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Modelos de psicoterapias

Wednesday, April 10, 2024
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Modelos de psicoterapias

O que são psicoterapias?

As psicoterapias (do grego: psykhē = mente + therapeuein = curar) são técnicas de tratamento de problemas psicológicos que visam ajudar as pessoas a lidar com questões emocionais, comportamentais, cognitivas e interpessoais, removendo ou modificando sintomas e corrigindo padrões disfuncionais de relacionamentos.

Para alcançar esses objetivos, o terapeuta vale-se da palavra, na maioria das vezes, e estabelece um diálogo com o paciente (cura pela fala), mas pode se valer também de expressão corporal, sonhos acordados dirigidos, representações teatrais, etc.

Contudo, o verdadeiro diálogo terapêutico não deve ser um simples bate-papo, ainda que reconfortante; ele tem de obedecer a princípios que envolvem uma técnica rigorosa. Por isso, a formação do terapeuta, geralmente restrita a psiquiatras e psicólogos, é, necessariamente, longa e minuciosa.

As técnicas utilizadas variam em função das teorias psicológicas em que se baseiam, dos objetivos que tenham e da frequência e duração das sessões.

Saiba mais sobre "Depressões", "Depressão maior" e "Depressão bipolar e unipolar".

Modelos de psicoterapias

Do ponto de vista operacional, o termo psicoterapia cobre um espectro muito amplo que inclui psicoterapia individual, psicoterapia de casal ou de família, psicoterapia de grupo, psicoterapia breve, psicoterapia de crise e ainda outras modalidades.

Do ponto de visa doutrinário, existem vários tipos de psicoterapia, cada qual com formas e métodos próprios, mas que, na média, possuem algumas características em comum. Confira a seguir os principais tipos.

1. Psicanálise

A psicanálise é, de todas, a técnica psicoterápica mais complexa e demorada e que exige do psicoterapeuta uma preparação mais longa. Ela busca explorar o inconsciente para entender os processos mentais e emoções. Suas técnicas incluem livre associação, análise dos sonhos e interpretação das resistências. Foi desenvolvida pelo neurologista e psiquiatra Sigmund Freud (1856-1939) em fins do século XIX e primórdios do século XX. Embora tenha se originado da medicina, ela é hoje muito praticada por psicólogos.

2. Terapia Cognitivo-Comportamental

A terapia cognitivo-comportamental baseia-se na combinação de conceitos do Behaviorismo radical com teorias cognitivas e é capaz de trazer resultados expressivos na terapia, com um tempo de tratamento considerado mais curto quando comparado a outras terapias convencionais. Concentra-se em padrões de pensamento e comportamento automáticos disfuncionais, buscando modificar crenças irracionais negativas e promover comportamentos saudáveis. Inclui técnicas como reestruturação cognitiva e exposição gradual. Foi fundada pelo psiquiatra norte-americano Aaron Temkin Beck e pelo psicólogo Albert Ellis, em 1955.

3. Terapia Comportamental

A terapia comportamental é baseada em princípios do condicionamento clássico (pavloviano) e do condicionamento operante (skineriano). Visa modificar comportamentos problemáticos através de reforço positivo, punição, modelagem e outras estratégias. Foi fundada a partir das descobertas do fisiologista russo Ivan Pavlov, descobridor do reflexo condicionado clássico, e do psicólogo americano Burrhus Frederic Skinner, descobridor do reflexo condicionado operante.

4. Terapia Gestalt

A terapia da Gestalt foca na consciência do momento presente (aqui e agora) e na integração de pensamentos, sentimentos e ações. Inclui técnicas como roleplaying (representação de papeis), diálogo vazio e cadeira vazia, o que significa “conversar” com um personagem imaginário, identificado como um interlocutor da vida real do paciente. Na terapia Gestalt os clientes são encorajados a não simplesmente falar sobre suas emoções, mas trazê-las para a sala. Dessa forma, elas podem ser processadas em tempo real com a assistência do terapeuta. A Gestalt-terapia foi criada pelos judeus alemães Friedrich Salomon Perls (Fritz) e Lore Posner Perls (Laura) nos anos 1940. 

5. Terapia Humanista

A psicoterapia humanista enfatiza o crescimento pessoal, a autoexploração e a autorrealização. Ela surgiu nos anos 1950 como um questionamento do behaviorismo (foco no comportamento do homem) e da psicanálise (foco no inconsciente e em sua reação aos acontecimentos do passado), prestando relevância ao indivíduo consciente. A Psicoterapia Centrada no Cliente desenvolvida por Carl Rogers, que usa empatia, aceitação e congruência para promover o autoentendimento, e a pirâmide de Maslow (Abraham Maslow), que hierarquiza as necessidades humanas, deram impulso a essa nova forma de terapia.

6. Terapia Psicodinâmica

A terapia psicodinâmica, também chamada psicoterapia psicanalítica, é baseada nos princípios teóricos da psicanálise, mas cuja técnica difere dela, permitindo uma abordagem mais breve. Busca os motivos profundos das falas e atos e tenta ler nas entrelinhas do comportamento humano. Procura padrões repetitivos e irracionais; utiliza relações atuais para lançar luzes sobre o passado; presta atenção ao irracional e ao não dito. Visa explorar os processos inconscientes e resolver conflitos emocionais para aumentar a autoconsciência.

7. Terapia Familiar Sistêmica

A terapia familiar acontece quando um psicólogo atende os membros de uma família ao mesmo tempo. O termo “sistêmica” é devido à sua origem no seio do Modelo Sistêmico (modelo em que todas as áreas de um evento se relacionam entre si). Enfoca as relações familiares e os padrões de comunicação entre os membros da família. Suas técnicas incluem genogramas (representações simbólicas das relações entre os membros de uma família), terapia estrutural e terapia narrativa.

8. Terapia Breve

A terapia breve é centrada em soluções e focaliza-se em metas específicas. O objetivo é alcançar mudanças rápidas e eficazes, ainda que pouco consistentes a longo prazo. Costuma ser limitada a um pequeno número de sessões, muitas vezes estabelecidas previamente. Um exemplo de cliente para a psicoterapia breve pode ser o da pessoa que ganhou uma bolsa para estudar no exterior, devendo viajar em um curto prazo, mas que não consegue andar de avião.

9. Terapia de Aceitação e Compromisso

A terapia de aceitação e compromisso é uma abordagem dentro da linha de terapia cognitivo-comportamental que tem no seu modelo de intervenção psicológica dois aspectos centrais: (1) aceitação do que não pode ser controlado e (2) compromisso com as ações para melhoria contínua. Essa combinação de aceitação e compromisso leva a mudanças comportamentais. Foca em aceitar pensamentos perturbadores e comprometer-se com ações alinhadas aos valores pessoais.

10. Terapia Interpessoal

A terapia interpessoal é uma forma de tratamento de tempo limitado, focal, centrado no aqui e agora, que tem por objetivo aliviar o sofrimento através da melhora do funcionamento interpessoal. Concentra-se nos relacionamentos interpessoais e nas interações sociais para abordar problemas emocionais.

11. Terapia Existencial

Explora questões fundamentais da existência, como liberdade, responsabilidade, isolamento e busca de significado. Ajuda os indivíduos a confrontar suas preocupações existenciais. Seus principais representantes são o psicólogo austríaco Viktor Frankl (1905-1997) e o psicólogo americano Rollo May (1909-1994).

 

Estas são apenas algumas das abordagens mais conhecidas, e cada psicoterapeuta individual é treinado numa dessas modalidades, recebendo a crítica de ser um terapeuta de um só remédio, à busca de um cliente que se adapte a ele. Alguns terapeutas, no entanto, adotam uma abordagem integrativa, combinando elementos de diferentes modelos de psicoterapia com base nas necessidades individuais dos clientes.

Veja também sobre "Estresse pós-traumático", "Personalidade borderline", "Transtorno obsessivo compulsivo", "Transtorno bipolar" e "Psicoses".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Israelita Albert Einstein e do Manhattan Mental Health Counseling.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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