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Ultrassom terapêutico - O que é? Quais são as aplicações? E as contraindicações?

Monday, January 21, 2019
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Ultrassom terapêutico - O que é? Quais são as aplicações? E as contraindicações?

O que é ultrassom terapêutico?

O ultrassom terapêutico corresponde ao uso da energia ultrassônica para produção de vibrações mecânicas emitidas por um transdutor. Essas vibrações são capazes de produzir efeitos terapêuticos diversos nos tecidos orgânicos, decorrentes do movimento de agitação (efeitos mecânicos) ou do calor gerado (efeitos térmicos). A quantidade de calor gerado depende de fatores como o regime de emissão (contínuo ou pulsado), a intensidade, a frequência e a duração do tratamento.

Quando usar o ultrassom terapêutico?

O ultrassom pode ser usado na regeneração tissular. O processo de reparo tecidual compõe-se de três fases: inflamatória, proliferativa e remodelagem. Na fase inflamatória, atua como acelerador do processo inflamatório. Na fase proliferativa, o ultrassom proporciona uma potencialização da motilidade e proliferação dos fibroblastos. Na fase de remodelagem, ele aumenta a resistência tênsil, a reorientação e a quantidade de fibras colágenas.

O ultrassom terapêutico atua por meio de efeitos mecânicos ou térmicos e pode ser aplicado em muitas situações terapêuticas para beneficiar o paciente. O ultrassom de baixa frequência tem sido praticado extensamente desde os anos 50 para algumas condições, tais como tendinite e bursite. Como ondas de choque, usadas para tratar pedras nos rins e cálculos biliares, aumentou o uso nos anos 80. Essas ondas de ultrassom são utilizadas para fragmentar essas pedras em partes menores, que podem, então, ser removidas do corpo através dos processos naturais de eliminação.

Atualmente, há diversas outras aplicações do ultrassom terapêutico, as quais incluem, por exemplo, ablação da fibroide uterina, remoção da catarata, cicatrização e hemostasia dos tecidos, absorção transdérmica de drogas, auxílio na cura de fraturas ósseas, fisioterapia, controle bacteriano, higiene dental e trombólise venosa (dissolução de trombos).

Os principais efeitos térmicos do ultrassom terapêutico são: aumento da permeabilidade das membranas, vasodilatação e aumento da taxa metabólica local, liberação de histamina e agentes quimiotáticos, analgesia, ação tixotrópica (propriedade de "amolecer" estruturas com consistência física mais rígida), aumento da síntese e elasticidade do colágeno, da condução nervosa, da taxa de síntese de proteínas e das atividades dos fibroblastos, estimulação da angiogênese, incremento da penetração de agentes farmacológicos através da pele e aumento das propriedades viscosas e elásticas dos tecidos conjuntivos.

No pós-operatório de mamoplastias (cirurgias plásticas das mamas), o uso do ultrassom é importante no sentido de incrementar a circulação sanguínea e linfática, ocasionando uma melhor nutrição celular e facilitando a reabsorção de hematomas e equimoses. O uso do ultrassom acelera a fase inflamatória do processo de cicatrização tissular aumentando a adesão de leucócitos nas células endoteliais danificadas. Quando aplicado na fase de proliferação, estimula a divisão celular e aumenta a capacidade da célula de sintetizar e secretar os componentes dos fibroblastos.

Saiba mais sobre "Cálculo renal", "Colelitíase ou pedras na vesícula biliar", "Fratura óssea" e "Mamoplastia".

Como se faz a aplicação do ultrassom terapêutico?

A técnica de aplicação mais utilizada é a de contato direto, realizada quando a superfície a ser tratada não possui muitas irregularidades, permitindo o contato total da pele com toda a área do transdutor (terminal disparador de ondas de ultrassom). O cabeçote fica em contato direto com a pele do paciente, entretanto se faz necessário a utilização de uma substância de acoplamento (geralmente um gel) visando minimizar os efeitos da reflexão. Para assegurar o tratamento mais uniforme possível de uma área, é necessário manter o cabeçote de tratamento em movimento contínuo e uniforme. Adicionalmente, o gel facilita o deslocamento do transdutor sobre a pele.

As ondas ultrassônicas podem se propagar de dois modos: (1) contínuo, em que não ocorre interrupção da onda ultrassônica e que promove a geração de calor, ou (2) pulsado, em que há interrupções na liberação da energia nos tecidos irradiados e que não produz calor.

O tempo de aplicação do ultrassom deve variar de acordo com o tamanho da área irradiada, mas não deve ultrapassar 15 minutos de aplicação total.

Contraindicações do ultrassom terapêutico

O ultrassom terapêutico deve ser aplicado com muito cuidado em áreas com hipoestesia (diminuição da sensibilidade), pois pode produzir lesões na pele e periósteo, uma vez que o mecanismo de defesa está abolido. Nas áreas com insuficiência vascular pode haver dificuldade de arrefecimento da área pelo sangue. Os implantes metálicos constituem outra contraindicação, já que 90% de radiação emitida é refletida e tende a se concentrar nos tecidos vizinhos.

O ultrassom terapêutico, quando aplicado sobre epífises férteis, pode causar uma ossificação precoce e interferir no crescimento ósseo. O cimento de fixação das endopróteses possui um alto coeficiente de absorção das ondas ultrassônicas e os componentes à base de polímeros poderiam sofrer ação dos efeitos térmicos do ultrassom contínuo.

Durante a aplicação do ultrassom terapêutico podem ocorrer ligeiras alterações no metabolismo da glicemia que, em geral, desaparecem com a redução das doses. Por isso, deve ser usado com cuidado em diabéticos. O ultrassom pode influenciar no funcionamento de marca-passos, mas isso só ocorre se as ondas sônicas atingirem diretamente o aparelho. Por fim, deve-se tomar cuidado com as feridas abertas, pois há risco de infecção.

Veja sobre outras aplicações do ultrassom: "Ultrassonografia", "Ultrassonografia transvaginal" e "Ultrassonografia na gravidez".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da Cleveland Clinic e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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