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Cistinose - como ela é? O que deve ser feito?

Friday, June 19, 2020
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Cistinose - como ela é? O que deve ser feito?

O que é cistinose?

A cistinose é uma doença genética rara que se caracteriza pelo acúmulo no organismo de um aminoácido chamado cistina. Como a cistina não se dissolve com a água, ela forma cristais que se depositam em diversos órgãos, em especial nos rins, olhos, músculos, fígado, pâncreas e cérebro, comprometendo o funcionamento deles.

Pode-se identificar três formas clínicas diferentes de cistinose, conforme a localização principal desses cristais: (1) cistinose nefropática infantil; (2) cistinose intermediária e (3) cistinose não nefropática.

A cistinose foi descrita pela primeira vez na literatura médica em 1903 por Abderhalden.

Saiba mais sobre "Síndrome de Fanconi", "Insuficiência renal crônica" e "Transplante renal".

Qual é a causa da cistinose?

A cistinose é uma doença metabólica autossômica recessiva. O gene responsável pela cistinose está localizado no cromossoma 17, responsável pela produção da cistinosina, proteína que remove a cistina do interior das células, impedindo seu acúmulo. Com a ausência ou queda da cistinosina, a cistina se acumula no interior das células e forma cristais.

Qual é o substrato fisiológico da cistinose?

A cistinose é classificada como um distúrbio de armazenamento lisossômico. Os lisossomos são a principal unidade digestiva dentro das células. Eles “digerem” certos nutrientes, como gorduras, proteínas e carboidratos. Algumas enzimas dentro dos lisossomos metabolizam esses nutrientes, enquanto outras proteínas transportam os produtos metabólicos restantes, como a cistina, por exemplo, para fora do lisossomo. No caso da cistinose, a falta de um transportador específico faz com que a cistina se acumule nos lisossomos das células em todo o corpo. Dessa maneira, ela forma cristais em muitos tipos de células e danifica lentamente os órgãos afetados.

Quais são as características clínicas da cistinose?

A idade de início, os sintomas e a gravidade da cistinose podem variar muito de uma pessoa para outra, devido a vários fatores como a maior ou menor presteza em ser diagnosticada e tratada. Os rins e os olhos costumam ser os dois órgãos mais afetados, mas, eventualmente, a cistinose pode afetar outros tecidos do corpo.

Os sintomas da cistinose nefropática geralmente se tornam aparentes na segunda metade do primeiro ano de vida e podem ser leves ou graves. Os bebês afetados podem ter episódios de vômito, falta de apetite e dificuldades de alimentação, que contribuem para a deficiência nutricional e para a falta de ganho de peso e crescimento abaixo da taxa esperada. Em média, o crescimento em crianças não tratadas fica em 60% da taxa esperada. Bebês com cistinose nefropática desenvolvem disfunção renal (síndrome de Fanconi).

Os sintomas da síndrome renal de Fanconi se tornam aparentes entre 6 e 12 meses de idade e podem incluir sede excessiva, produção excessivas de urina, desequilíbrios eletrolíticos, vômitos e desidratação com ou sem febre. Pode também causar raquitismo hipofosfatêmico.

Como o médico diagnostica a cistinose?

No caso da forma não-nefropática (benigna), o diagnóstico costuma ser feito em adultos quando eles procuram um oftalmologista com queixa de fotofobia. No exame oftalmológico com lâmpada de fenda é possível visualizar os depósitos de cristais de cistina na córnea. O diagnóstico da cistinose é confirmado pela determinação do conteúdo de cistina nos leucócitos. O diagnóstico pré-natal pode ser realizado por análise genética ou através da determinação da incorporação de cistina no líquido amniótico ou nas vilosidades coriônicas.

Como o médico trata a cistinose?

O tratamento da cistinose é direcionado para os sintomas presentes em cada indivíduo. A cistinose nefropática e a intermediária já foram distúrbios progressivamente fatais, com uma vida útil para a forma infantil de menos de 10 anos. No entanto, o desenvolvimento de terapias que destroem a cistina, juntamente com as melhorias no transplante renal, estenderam a vida útil até a idade adulta.

O tratamento atual visa diminuir as taxas de cistina com a cisteamina. Alguns indivíduos que foram submetidos a um tratamento precoce com cisteamina foram capazes de atrasar um transplante de rim em 20 anos ou mais. A terapia com cisteamina deve ser iniciada imediatamente após o diagnóstico para prevenir ou retardar os danos aos rins. A cisteamina deve ser continuada ao longo da vida, porque estudos demonstraram que o tratamento prolongado pode prevenir muitas das complicações não renais e tardias da cistinose.

Ainda assim, indivíduos com cistinose nefropática ou intermediária requerem um transplante de rim mais cedo ou mais tarde.

Como evolui a cistinose?

Se não tratada, a função de filtragem do rim continuará se deteriorando, progredindo para insuficiência renal, já aos 10 anos de idade. O tratamento com medicamentos que reduzem os níveis de cistina pode retardar ou interromper a progressão da doença renal e atrasar em vários anos a necessidade de um transplante de rim.

Durante muito tempo, a cistinose nefropática foi fatal em uma idade muito jovem. No entanto, o desenvolvimento de um medicamento que reduz os níveis de cistina nas células do corpo e as melhorias no transplante de rim transformaram a cistinose em um distúrbio crônico, com expectativa de vida até além dos 50 anos de idade.

Quais são as complicações possíveis da cistinose?

A falha no crescimento e a síndrome de Fanconi renal são as primeiras complicações visíveis do distúrbio.

Leia sobre "Raquitismo", "Osteomalácia" e "Deficiência de vitamina D".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da NORD – National Organization for Rare Disorders e da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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