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Fibroadenomas - nem todo nódulo na mama é câncer!

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O que é fibroadenoma1 mamário?

Os fibroadenomas mamários são nódulos (“caroços”) benignos sólidos, encontrados nas mamas2 e quase sempre não potencialmente cancerosos, que ocorrem com mais frequência em mulheres entre 15 e 35 anos de idade. Os fibroadenomas estão entre os nódulos mamários benignos mais comuns em mulheres jovens.

Quais são as causas do fibroadenoma1 mamário?

A causa dos fibroadenomas mamários ainda não é totalmente conhecida, mas o aparecimento deles pode estar relacionado a hormônios reprodutivos. Na verdade, os fibroadenomas mamários ocorrem com mais frequência durante os anos reprodutivos da mulher, podem se tornar maiores durante a gravidez3 ou com o uso de terapia hormonal e podem se retrair após a menopausa4, quando os níveis hormonais diminuem.

Saiba mais sobre "Teste de gravidez3" e "Menopausa4".

Qual é o mecanismo fisiopatológico do fibroadenoma1 mamário?

A fisiopatologia5 é desconhecida, porém existe associação dele com a resposta exacerbada dos lóbulos e do estroma6 mamário aos estímulos hormonais que ocorrem após a menarca7. Aproximadamente 50% dos fibroadenomas mamários apresentam outras lesões8 proliferativas concomitantes, como adenose esclerosante, alterações papilares ou císticas ou calcificações epiteliais, constituindo os fibroadenomas ditos complexos.

Quais são as principais características clínicas do fibroadenoma1 mamário?

Os fibroadenomas mamários (um ou muitos fibroadenomas ao mesmo tempo, em um ou ambos os seios9) geralmente têm uma forma bem definida e podem ser aparentemente firmes, lisos, emborrachados ou duros, semelhante a uma bolinha de gude, que não causam dor ou incômodo, exceto talvez no período menstrual e na gravidez3, quando crescem devido a influências hormonais.

Variam em tamanho e podem aumentar ou encolher por conta própria, movendo-se facilmente sob a pele10, quando examinados. Geralmente, o fibroadenoma1 da mama11 tem até 3 cm e é facilmente identificado pela palpação12 durante a menstruação13 ou na gravidez3, devido ao aumento da produção de hormônios que aumentam o seu tamanho, até 6 ou 7 cm.

Nas pacientes de mais idade pode haver deposição de calcificação distrófica no nódulo14 (“calcificação em pipoca”), e o nódulo14 passa a ter consistência endurecida.

A localização mais comum do fibroadenoma1 mamário é no quadrante superior lateral, mas eles podem também ocorrer em qualquer quadrante. Em 20% dos casos, há lesões8 múltiplas uni ou bilateralmente.

Leia sobre "Ciclo menstrual", "Mitos e verdades sobre menstruação13" e "Sintomas15 de câncer16 que mulheres ignoram".

Como o médico diagnostica o fibroadenoma1 mamário?

O diagnóstico17 definitivo do fibroadenoma1 mamário é feito pelo exame anatomopatológico após biópsia18 do nódulo14. A biópsia18 pode ser feita de diversas formas, mas o método cirúrgico tem a vantagem de remover o tumor19, atuando desde já como uma forma de tratamento, apesar da possibilidade de recidiva20.

Um diagnóstico17 diferencial deve ser feito com outras condições benignas assemelhadas, como alterações funcionais benignas, cisto mamário e carcinoma21 circunscrito.

Como o médico trata o fibroadenoma1 mamário?

Na maioria dos casos, o fibroadenoma1 da mama11 não necessita de tratamento específico, porque desaparece por si mesmo após a menopausa4. O seguimento pode incluir monitoramento com mamografias e ultrassonografias periódicas para detectar mudanças no tamanho do nódulo14 ou nas sensações provocadas por ele. Uma biópsia18 pode ser requisitada para avaliar o nódulo14 ou a cirurgia para removê-lo.

Como evolui o fibroadenoma1 mamário?

Apesar do fibroadenoma1 mamário apenas em casos muito raros evoluir para câncer16, mulheres que já tiveram fibroadenoma1 têm um risco ligeiramente maior de desenvolver câncer16 de mama11 no futuro.

Quais são as complicações possíveis do fibroadenoma1 mamário?

A maioria dos fibroadenomas mamários não apresentam o risco de câncer16 de mama11. No entanto, um pequeno número deles, chamados fibroadenomas complexos ou phyllodes, têm um risco levemente aumentado de malignização.

Após a cirurgia para extirpar um fibroadenoma1 da mama11, o nódulo14 pode voltar a surgir e, por isso, a cirurgia só deve ser utilizada em casos de suspeita de câncer16 da mama11, uma vez que não é uma cura definitiva.

Veja também sobre "Mamografia22", "Câncer16 de mama11", "Prevenção do câncer16", "Plástica das mamas2" e "Prótese23 de silicone".

 

ABCMED, 2019. Fibroadenomas - nem todo nódulo na mama é câncer!. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1333373/fibroadenomas-nem-todo-nodulo-na-mama-e-cancer.htm>. Acesso em: 26 abr. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Fibroadenoma: Tumor benigno derivado dos tecidos fibroso e glandular.
2 Mamas: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
3 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
4 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
5 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
6 Estroma: 1. Na anatomia geral e em patologia, é o tecido conjuntivo vascularizado que forma o tecido nutritivo e de sustentação de um órgão, glândula ou de estruturas patológicas. 2. Na anatomia botânica, é a matriz semifluida dos cloroplastos na qual se encontram os grana, grânulos de amido, ribossomas, etc. 3. Em micologia, é a massa de tecido de um fungo, formada a partir de hifas entrelaçadas e que, nos cogumelos, geralmente corresponde à maior parte do corpo.
7 Menarca: Refere-se à ocorrência da primeira menstruação.
8 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
9 Seios: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
10 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
11 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
12 Palpação: Ato ou efeito de palpar. Toque, sensação ou percepção pelo tato. Em medicina, é o exame feito com os dedos ou com a mão inteira para explorar clinicamente os órgãos e determinar certas características, como temperatura, resistência, tamanho etc.
13 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
14 Nódulo: Lesão de consistência sólida, maior do que 0,5cm de diâmetro, saliente na hipoderme. Em geral não produz alteração na epiderme que a recobre.
15 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
17 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
18 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
19 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
20 Recidiva: 1. Em medicina, é o reaparecimento de uma doença ou de um sintoma, após período de cura mais ou menos longo; recorrência. 2. Em direito penal, significa recaída na mesma falta, no mesmo crime; reincidência.
21 Carcinoma: Tumor maligno ou câncer, derivado do tecido epitelial.
22 Mamografia: Estudo radiológico que utiliza uma técnica especial para avaliar o tecido mamário. Permite diagnosticar tumores benignos e malignos em fase inicial na mama. É um exame que deve ser realizado por mulheres, como prevenção ao câncer.
23 Prótese: Elemento artificial implantado para substituir a função de um órgão alterado. Existem próteses de quadril, de rótula, próteses dentárias, etc.
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