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Cirurgia refrativa - conheça mais sobre esse tipo de cirurgia ocular

Wednesday, December 9, 2020
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Cirurgia refrativa - conheça mais sobre esse tipo de cirurgia ocular

O que é cirurgia refrativa?

Cirurgias refrativas são todas as cirurgias oculares feitas com o objetivo de melhorar o estado refracional do olho e a focalização das imagens. Tipicamente, essas cirurgias são realizadas para reduzir ou eliminar a necessidade de correção visual pelo uso de óculos ou lentes de contato.

Existem vários procedimentos cirúrgicos para corrigir ou ajustar a capacidade de foco do olho, remodelando a córnea, uma cúpula redonda e transparente na frente do olho. Em geral, essas cirurgias visam corrigir a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia. Em seu emprego como terapêutica, ela é usada para tratar doenças da córnea, como, por exemplo, o ceratocone.

Qual é o substrato fisiológico dos distúrbios refrativos?

A visão nítida é resultado da focalização das imagens sobre a retina, tão logo passem através dos meios transparentes do olho, ou seja, a córnea, o humor aquoso, o cristalino e o humor vítreo, transformando-se em impulso nervoso ao chegar à retina, que é, então, transmitido ao cérebro. A focalização é feita por essas estruturas. Se a imagem não for focalizada sobre a retina por uma alteração mecânica de alguma dessas estruturas, a visão não será nítida, estabelecendo-se diferentes erros de refração.

Leia também sobre "Transplante de córnea", "Alergia ocular", "Catarata" e "Glaucoma".

Por que fazer uma cirurgia refrativa?

A pessoa portadora de algum distúrbio de refração tem a visão diminuída, desconforto ocular e dores de cabeça, além de lacrimejamento e ardor nos olhos. Não existe um método único aceito de modo geral como sendo o melhor para corrigir erros de refração. A melhor opção para cada pessoa deve ser decidida após um exame minucioso e discussão com o oftalmologista. O uso de óculos ou lentes de contato normalmente é suficiente para fazer desaparecer os sintomas, mas a cirurgia refrativa pode ser uma boa opção para quem está livre de doenças oculares, tem um erro refrativo apropriado para esse procedimento e deseja diminuir sua dependência de óculos ou lentes de contato, e aceita os riscos inerentes e possíveis efeitos do procedimento.

Quais são as características das cirurgias refrativas?

As modernas cirurgias refrativas por laser correspondem às mais importantes contribuições da oftalmologia nos últimos tempos, inclusive para remodelar a curvatura da córnea. O laser pode também ser usado em várias partes do olho e tem ajudado a tratar diversas doenças oculares.

A cirurgia é indicada para pessoas a partir dos 18 anos, quando é esperada a estabilização do grau de visão. Mesmo assim, após os 40 anos de idade deve-se considerar a possibilidade do uso de óculos para leitura, mesmo nas pessoas operadas. A cirurgia em báscula (um olho para longe e outro para perto), possibilita menor dependência de qualquer correção por lentes.

Na avaliação pré-operatória, além da consulta oftalmológica normal, devem ser realizados alguns exames complementares mais específicos para afastar a possibilidade de haver alterações ou degenerações oculares que contraindiquem a cirurgia.

Para pessoas com miopia, em que as imagens ficam focadas na frente da retina, a cirurgia as “empurra” para mais perto ou as localiza precisamente diretamente sobre a retina. Nas pessoas com hipermetropia, em que as imagens são focadas além da retina, elas serão “puxadas” para mais perto ou focalizadas diretamente sobre a retina. O astigmatismo pode ser corrigido com técnicas de cirurgia refrativa para que as imagens sejam focalizadas claramente na retina e não com as distorções devidas à dispersão da luz através de uma córnea de formato imperfeito.

Pesquisas da Universidade Médica da Carolina do Sul mostraram que a taxa geral de satisfação dos pacientes depois da cirurgia primária para miopia e hipermetropia é superior a 95%.

Quais são as contraindicações das cirurgias refrativas?

A cirurgia refrativa não é recomendada para todas as pessoas. Aquelas com certos tipos de doenças oculares envolvendo a córnea ou a retina, em especial as doenças infecciosas em atividade (conjuntivite, blefarite, ceratite, úlcera de córnea, etc.), mulheres grávidas e pacientes com glaucoma, diabetes e doenças vasculares não controladas ou doenças autoimunes não são bons candidatos a essa cirurgia.

A existência do ceratocone também é uma contraindicação à cirurgia refrativa. Quando o ceratocone ocorre depois de uma cirurgia refrativa, é chamado de ectasia corneana (distensão da córnea). Acredita-se que o afinamento adicional da córnea causado pela cirurgia refrativa possa contribuir para o surgimento ou avanço da doença e possa levar à necessidade de um transplante de córnea.

Ademais, a forma dos olhos de algumas pessoas pode não permitir cirurgias refrativas efetivas sem que se removam as quantidades excessivas de tecido da córnea.

Quais são os riscos das cirurgias refrativas?

Apesar do risco de complicações estar diminuindo se comparado às primeiras cirurgias refrativas, ainda há uma pequena chance de ocorrerem sérios problemas, como imagens fantasmas (percepção de imagens que não existem); halos ou efeito auréola (ver auréolas de luz em torno dos objetos); visão de pontos luminosos, como se fossem estrelas; visão dupla ou múltipla e síndrome do olho seco.

Veja mais sobre "Síndrome de Sjogren", "Lentes de contato" e "Vista embaçada".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Instituto de Oftalmologia do Rio de Janeiro e da American Academy of Ophtalmology.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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