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Sialorreia - em que consiste?

terça-feira, 11 de maio de 2021
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Sialorreia - em que consiste?

O que é sialorreia?

A sialorreia, também conhecida como hipersalivação ou ptialismo, significa literalmente fluxo excessivo de saliva. É um sintoma debilitante que ocorre quando há excesso de saliva na boca. Esse problema pode se manifestar por uma das duas maneiras:

  1. sialorreia anterior, que é quando os pacientes apresentam derramamento excessivo de saliva a partir da boca (baba)
  2. sialorreia posterior, quando os pacientes apresentam derramamento posterior excessivo de saliva da boca, afetando as vias aéreas
Frequentemente, os pacientes apresentam uma mistura de ambos os tipos de sialorreia.

Quais são as causas da sialorreia?

Em bebês, uma proporção maior de saliva é um fato fisiológico que deve cessar entre as idades de 15 a 36 meses, com o estabelecimento da continência salivar, e só deve ser considerada anormal se persiste após os 4 anos de idade.

A sialorreia patológica pode ser um fenômeno isolado devido à hipersalivação ou ocorrer em conjunto com vários distúrbios neurológicos, como esclerose lateral amiotrófica, paralisia cerebral, doença de Parkinson ou como um efeito colateral de medicamentos. Em crianças, a causa mais comum de sialorreia é a paralisia cerebral, que persiste em 10% a 38% dos casos. Em adultos, a doença de Parkinson é a causa mais comum, ocorrendo em 70% a 80% dos pacientes.

Enfim, a sialorreia pode ser decorrente do aumento da produção de saliva (idiopática ou induzida por drogas) ou relacionada à falha dos mecanismos de remoção da saliva da cavidade oral. Perturbações na coordenação da musculatura orofacial e do palato podem levar ao acúmulo de saliva na porção anterior da boca. Essa incoordenação também inibe o início do reflexo de deglutição, interrompendo ainda mais o caminho da saliva da boca para a orofaringe.

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Como é produzida a saliva?

As principais glândulas produtoras de saliva são as parótidas (a maior delas), as submandibulares e as sublinguais. A saliva que elas secretam tem papel importante na lubrificação, digestão, imunidade e manutenção da homeostase no corpo humano.

A glândula parótida está localizada na região pré-auricular, ao longo da superfície posterior da mandíbula, e é dividida pelo nervo facial em um lobo superficial e um lobo profundo. A glândula submandibular é a segunda maior glândula salivar, está localizada no triângulo submandibular. A glândula sublingual é a menor das três e fica no assoalho anterior da boca.

A saliva é produzida em grandes volumes em relação à massa de cada glândula e é quase completamente controlada extrinsecamente pelo sistema nervoso autônomo. A produção diária de saliva é de 500 ml a 2 litros. Quando estimulada (pela mastigação, por exemplo), 70% da saliva é secretada pelas glândulas submandibulares e sublinguais, mas no estado de repouso as glândulas parótidas fornecem a maior parte da saliva.

Quais são as características clínicas da sialorreia?

Em situações normais, toda a saliva produzida pelas glândulas salivares deve ser deglutida pela pessoa. Então, a deglutição espontânea é necessária para o controle da salivação e ela envolve a coordenação eficiente de várias estruturas, incluindo cavidade oral, faringe, laringe e esôfago.

A sialorreia que ocorre nas doenças neurológicas é devida à deglutição prejudicada em razão de mau funcionamento neuromuscular. Em crianças com distúrbios neurológicos, a salivação parece ser mais um efeito do controle ineficiente da língua, ao invés do aumento da secreção salivar.

Independentemente da causa da sialorreia, a baba em si é problemática, levando a complicações clínicas e funcionais, como prejuízo no funcionamento social, aspiração, lesões da pele, mau odor e infecção.

Como o médico trata a sialorreia?

A sialorreia é conhecida como de difícil tratamento. O manejo pode ser conservador ou invasivo. Os tratamentos conservadores incluem mudanças na dieta ou hábitos, exercícios motores orais, dispositivos intraorais, como dispositivos de treinamento palatino, e tratamentos médicos, como medicamentos ou injeções.

A modificação do comportamento tem sido defendida por muitas décadas, mas os resultados são inconsistentes e demorados. A terapia oral para a sialorreia envolve o uso de medicamentos que atuam diminuindo a secreção de saliva através do sistema nervoso autônomo.

Os tratamentos mais invasivos incluem cirurgia ou radiação. A radiação raramente é aplicada e normalmente é reservada para pacientes idosos que não são candidatos à cirurgia e não podem tolerar outras terapias médicas. Embora os casos cirúrgicos pareçam oferecer resultados mais permanentes, eles têm efeitos colaterais. 

Vários procedimentos cirúrgicos foram sugeridos para o tratamento da salivação, abrangendo uma alteração na anatomia das glândulas salivares, excisão das glândulas, denervação das glândulas salivares e transposição ou ligadura dos ductos salivares. Esses procedimentos são reservados para casos graves e, como dito, têm seus efeitos colaterais.

Quais são as complicações possíveis com a sialorreia?

A sialorreia anterior normalmente causa a baba, levando à dificuldade de limpeza no rosto e nas roupas, exigindo maiores cuidados com a pele e prejudicando a socialização. A sialorreia posterior pode causar irritação pulmonar crônica (aspiração), que às vezes pode progredir para pneumonia.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da American Academy of Family Physicians, da Science Direct e da University of Iowa Health Care.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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