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Ergonomia e seus princípios

Friday, February 10, 2023
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Ergonomia e seus princípios

O que é ergonomia?

A ergonomia (grego: ergon = trabalho + nomos = normas) é a ciência que procura estudar as relações entre as pessoas e as máquinas, equipamentos, computadores, etc. e criar normas que façam com que os trabalhadores sejam expostos ao menor risco ambiental possível. Ela é, também, a aplicação de princípios psicológicos e fisiológicos à engenharia e desenho de produtos, processos e sistemas de utilização humana.

Na prática, a ergonomia estuda a relação geral que existe entre o homem e a forma como ele executa seu trabalho, ou seja, é um conjunto de regras e procedimentos que marcam a organização do ambiente de trabalho e as interações entre o homem e as máquinas e equipamentos no espaço físico onde trabalha.

O conceito de ergonomia foi utilizado pela primeira vez apenas em 1857, pelo polonês Wojciech Jarstembowsky, embora a preocupação com a adaptação do trabalho venha de muito mais tempo atrás. No entanto, foi a partir daí que ele passou a ser utilizado com maior ênfase no ambiente de trabalho e nas atividades rotineiras, no esporte e até mesmo no lazer.

Leia sobre "Desvios da coluna vertebral", "Dor no pescoço" e "Lombalgia".

Por que ergonomia?

Hoje em dia, é difícil pensar em bem-estar no trabalho sem falar de ergonomia. Estudos mostram que as empresas que investem no bem-estar dos seus trabalhadores são muito mais eficientes e ganham em produtividade. Afinal, saúde, segurança e qualidade de vida são importantes para o ser humano em qualquer lugar, e no ambiente de trabalho não poderia ser diferente.

A ergonomia pode proporcionar as seguintes vantagens:

  • Que os trabalhadores tenham maior conforto para executar suas atividades.
  • Prevenir doenças ocupacionais, lesões, dores no corpo e outras possíveis consequências negativas do trabalho.
  • Minimizar, ao longo do tempo, possíveis danos à saúde, diminuindo muito o absenteísmo e as doenças ocupacionais, tanto físicas quanto mentais.
  • Incremento e preservação da capacidade física e psicológica do trabalhador.
  • Valorização do trabalhador, que se sente prestigiado pela sua empresa.
  • Aumento da produtividade do trabalhador e da empresa.

Quais são os tipos de ergonomia?

A Associação Internacional de Ergonomia divide a ergonomia em três domínios de especialização. A diferença entre os três tipos está no seu objeto de estudo e na forma de intervenção. São eles:

  • Ergonomia física: trata da relação entre as atividades físicas utilizadas no trabalho e as características gerais e específicas da pessoa, compreendendo sua fisiologia, antropometria e biomecânica. Ela aborda sobretudo a postura no trabalho; a forma como são manuseados os diversos materiais; a presença de movimentos repetitivos; os possíveis distúrbios musculoesqueléticos e a segurança e a saúde do trabalhador. No que diz respeito à antropometria, a intenção dela é dimensionar equipamentos, máquinas e ferramentas de trabalho ao biotipo individual. A ergonomia física tem o papel de conscientizar e orientar se o indivíduo está observando a postura e as atitudes corretas na execução do seu trabalho.
  • Ergonomia organizacional: se propõe a intervir na cultura e no clima organizacional do ambiente de trabalho, procurando conseguir a otimização dos sistemas sociotécnicos, que incluem pessoas como partes inerentes do sistema, com as estruturas organizacionais de processos e políticas. Os temas mais frequentemente abordados por ela são as comunicações; o trabalho em grupo; a cultura organizacional da empresa; a organização temporal do trabalho e a gestão da qualidade. Esse tipo de ergonomia pode sugerir mudanças no modo de liderança que vem sendo exercida, melhorias na forma de gestão e novas formas de trabalho e de comunicação.
  • Ergonomia cognitiva: trata dos processos mentais utilizados pelo indivíduo na realização do seu trabalho. Entre esses processos, destacam-se o raciocínio, a resposta motora, a percepção e a memória. Os principais aspectos avaliados são o desgaste mental exigido pelo trabalho; os processos de tomada de decisão; o desempenho especializado em determinadas áreas; a confiabilidade humana; o estresse de origem profissional e o treinamento para projetos que envolvam habilidades especiais. O principal objetivo da ergonomia cognitiva é buscar medidas que diminuam os fatores de estresse mental no ambiente de trabalho.

Algumas dicas de ergonomia que podem ser úteis

  1. Fazer exercícios de aquecimento antes de iniciar o trabalho, de preferência com movimentos contrários àqueles que serão utilizados nas tarefas laborais.
  2. Manter uma posição confortável de trabalho. Utilizar móveis e equipamentos adequados à tarefa a ser executada e utilizá-los na posição correta.
  3. Manter uma boa iluminação do ambiente, adequada às tarefas a serem executadas, que não seja insuficiente nem excessiva. Luz de menos, força à visão; luz demais, ofusca a visão.
  4. Manter os objetos de que necessitará o mais próximo possível de si, para que não seja necessário alterar sua postura a cada vez que precisar apanhá-los.
  5. Se trabalhar assentado, manter a altura da cadeira numa posição confortável, de modo que os joelhos dobrem num ângulo de 90°, os pés fiquem apoiados no solo e os braços fiquem apoiados sobre a mesa ou os braços laterais da cadeira.
  6. Alternar, de vez em quando, a postura mantida no trabalho. Por exemplo, se trabalhar assentado, levantar-se e caminhar um pouco, a cada 50 minutos.
  7. Evitar tarefas que exijam movimentos repetitivos, sobretudo movimentos finos.
  8. Se tiver de levantar cargas pesadas, fazê-lo sem dobrar a coluna e certificar-se de estar bem preso ao solo para não sofrer escorregões ou tropeços.
  9. Ao levantar a carga, respirar fundo e manter a respiração presa. Flexionar as pernas e o tronco num ângulo de 45°.
  10. Somente utilizar a posição agachada para levantar peso de carga compacta que caiba entre os joelhos.
  11. Ao carregar peso, distribuí-lo entre os dois lados do corpo e carregá-lo com os braços estendidos, junto ao corpo. Nunca carregar peso sobre a cabeça.
Veja também sobre "Alterações posturais", "Instabilidade da coluna", "Dores nas costas" e "Hérnia de disco".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Sesi – CE e da ABERGO – Associação Brasileira de Ergonomia.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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