o comportamento da glicemia" e "Como funciona o controle do apetite".

Como é o tratamento da obesidade?

O tratamento da obesidade deve envolver uma abordagem que combine:

  1. Mudanças na alimentação
  2. Aumento da atividade física
  3. Intervenções médicas adicionais
  4. Apoio emocional

Em alguns casos, está indicado fazer uma cirurgia bariátrica, que diminui a absorção dos alimentos pelo trato gastrointestinal, promovendo a perda de peso.

O tratamento completo da obesidade demanda uma equipe multidisciplinar que conte com endocrinologista, nutricionista, cirurgião bariátrico, educador físico e, em alguns casos, psicólogo, para tratar eventuais comportamentos que podem causar compulsão alimentar ou para ajudar o paciente a não desistir do tratamento.

Melhor que o tratamento é a prevenção da obesidade. Ela envolve hábitos de vida saudáveis desde a infância, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, redução do tempo de sedentarismo e promoção de uma cultura de bem-estar.

No entanto, uma vez que a obesidade já exista, a perda de peso deve ser gradual e sustentável, o que exigirá atitudes diferentes a cada momento do processo de emagrecimento. Uma vez conseguido o peso ideal, é necessário mantê-lo relativamente inalterado. Isso exige uma mudança permanente no estilo de vida.

Algumas opções comuns de tratamento da obesidade

Controle de calorias e alimentação saudável

O peso de uma pessoa está relacionado, entre outros fatores, à quantidade de calorias ingeridas e gastas a cada dia. Se a ingesta for maior que o dispêndio, a pessoa tende a ganhar peso e, se for menor, tende a perder peso. Calorias correspondem à quantidade de energia armazenada em cada alimento.

Para manter seu peso, uma pessoa precisa ingerir, em média, 2000 calorias por dia, mas esse número pode variar na dependência da idade, sexo e atividade física de cada um. Essas calorias são utilizadas nas atividades diárias da pessoa, como andar, pensar, respirar e nas demais atividades cotidianas. Os homens normalmente necessitam de mais calorias que as mulheres e as pessoas que se exercitam necessitam de mais calorias que as sedentárias.

Uma alimentação saudável é aquela que fornece todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo sem ultrapassar o equilíbrio calórico necessário para a manutenção do peso. Uma alimentação saudável deve ser equilibrada, variada e adequada às necessidades individuais de cada pessoa. Isso inclui:

  1. consumir uma ampla variedade de alimentos, como frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras (peixes, aves, legumes, nozes e sementes) e laticínios com baixo teor de gordura, evitando os excessos;
  2. limitar o consumo de alimentos processados, como refrigerantes, salgadinhos, doces e fast food em geral;
  3. reduzir o consumo de gorduras saturadas e trans, presentes em alimentos como carnes gordurosas, manteiga, margarina, óleos hidrogenados e alimentos fritos;
  4. aumentar a ingestão de fibras, presentes em frutas, vegetais, legumes, grãos integrais e sementes;
  5. hidratar-se adequadamente, bebendo água fartamente, evitando bebidas açucaradas e limitando o consumo de álcool;
  6. e moderar o consumo de sal e açúcar.

Uma tal alimentação saudável e equilibrada é essencial no tratamento da obesidade e deve ser mantida para a conservação do peso ideal.

Prática de atividade física

Aumentar a atividade física é fundamental para queimar calorias. Além disso, a queima de calorias ajuda também a melhorar a saúde cardiovascular, além de promover a perda de peso.

Recomenda-se a prática regular de exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, natação ou ciclismo, além do treinamento de força para fortalecer os músculos. Eles podem contribuir de diversas maneiras para a perda de peso e a manutenção de um estilo de vida saudável, ajudando:

  1. na queima de calorias, aumentando o déficit calórico necessário para a perda de peso;
  2. a acelerar o metabolismo, aumentando a quantidade de calorias que o corpo queima em repouso (metabolismo basal);
  3. a preservar a massa muscular, que geralmente é perdida nos processos de emagrecimento;
  4. a melhorar a composição corporal músculos/gordura;
  5. e a controlar o apetite e a compulsão alimentar.

Mudanças no estilo de vida

Mudanças no estilo de vida e no comportamento são importantes para alcançar e manter a perda de peso a longo prazo. Isso pode envolver:

  1. a adoção permanente de uma alimentação saudável;
  2. o controle do tamanho das porções consumidas, praticando a moderação;
  3. o comer apenas nas horas estipuladas, deixando de “lambiscar” de vez em quando;
  4. a inclusão do exercício físico como uma atividade regular;
  5. a manutenção de hábitos saudáveis de sono;
  6. e o gerenciamento do estresse.

Terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental pode ser útil no tratamento da obesidade, ajudando os indivíduos a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamentos relacionados à alimentação e ao exercício físico.

Uso de medicamentos

Em alguns casos, podem ser prescritos medicamentos para ajudar no controle do peso corporal, especialmente quando há riscos à saúde associados à obesidade. Alguns exemplos deles incluem:

  1. inibidores de apetite;
  2. inibidores de absorção de gordura;
  3. e medicamentos que aumentam o metabolismo.

Esses medicamentos devem ser usados sob a supervisão de um médico porque envolvem riscos de efeitos colaterais graves.

Cirurgia bariátrica

Em casos de obesidade mórbida ou quando outras formas de tratamento não foram eficazes, a cirurgia bariátrica pode ser considerada. Essa é uma opção mais invasiva e irreversível, que envolve a redução do tamanho do estômago ou a alteração do processo de absorção dos alimentos.

Leia sobre "Como funciona o controle do apetite", "Os mecanismos da fome" e "Dez dicas para mulheres perderem peso sem sofrer".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do CDC - Centers for Disease Control and Prevention e da WHO - World Health Organization.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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