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Herpangina: o que é? Quais as causas? E os sintomas? Como é o diagnóstico? E o tratamento? Como evolui? Ela pode ser evitada?

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O que é herpangina?

A herpangina é o nome de uma infecção1 dolorosa da cavidade oral2 que, comumente, afeta crianças pequenas, especialmente durante o verão, mas que também pode afetar adolescentes e adultos.

Quais são as causas da herpangina?

A herpangina normalmente é causada pelos vírus3 da variedade Coxsackie, embora outros enterovírus4 possam também estar implicados. A transmissão da herpangina se dá pela via fecal-oral ou por gotículas respiratórias expelidas durante espirros ou tosses de pessoas infectadas.

Quais são os principais sinais5 e sintomas6 da herpangina?

A herpangina algumas vezes pode ser assintomática, mas em geral se manifesta abruptamente com febre7 alta (cerca de 40°C), dificuldade para engolir (disfagia8), anorexia9, vômitos10, diarreia11, secreção abundante de saliva (sialorreia12) e dor de garganta13. O período febril dura entre um e quatro dias e neste tempo surgem na faringe14 e na cavidade oral2 (amígdalas15, úvula16 e palato17 mole) vesículas18 de coloração branco-acinzentadas, rodeadas por um alo avermelhado que posteriormente podem apresentar uma ulceração19 central. As lesões20 passam de máculas21 para vesículas18 e então para ulcerações22. Os gânglios23 do pescoço24 estão aumentados de volume e doloridos. Após dois a três dias, as lesões20 podem aparecer também nas palmas das mãos25 e solas dos pés.

Como o médico diagnostica a herpangina?

O diagnóstico26 da herpangina é clínico e deve levar em consideração a localização e a distribuição das lesões20 na cavidade oral2 e faringe14. Quando há necessidade, pode ser feito o isolamento do vírus3 por meio de exames laboratoriais ou verificação da existência de anticorpos27 contra o vírus3 na corrente sanguínea do paciente. Isso, no entanto, tem mais utilidade como pesquisa do que como tratamento, já que o resultado dos exames demora um tempo superior àquele do desaparecimento espontâneo dos sintomas6.

Como o médico trata a herpangina?

A doença é autolimitada e termina seu curso dentro de uns dez dias ou pouco mais. O tratamento visa minimizar o desconforto dos sintomas6 e é apenas de suporte: antitérmicos28, anestésicos tópicos na cavidade oral2, antibióticos, em caso de infecções29 bacterianas secundárias à virose, aumento da ingestão de líquidos, etc. Deve-se evitar o uso de aspirina, por seus efeitos anticoagulantes30. Como as crianças podem mostrar dificuldades de ingerir comidas e bebidas, o médico deve estar atento a uma possível desidratação31.

Como evolui a herpangina?

Usualmente, as manifestações clínicas desaparecem em poucos dias, havendo regressão espontânea das lesões20.

Como prevenir a herpangina?

Não há como prevenir a herpangina, a não ser evitando contato com a pessoa infectada. Não existe vacina32 contra a doença. 

ABCMED, 2014. Herpangina: o que é? Quais as causas? E os sintomas? Como é o diagnóstico? E o tratamento? Como evolui? Ela pode ser evitada?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/530534/herpangina-o-que-e-quais-as-causas-e-os-sintomas-como-e-o-diagnostico-e-o-tratamento-como-evolui-ela-pode-ser-evitada.htm>. Acesso em: 23 set. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
2 Cavidade Oral: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
3 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
4 Enterovírus: Grupo de picornavírus, geralmente presentes no intestino, que podem causar doenças respiratórias ou do tecido nervoso como, por exemplo, no homem, a poliomielite e, nos animais, a febre aftosa.
5 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
8 Disfagia: Sensação consciente da passagem dos alimentos através do esôfago. Pode estar associado a doenças motoras, inflamatórias ou tumorais deste órgão.
9 Anorexia: Perda do apetite ou do desejo de ingerir alimentos.
10 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
11 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
12 Sialorreia: Produção excessiva de saliva; hipersialose. Escoamento de saliva para fora da boca, geralmente por causa de problemas de deglutição ou paralisia facial.
13 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
14 Faringe: Canal músculo-membranoso comum aos sistemas digestivo e respiratório. Comunica-se com a boca e com as fossas nasais. É dividida em três partes: faringe superior (nasofaringe ou rinofaringe), faringe bucal (orofaringe) e faringe inferior (hipofaringe, laringofaringe ou faringe esofagiana), sendo um órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.
15 Amígdalas: Designação comum a vários agregados de tecido linfoide, especialmente o que se situa à entrada da garganta; tonsila.
16 Úvula: Popularmente conhecida como campainha ou sininho , a úvula é um apêndice cônico do véu palatino, situado na parte posterior da boca.
17 Palato: Estrutura que forma o teto da boca. Consiste em palato duro anterior (PALATO DURO) e de palato mole posterior (PALATO MOLE).
18 Vesículas: Lesões papulares preenchidas com líquido claro.
19 Ulceração: 1. Processo patológico de formação de uma úlcera. 2. A úlcera ou um grupo de úlceras.
20 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
21 Máculas: Máculas ou manchas são lesões planas, não palpáveis, constituídas por uma alteração circunscrita da cor da pele.
22 Ulcerações: 1. Processo patológico de formação de uma úlcera. 2. A úlcera ou um grupo de úlceras.
23 Gânglios: 1. Na anatomia geral, são corpos arredondados de tamanho e estrutura variáveis; nodos, nódulos. 2. Em patologia, são pequenos tumores císticos localizados em uma bainha tendinosa ou em uma cápsula articular, especialmente nas mãos, punhos e pés.
24 Pescoço:
25 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
26 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
27 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
28 Antitérmicos: Medicamentos que combatem a febre. Também pode ser chamado de febrífugo, antifebril e antipirético.
29 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
30 Anticoagulantes: Substâncias ou medicamentos que evitam a coagulação, especialmente do sangue.
31 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
32 Vacina: Tratamento à base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que têm o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
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