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Persistência do forame oval ou forame oval patente

quarta-feira, 4 de novembro de 2020
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Persistência do forame oval ou forame oval patente

O que é forame oval?

Forame oval, também chamado forame de Botallo, é um orifício no septo entre os dois átrios cardíacos, direito e esquerdo. Ele está presente apenas na vida fetal e funciona como uma passagem do sangue mais oxigenado, vindo da veia umbilical, do átrio direito para o átrio esquerdo. O sangue do átrio esquerdo não retorna para o átrio direito graças a uma válvula (septum primum) que oclui o forame no momento em que o átrio esquerdo se contrai.

Essa é a forma de circulação fetal, quando os pulmões ainda não estão funcionantes. No ventre materno, o feto não usa o sangue oxigenado vindo dos pulmões, ainda não funcionantes, mas aproveita o que vem da circulação da mãe através do cordão umbilical. Normalmente, tal abertura fecha-se minutos ou horas após o parto ou mesmo nos primeiros dias de vida do recém-nascido.

O que é a persistência do forame oval?

Após o nascimento, essa comunicação entre o átrio direito e o esquerdo se fecha espontaneamente em algumas horas, na maioria das vezes. Porém, em cerca de 1/3 das pessoas ela pode permanecer parcialmente aberta na vida adulta, permitindo a passagem de sangue do lado direito para o lado esquerdo do coração sem passar pelos pulmões. Se o septo não se fecha corretamente, esse defeito se chama persistência do forame oval ou forame oval patente.

Há dois tipos de furos no coração que não devem ser confundidos. Um é chamado de defeito do septo atrial (DSA) e o outro de forame oval patente (FOP). Embora ambos sejam buracos na parede do tecido (septo) entre as câmaras superiores esquerda e direita do coração (átrios), suas causas são bem diferentes. Um defeito do septo atrial é uma falha de formação do tecido septal entre os átrios, e como tal é considerado um defeito congênito do coração, algo com o qual se nasce. Geralmente um orifício de defeito do septo atrial é maior que o de um forame oval patente. Quanto maior o buraco, maior é a probabilidade de haver sintomas.

FOPs, por outro lado, só podem ocorrer após o nascimento, quando o forame oval não se fecha. Como já dito, o forame oval é um buraco na parede entre os átrios esquerdo e direito de cada feto humano. Este buraco permite que o sangue contorne os pulmões do feto, que não pode funcionar até que eles sejam expostos ao ar. Quando um recém-nascido entra no mundo e respira pela primeira vez, o forame oval fecha e, em poucos meses, ele já está completamente selado em cerca de 75% de nós. Quando permanece aberto, ele é chamado de forame oval patente. Para a grande maioria dos milhões de pessoas com um FOP, ele não será um problema, mesmo que o sangue esteja refluindo do átrio direito para o esquerdo. Os problemas podem surgir quando esse sangue contém um coágulo.

Leia sobre "Arritmias cardíacas", "Bradicardia" e "Cardiopatias congênitas".

Quais são as causas da persistência do forame oval?

Não se conhece a causa exata da persistência do forame oval, mas algumas condições e fatores existentes durante a gravidez podem aumentar o risco dessa ocorrência: rubéola ou outras doenças virais, má nutrição, uso de álcool, idade materna acima dos 40 anos e diabetes mellitus.

Quais são as principais características clínicas da persistência do forame oval?

Normalmente o forame oval persistente não causa sintomas, porém influencia a circulação sanguínea e pode gerar um episódio de embolização, quando então o sintoma vai depender da região corporal que sofreu embolização e pode incluir paralisia de parte do corpo, alterações de comportamento e/ou da memória, alterações de visão, dificuldade de fala, esfriamento de parte do corpo e dor abdominal. Nem todos esses sintomas estarão presentes em todos os indivíduos. É importante levar em consideração o tamanho da abertura do forame, que quanto maior for, maior a probabilidade de gravidade desta condição.

Como o médico diagnostica a persistência do forame oval?

A persistência do forame oval pode ser identificada por um ecocardiograma. Em alguns casos, o paciente deve tossir para aumentar a pressão no átrio direito e, assim, aumentar o fluxo sanguíneo da direita para a esquerda. A ultrassonografia feita através do esôfago contribui para dar uma visão mais detalhada dessa anomalia cardíaca. O doppler mostra a possível passagem de microêmbolos na circulação cerebral.

Veja sobre "Sopro cardíaco", "Embolia pulmonar ou embolismo" e "Coagulograma".

Como o médico trata a persistência do forame oval?

A pessoa com uma forma leve de persistência do forame oval não precisa de tratamento se não tem outro distúrbio associado. Pacientes que tiveram complicações como um acidente vascular cerebral ou um ataque isquêmico podem tomar anticoagulantes para diluir o sangue. A pessoa com uma forma leve de forame oval patente não precisa de tratamento se não tem nenhum outro distúrbio relacionado. Em alguns casos, pode ser recomendado o fechamento percutâneo ou cirúrgico do forame oval.

Como evolui em geral a persistência do forame oval?

Com o passar do tempo, o fluxo anormal de sangue do lado direito do coração para o lado esquerdo pode causar problemas cardíacos graves, por isso esta condição precisa ser acompanhada por um cardiologista, que tomará as medidas cabíveis para evitar tais complicações. Dentre elas estão complicações previsíveis, raras em bebês e crianças, mas presentes mesmo cerca de 30 anos mais tarde, que são insuficiência cardíaca direita, arritmias, acidente vascular cerebral e hipertensão pulmonar.

Quais são as complicações possíveis da persistência do forame oval?

Pequenos coágulos podem atravessar para o lado esquerdo do coração e causar fenômenos embólicos com significativa repercussão. Essa é uma das principais causas de acidentes vasculares cerebrais em jovens e pode causar também um ataque cardíaco. Mesmo indivíduos assintomáticos apresentam riscos de embolização e precisam fazer um controle regular com um cardiologista.

Leia também sobre "Acidente vascular cerebral em jovens", "Derrame Cerebral" e "Hipóxia cerebral".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic, da Cleveland Clinic e da American Heart Association.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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